Young Adult | A literatura tem idade?

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2019-08-12 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

J. K. Rowling

J. K. Rowling

J.K. Rowling é autora da mundialmente aclamada série Harry Potter. Teve a ideia para escrever as inesquecíveis aventuras de Harry, Ron e Hermione num comboio que viajava atrasado em 1990, e foi nessa altura que a autora concebeu as linhas gerais da série e depois escreveu os sete livros que a compõem, tendo sido o primeiro, Harry Potter e a Pedra Filosofal, publicado no Reino Unido em 1997. A série demorou mais dez anos a ser completada e foi concluída em 2007, com a publicação de Harry Potter e os Talismãs da Morte. É também autora de três livros cujas receitas revertem a favor de instituições de caridade: O Quidditch através dos Tempos, Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los (a favor da Comic Relief e da Lumos) e Os Contos de Beedle, o Bardo (a favor da Lumos). J.K. Rowling colaborou na escrita da peça de teatro Harry Potter e a Criança Amaldiçoada - Partes 1 e 2, que deu continuidade à história de Harry, cujo guião foi publicado em livro. Os seus outros livros para crianças incluem os bestsellers O Ickabog e O Porquinho de Natal. É também autora de livros para adultos, incluindo uma série policial bestseller que escreve sob o pseudónimo de Robert Galbraith. J.K. Rowling já recebeu muitos prémios e galardões pelos seus trabalhos. A autora apoia um grande número de causas humanitárias através da Volant e fundou a Lumos, uma instituição de caridade infantil internacional. Para saber mais sobre J.K. Rowling, visite jkrowlingstories.com.

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Maria Teresa Maia Gonzalez

Maria Teresa Maia Gonzalez

Nasceu em Coimbra, em 1958. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas – Variante de Estudos Franceses e Ingleses – pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Foi professora de Português, Inglês e Francês, no ensino particular e público, entre 1982 e 1997, em Alverca do Ribatejo, Manique e Lisboa. Recebeu o Prémio Verbo-Semanário, juntamente com M.ª do Rosário Pedreira, pelo livro O Clube das Chaves entra em Ação, em 1989. Da sua obra constam sobretudo romances juvenis, sendo também da sua autoria histórias infantis, poesia, contos, ficção para adultos e uma coleção juvenil de peças de teatro. Do seu livro mais conhecido, A Lua de Joana (traduzido para 5 línguas), foi feita uma adaptação para teatro por Ana Lúcia Galinha, tendo sido levada à cena pelo grupo Artyaplausos, em Lisboa e noutras cidades do País. Da coleção «O Clube das Chaves», de que é coautora, foi feita uma adaptação para uma séria televisiva com o mesmo título, exibida num canal de televisão nacional e num estrangeiro. Vários livros juvenis da sua autoria foram selecionados para o concurso nacional «Olimpíadas da Leitura», entre eles, Gaspar & Mariana, A Fonte dos Segredos e O Guarda da Praia. Foram publicados alguns contos inéditos da sua autoria nas revistas: Cais, Barata, Família Cristã. Presentemente, colabora mensalmente, com um artigo, na revista Família Cristã. O seu conto «Mãe Aparecida» foi publicado no livro Nossa Senhora na História de Portugal, editado pela Editora Lucerna. Visita regularmente bibliotecas e escolas em todo o País, onde as suas obras são usadas com objetivos pedagógicos, nos vários níveis de ensino. Cerca de 70 títulos desta autora constam atualmente do Plano Nacional de Leitura.
Candidata ao prémio literário sueco Astrid Lindgren (ALMA) 2016.

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Veronica Roth

Veronica Roth

Veronica Roth cresceu em Barrington, Illinois, e vive em Chicago. Estudou Escrita Criativa e é a autora de várias obras de sucesso, nomeadamente da série Divergente, adaptada ao cinema.

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Rainbow Rowell

Rainbow Rowell

Rainbow Rowell é a autora n.º 1 bestseller do New York Times, conhecida por Eleanor & Park e pela série Simon Snow, bem como por vários outros romances premiados, contos e bandas desenhadas. Rainbow vive em Omaha, Nebraska, tal como a maioria das suas personagens.
Ao ritmo de um slow é o seu primeiro romance publicado na Singular.

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Christopher Paolini

Christopher Paolini

Christopher Paolini é autor do Ciclo da Herança (Eragon, Eldest, Brisingr, Herança). Criador do Mundo de Eragon e do Fractalverso e detentor do recorde mundial do Guinness para o autor mais jovem de uma coleção bestseller.
Foi habilitado para ser atirador no exército australiano e lorde escocês. Esquivou-se de tiros... mais do que uma vez. Em criança, foi perseguido por um alce no Alasca. Tem o seu nome gravado em Marte. Primogénito de Kenneth e Talita. Marido. Pai. Fazedor de perguntas e contador de histórias.

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Quando Harry Potter recebeu, pelas mãos de Hagrid, uma carta a anunciar que era um pequeno feiticeiro prestes a estudar em Hogwarts, todas as crianças acompanharam a sua jornada como se esta lhes pertencesse, imaginando uma realidade onde também poderiam fazer magia. Anos mais tarde, no fim de uma viagem repleta de perdas e conquistas, o Rapaz Que Sobreviveu derrota Lord Voldemort na batalha mais épica de sempre, oferecendo-nos a reconfortante sensação de que o bem derrota sempre o mal. Essas crianças, agora adolescentes – ou talvez já adultas – findam a caminhada ao lado de Harry como se também elas estivessem presentes no momento em que Tom Riddle dá o seu último suspiro.

