João Barrento vence o Prémio Camões 2023

Por: Marta Ribeiro a 2023-10-11 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

O ensaísta e tradutor João Barrento foi esta terça-feira, dia 10, distinguido com o Prémio Camões, o mais importante da línguas portuguesa. O juri, constituído por representantes de Portugal, Brasil, São Tomé e Príncipe e Moçambique, destacou as “traduções de literatura de língua alemã, que vão da Idade Média à época contemporânea, e em todos os géneros literários” por constituirem “um meio de enriquecimento da língua e de difusão em português das grandes obras da literatura mundial”, lê-se no comunicado do Ministério da Cultura.


João Barrento junta-se assim a uma lista da qual fazem parte nomes como Chico Buarque, António Lobo Antunes e Hélia Correia, só para nomear alguns. Em anos anteriores, o prémio tinha sido atribuído ao brasileiro Silvano Santiago e à moçambicana Paulina Chiziane. Numa nota publicada no site da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa saúda a atribuição deste prémio a João Barrento e vê a distinção como uma “reafirmação do género literário”.


Em maio deste ano, lançou Aparas dos Dias, e entre a obra que traduziu e prefaciou encontram-se títulos como os três volumes de O Homem sem Qualidades, de Robert Musil, Fausto e Torquato Tasso, de Goethe, o Jogo das Perguntas ou a Viagem à Terra Sonora, de Peter Handke, A Metamorfose, de Franz Kafka, entre outros. Publicou ensaios como Walter Benjamin - A Sobrevida das Ideias, Breviário do Silêncio sobre Maria Gabriela Llansol, Rui Chafes e Fernando Echevarría, entre outros, Goethe o Eterno Amador e Outros Tons de Azul - Poesia Política Alemã do Século XX.


O ensaísta nasceu a 26 de abril de 1940 em Alter do Chão, distrito de Portalegre. Licenciou-se em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras de Lisboa, com uma dissertação sobre Harold Pinter, foi Leitor de Português na Universidade de Hamburgo e Leitor de Língua Alemã e docente de Literatura Alemã e Comparada na faculdade onde se formou. Entre 1986 e 2002 foi professor de Literatura Alemã e Comparada e de História e Teoria da Tradução da Universidade Nova de Lisboa. Na década de 90 era cronista no jornal Público.


O Prémio Camões foi instituído em 1989 por Portugal e Brasil. Nesse ano, o vencedor foi Miguel Torga. Seguiram-se João Cabral de Mello Neto, Vergílio Ferreira, Rachel de Queiroz e Jorge Amado. Em 1995, foi Saramago quem levou o galardão. Os portugueses Eugénio de Andrade, Maria Velho da Costa, Agustina Bessa-Luís, António Lobo Antunes, Manuel António Pina, Hélia Correia e Manuel Alegre também foram distinguidos nos anos que se seguiram.


O prémio tem um valor associado de 100 mil euros.
 

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