A autora luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida foi distinguida, a 16 de junho, com o prestigiado Prémio D. Diniz pela sua obra Livro da Doença. A atribuição do prémio, promovido pela Fundação Casa de Mateus, reconhece um dos livros mais marcantes da literatura portuguesa recente.
Escrito no seguimento do luto pela morte do pai, em 2021, Livro da Doença é uma reflexão profunda sobre a perda, a memória e a fragilidade da existência humana.
Em entrevista à Renascença, a autora explicou que a obra nasceu da tentativa de prolongar uma conversa interrompida pelo falecimento do pai, confessando que procurou escrever “um livro sobre o nada que me tinha restado desse outro livro”, numa referência ao projeto literário que o pai não chegou a concretizar.
Mais do que abordar uma doença específica, Djaimilia Pereira de Almeida explora aquilo que descreve como “uma condição de estar vivo”, encarando a doença como uma experiência comum à condição humana, e transformando uma experiência íntima numa reflexão universal sobre a vulnerabilidade humana. O júri destacou precisamente essa capacidade, considerando a autora “uma das grandes vozes da prosa em língua portuguesa”.
Numa reflexão sobre a relação entre a experiência e a escrita, a autora afirmou que “começamos a mentir assim que começamos a contar”, sublinhando que a literatura não reproduz a realidade de forma literal, mas transforma-a e recria-a. Essa harmonia entre memória, verdade e ficção atravessa grande parte da sua obra.
Nascida em Luanda em 1982 e criada nos arredores de Lisboa, Djaimilia Pereira de Almeida tem-se afirmado como uma das mais relevantes escritoras contemporâneas de língua portuguesa. Desde a sua estreia literária com Esse Cabelo, em 2015, passando também pelo muito premiado romance Luanda, Lisboa, Paraíso, publicado em 2018, a autora tem construído uma obra singular, marcada pela reflexão sobre identidade, memória, pertença e herança cultural.
A distinção com o Prémio D. Diniz junta-se a outros importantes reconhecimentos da sua carreira, entre os quais, em 2025, o Prémio Fernando Namora, também atribuído a Livro da Doença, e o Prémio Vergílio Ferreira, que distinguiu o conjunto da sua obra. Venceu também o Grande Prémio de Romance APE em 2024 por Toda a Ferida É Uma Beleza.
Com esta nova distinção, Djaimilia Pereira de Almeida reforça o seu lugar de destaque na literatura contemporânea, confirmando-se como uma voz essencial para compreender os desafios e as complexidades do nosso tempo.