A saga de J. K. Rowling , desde Pedra Filosofal (1997) até Talismãs da Morte (2007), é somente uma porta para um mundo diverso, influente e indispensável – a literatura para jovens adultos . Harry Potter ensinou várias gerações a olhar nos olhos as consequências de um sistema corrupto e a solidão de perder quem mais amamos, tudo isto através de um espaço ficcional estimulante e criativo.

 
Uma literatura sem idade mas que promete ficar

Ainda que a ficção young adult (YA) tenha recebido o seu destaque mais ou menos na altura de Rowling , a voz de adolescentes representada na ficção não é propriamente recente. Mark Twain e Charles Dickens publicaram As Aventuras de Tom Sawyer (1876) e  Oliver Twist (1838) respetivamente, duas obras escritas no século XIX sobre dois meninos órfãos que aprendem a viver numa sociedade cruel. Outras obras mais recentes receberam, entretanto, a atenção do público adolescente, como À Espera do Centeio (1951), de J. D. Salinger , ou Mataram a Cotovia (1960), de Harper Lee . Todas, sem exceção, evocam a experiência de crianças ou adolescentes e a sua visão honesta perante as infelicidades do mundo.

No final do século XX, perante o sucesso de Harry Potter , a perspetiva adolescente ganhou cada vez mais popularidade. A diferença, no entanto, estava na complexidade dos enredos, ao explorar assuntos compreendidos, até então, como um tabu . Distopias como Os Jogos da Fome (2008), de Suzanne Collins , ou Divergente (2001), de Veronica Roth , indiciavam a força dos jovens, capazes de revolucionarem sociedades pisadas pela ditadura e corrupção política. Em Portugal, Os Filhos da Droga (1978), de Christiane F. , ou A Lua de Joana (1994), de Maria Teresa Maia Gonzalez , chamavam a atenção para a cultura da toxicodependência nas camadas mais jovens.

Mas o que torna a ficção de jovem adulto tão importante?

Com histórias cada vez mais diversificadas, de uma profundidade por vezes difícil e crua, este é um género literário que entra na casa do leitor e se instala onde é necessário – no coração de quem mais precisa dele .

 
Uma voz que é de todos

De acordo com um artigo do The Atlantic , aproximadamente 55% dos leitores de ficção young adult são adultos . Um número que pode parecer surpreendente, mas que não é novidade entre académicos e especialistas, como é o caso de Jen Loja , presidente da Penguin Young Readers e professora de literatura. Ao contrário da ficção para adultos, a ficção young adult representa uma fase pela qual todos nós já passámos – a adolescência.

Crescer é ter medo, vivenciar dramas que nos parecem impossíveis até os resolvermos, sofrer perdas inimagináveis e amadurecer com as nossas experiências, algo que qualquer geração consegue entender perfeitamente. É ser Cath, a menina introvertida de Fangirl (2013), que encontra o consolo nos livros e na sua escrita e tem medo de se abrir para outros depois da morte da mãe. É ser infinito como Charlie, em As Vantagens de Ser Invisível (1999). É viajar nas costas de um dragão, como em Eragon (2002) e descobrir o renascer do mundo através do olhar imenso de Saphira. 

 

Literatura que faz pensar

Starr Carter tem 16 anos quando se torna na única testemunha do disparo fatal de um polícia contra Khalil, o seu melhor amigo. É em O Ódio que Semeias (2017) que sentimos o desespero da personagem principal, numa história que depressa se tornou num aclamado bestseller sobre a brutalidade policial nos Estados Unidos da América. 

Segundo Virginia Zimmerman , professora de literatura inglesa, há uma concepção errada em torno dos livros young adult, ao veicular-se a ideia de que se trata de um género que não traz nada de novo, funcionando mais como um escape do que propriamente como literatura. “As pessoas podem ler ficção YA para entrar em realidades diferentes, mas eu acho que o fazem para encontrar sentimentos, desafios e relações que reconhecem nas suas próprias vidas” .

Histórias como as de Starr Carter colocam-nos na pele do outro , e isso é a receita ideal para nos tornarmos mais empáticos e emocionalmente mais inteligentes . De facto, a literatura young adult  aborda, cada vez mais, assuntos importantes sobre raça, sexualidade ou discriminação, obrigando o adolescente – ou o adulto – a pensar para lá do seu entendimento. 

 

Histórias que valem a pena

Para Zimmerman , não há dúvidas de que a ficção YA tem vindo a melhorar ao longo dos anos. Atualmente, há uma secção completamente dedicada aos livros young adult no The New York Times , algo que há 10, 11 anos seria impensável. Para além disso, são cada vez mais os livros adaptados ao cinema ou a séries de televisão, como A Rapariga que Roubava Livros (2005) ou Por Treze Razõe s (2007).

Outro factor, talvez dos mais importantes, diz respeito à visibilidade que a restante literatura passa a ter para o jovem leitor. É o mergulhar nesse oceano que é a ficção, independentemente do género literário ou da geração para quem é dirigido. 

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