Hoje, Portugal estreia-se nos palcos do Mundial 2026, frente à República Democrática do Congo. Para lhes desejar boa sorte, decidimos recordar a história da seleção nacional nesta competição.
A nossa seleção masculina só esteve perto da glória num Mundial duas vezes: em 1966 e em 2006. Entre as duas edições houve quarenta anos de espera, mas também a prova de que a seleção se reinventa a cada geração. Esta é uma boa altura para recordar esse percurso.
A origem
O Campeonato do Mundo nasceu da insistência de Jules Rimet, dirigente da FIFA que defendia, nos anos 1920, um torneio próprio para o futebol fora dos Jogos Olímpicos. A primeira edição realizou-se no Uruguai, em 1930, com apenas treze seleções. Desde então, o Mundial passou por guerras, troféus roubados, e cresceu até à edição atual, que reúne 48 seleções pela primeira vez na história.
Portugal e os "Magriços" de 1966: a entrada triunfal
Portugal estreou-se em Mundiais tarde, em 1966, mas fê-lo da melhor forma possível: em Inglaterra nesse ano, a seleção das quinas conquistou o terceiro lugar, a melhor classificação portuguesa de sempre na competição. O protagonista foi um jovem nascido na Mafalala, em Moçambique: Eusébio. Marcou nove golos na prova, incluindo quatro num só jogo de quartos de final contra a Coreia do Norte, depois de Portugal estar a perder por 3-0. Chamavam-lhe a "Pantera Negra", e esse Mundial transformou-o instantaneamente numa lenda mundial.
40 anos depois, a "Geração de Ouro" repete a proeza
Seriam precisas quatro décadas para Portugal se aproximar de novo daquele feito. No Mundial de 2006, na Alemanha, a seleção liderada por Luís Figo, Deco, Maniche e um jovem Cristiano Ronaldo eliminou a Holanda e a Inglaterra antes de cair nas meias-finais, frente à futura finalista, França. O quarto lugar final igualou a segunda melhor participação portuguesa de sempre e ficou gravado como o ponto mais alto daquela "Geração de Ouro".
Sugestões de leitura:
Vindo do bairro pobre da Mafalala, em Moçambique, Eusébio chega a Lisboa numa noite de dezembro de 1960 com um sonho: jogar no Benfica. Sónia Louro reconstrói em forma de romance a história do homem que se tornaria a "Pantera Negra" do Mundial de 1966, dos mais de 800 golos à fama mundial, sem esconder o lado mais duro do seu percurso.
Magriços, de Vasco Parracho
Vasco Parracho, autor também da biografia gráfica de Peyroteo, recupera em banda desenhada a melhor prestação portuguesa de sempre em Mundiais: o terceiro lugar de 1966. Com base nas memórias de António Simões, um dos heróis dessa equipa, o livro vai além do resultado desportivo e recria o contexto humano e emocional de uma geração que surpreendeu o mundo.
O jornalista francês que acompanha Cristiano Ronaldo há quase 25 anos reconstrói, em 109 capítulos, o percurso do madeirense desde os primeiros toques na bola até à véspera do sexto Mundial da carreira. Da Madeira a Riade, passando por Lisboa, Manchester, Madrid e Turim, o livro cruza testemunhos de quem o acompanhou de perto com os bastidores da longevidade de um dos maiores fenómenos do futebol mundial. Chega às livrarias precisamente a tempo do Mundial 2026.
Uma biografia oficial, construída com testemunhos da esposa, dos pais e de mais de noventa pessoas próximas a Diogo Jota, incluindo colegas de seleção e antigos treinadores. Das memórias de infância em Gondomar ao símbolo de entrega que se tornou em campo, o livro revisita com profundidade e sobriedade uma carreira e uma vida que o futebol português não vai esquecer.
Ser "craque da bola" é o sonho de muitos jovens e das suas famílias, mas só uma ínfima parte chega aos grandes clubes e às seleções. Com entrevistas a treinadores, psicólogos, jornalistas e antigas promessas do futebol português, Rui Passos Rocha mostra que talento e esforço não bastam: há que ter a atitude certa e, muitas vezes, a sorte do lado.
Álvaro Fortunato Vaz explica o futebol como um sistema vivo e em constante adaptação, a partir de entrevistas com nomes como Bruno Lage, Carlos Carvalhal, José Peseiro ou Vítor Pereira. Um livro denso e exigente sobre o que significa treinar para competir nos maiores palcos do mundo, da formação à Champions League, pensado para quem quer ir além da superfície do jogo.
Curiosidades sobre o Mundial
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O torneio não se realizou em 1942 nem em 1946, por causa da Segunda Guerra Mundial.
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A taça original do Mundial esteve escondida numa caixa de sapatos durante a guerra, para escapar aos nazis.
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Essa mesma taça foi roubada em Londres, em 1966, e recuperada por um cão chamado Pickles.
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Em 1983, a taça foi roubada de novo, no Brasil, e nunca mais foi encontrada.
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Pelé tinha apenas 17 anos quando se sagrou campeão mundial, em 1958.
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O Mundial 2026 é o primeiro da história com 48 seleções em prova.
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A bola oficial é redesenhada a cada edição desde 1970, sempre pensada para o país anfitrião.