Agustina Bessa-Luís: “Os grandes da literatura têm também de ser grandes na vida.”

Por: Bertrand Livreiros a 2023-01-11

10%

O Sermão do Fogo
18,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

Fanny Owen
18,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

Vale Abraão
20,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

O Princípio da Incerteza
35,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

A Ronda da Noite
19,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

Ensaios e Artigos I, II e III
90,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

Partilhamos consigo a segunda parte do artigo Agustina Bessa-Luís: “Os grandes da literatura têm também de ser grandes na vida.”  publicado na edição de Natal da revista Somos Livros. Se ainda não leu a primeira parte, descubra-a aqui.


51. Correspondeu-se com vários autores, entre eles: Ferreira de Castro, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner, José Régio e Mário Cláudio.

52. O romance O Sermão do Fogo, terminado em Esposende, em 1962, ilustra os conflitos interiores de Agustina.

53. Leu a obra completa de Freud, “como se fosse um romance devastador”. Lê Musil, Hermann Broch, Teilhard de Chardin e Kierkegaard.

54. Um dia, disseram-lhe que estava morena. Agustina não queria ser morena e resolveu deixar a praia (Esposende) e o casal mudou-se novamente para o Porto.

 

“Eu disse um dia que a minha relação com o Porto é como um casamento de conveniência: começa-se por obrigação e acaba-se por amor.”
 — Agustina Bessa-Luís


55. Quando o casal comprou uma propriedade na Rua do Gólgota, os vendedores impuseram duas condições: que o velho motorista ficasse numa parte da casa até morrer e que conservassem na parede dois retratos dos antigos proprietários. Esses eram os “fantasmas” por quem Agustina afirmava sentir muito respeito.

56. Quando o seu caniche, o Boneco, morreu foi a única vez que admitiu ter chorado.

57. Escrevia cerca de uma página por dia, sempre à mão, numa caligrafia miudinha.

58. Sobre os períodos de escrita, a filha recorda-lhe uma espécie de “transe” em que emergia, não gostando de ser interrompida.

59. Não gostava de frequentar livrarias. Tudo o que não significasse escrever, aborrecia e impacientava Agustina.

60. Só começou a viajar depois dos trinta anos.

61. Aproveitava as deslocações para se abastecer com artigos dos grandes criadores de moda. Numa visita à República Popular da China, recusou percorrer a Grande Muralha, tendo preferido entrar nas lojas das sedas. 

 

“Não julguem que as mulheres vão às compras porque são frívolas. Não, senhor. É para se distraírem da tristeza.” 
— Agustina Bessa-Luís


62. Agustina e Sophia mantinham discussões regulares sobre a aparência de Cristo.

63. Agustina costumava repetir que não gostava de poesia, apenas dos poetas.

64. Em 1969, ainda no tempo do Estado Novo, chegou a ser convidada para concorrer como deputada pela ala liberal da Ação Nacional Popular (ANP), o partido único do regime. Não chegou a candidatar-se por não estar recenseada nos cadernos eleitorais.

65. Manteve com a artista plástica Maria Helena Vieira da Silva uma profunda amizade.

66. Tinha alguns ódios de estimação, entre eles Natália Correia. Esta apelidava Agustina de “a bruxa da Areosa”, Agustina chamava Natália de “tasqueira da Graça”.

  67 . Vergílio Ferreira também não apreciava Agustina. A este juntava-se José Cardoso Pires.

68. Na década de 1970, nasce a sua neta, Lourença Baldaque.

69. Em 1974, dirigiu a Fundação Cupertino de Miranda.

70. Foi a sócia n.º 435 da Sociedade Portuguesa de Escritores.

71. Tinha aversão a peças de vestuário feitas em ganga.

72. O riso de Agustina era um dos traços mais notórios do seu comportamento. O seu sarcasmo era também uma imagem de marca.

73. Foi também na década de 1970 que começou a interessar-se pela escrita de biografias (Florbela Espanca, Sebastião José, Santo António, entre outros).

74. A partir desta década, a sua obra passa a ser premiada no estrangeiro.    

75. Na década de 1980, decidiu aventurar-se no jornalismo e na política, tendo chegado a ser mandatária nacional da candidatura de Freitas do Amaral à Presidência da República.

76. Numa entrevista ao jornal Expresso, confessou-se “antidramática”: “Estive em Delfos e bebi água da fonte Castália, que é a fonte da juventude. Voltei a Delfos e não voltei a beber daquela água. "Uma vez basta" — disse eu. Isso é ser antidramática.”

