Ainda que a ficção
young adult
(YA) tenha recebido o seu destaque mais ou menos na altura de
Rowling
, a voz de adolescentes representada na ficção não é propriamente recente.
Mark Twain
e
Charles Dickens
publicaram
As Aventuras de Tom Sawyer
(1876) e
Oliver Twist
(1838) respetivamente, duas obras escritas no século XIX sobre dois meninos órfãos que aprendem a viver numa sociedade cruel. Outras obras mais recentes receberam, entretanto, a atenção do público adolescente, como
À Espera do Centeio
(1951), de
J. D. Salinger
, ou
Mataram a Cotovia
(1960), de
Harper Lee
. Todas, sem exceção, evocam a experiência de crianças ou adolescentes e a sua visão honesta perante as infelicidades do mundo.
No final do século XX, perante o sucesso de
Harry Potter
, a perspetiva adolescente ganhou cada vez mais popularidade. A diferença, no entanto, estava na complexidade dos enredos, ao explorar assuntos compreendidos, até então, como um
tabu
. Distopias como
Os Jogos da Fome
(2008), de
Suzanne Collins
, ou
Divergente
(2001), de
Veronica Roth
, indiciavam a força dos jovens, capazes de revolucionarem sociedades pisadas pela ditadura e corrupção política. Em Portugal,
Os Filhos da Droga
(1978), de
Christiane F.
, ou
A Lua de Joana
(1994), de
Maria Teresa Maia Gonzalez
, chamavam a atenção para a cultura da toxicodependência nas camadas mais jovens.
Mas o que torna a ficção de jovem adulto tão importante?
Com histórias cada vez mais diversificadas, de uma profundidade por vezes difícil e crua, este é um género literário que entra na casa do leitor e se instala onde é necessário –
no coração de quem mais precisa dele
.