77. Foi da amizade com Freitas do Amaral que nasceu o convite para Agustina dirigir O Primeiro de Janeiro.

78. Em 1989, aceitou a presidência do Conselho Geral do Hospital de Crianças Maria Pia.

79. Em 1990 foi nomeada membro do Conselho Superior para a Defesa e Salvaguarda do Património Cultural Português.

80. Pedro Santana Lopes escolheu-a para substituir Ricardo Pais na direção do Teatro Nacional D. Maria II.

81. Em 1994, o mesmo dirigente apontava Agustina como representante do Estado no conselho de administração da Fundação de Serralves.

82. Desenvolveu com o realizador Manoel de Oliveira uma relação especial e uma convivência literária e fílmica de rara qualidade. Foram várias as obras da autora que o realizador adaptou para o cinema, entre elas Francisca (a partir de Fanny Owen), Vale Abraão e O Princípio da Incerteza.

83. Agustina recebeu diversos prémios literários e não se coibia de confessar que, em primeiro lugar, gostava da parte pecuniária dos prémios.

84. Quando o Nobel da Literatura foi atribuído a José Saramago, em 1998, estava num jantar e mandou abrir uma garrafa da Don Perignon para homenagear Saramago.

85. A atribuição do Prémio Camões, em 2004, desencadeou uma série de homenagens.

86. Agustina não gostava de envelhecer, reclamava que precisaria de viver trezentos anos para fazer tudo aquilo que gostaria de fazer.

87. Gostava de contar o episódio de quando foi abordada na rua por uma mulher, que a tinha visto na véspera num programa de televisão, que lhe disse: “Sabe, Dona Agustina, gostei muito de a ver e ouvir ontem na televisão, e gosto muito de si. Qualquer dia até leio um livro seu!”

88. Em 2003, participou na homenagem que lhe prepararam em Vila Meã, descerrando a placa comemorativa que hoje adorna a entrada onde nasceu.

89. Em 2005, a RTP exibia a videobiografia de Agustina, Nasci Adulta, Morrerei Criança.

90. Em 2006, Maria João Seixas grava com Agustina um conjunto de conversas em torno de aforismos e ditos populares, com o título Ela por Ela.

91. Ainda em 2006, terminava aquele que viria a ser o seu último manuscrito, A Ronda da Noite.

 

“Fico mais espantada quando as pessoas dizem que gostam de mim. Não vejo razões para gostarem de mim porque eu também não gosto da maioria das pessoas [risos].”
— Agustina-Bessa Luís, em entrevista ao Jornal Sol, 2006


92. Em novembro de 2006, manifestou o seu apoio ao Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo Sim no lançamento da campanha para o referendo sobre a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG)

93. No início de 2007, terá sofrido o primeiro de vários microacidentes vasculares cerebrais.

94. Escreveu 48 obras de ficção (publicadas entre 1948 e 2018), seis biografias, seis peças de teatro, cinco livros de literatura infantil, algumas dezenas de crónicas, memórias e ensaios, bem como oito adaptações cinematográficas.

95. Confessou, numa entrevista a Anabela Mota Ribeiro: “Um grande jogador, o Francisco Sousa Tavares, marido de Sophia de Mello Breyner, um dia perguntou-me: ‘A Agustina não joga?’. E eu disse assim: ‘Jogo com pessoas.’”

96. O documentário Ema e o Prato de Figos foi inspirado em obras e nas memórias da autora.

97. A 15 de outubro de 2012, foi criado o Círculo Literário Agustina Bessa-Luís, uma associação sem fins lucrativos, que pretende ser um lugar de encontro de leitores e admiradores da obra da autora.

98. A neta reuniu, em Ensaios e Artigos (1951-2007), um conjunto de textos da autora, com opiniões e reflexões sobre temas e figuras variadas, de Bob Dylan a Dostoievski.

99. Alberto, o marido, faleceu a 14 de novembro de 2017, aos noventa e cinco anos.

100. Agustina faleceu a 3 de junho de 2019, aos noventa e seis anos.

 

“Os livros de Agustina duram, e Agustina é grande e gloriosa.”
— Gonçalo M. Tavares, in Livro dos Prefácios à Obra de Agustina Bessa-Luís

X
O QUE É O CHECKOUT EXPRESSO?

O ‘Checkout Expresso’ utiliza os seus dados habituais (morada e/ou forma de envio, meio de pagamento e dados de faturação) para que a sua compra seja muito mais rápida. Assim, não tem de os indicar de cada vez que fizer uma compra. Em qualquer altura, pode atualizar estes dados na sua ‘Área de Cliente’.

Para que lhe sobre mais tempo para as suas leituras.