Roberto Bolaño foi considerado pelos seus pares o autor latino-americano mais importante da sua geração. Nascido em Santiago do Chile, a 28 de abril de 1953, notabilizou-se pelos seus romances e contos, apesar de se considerar um poeta. Viria a morrer aos 50 anos, a 15 de julho de 2003, com insuficiência hepática. No início deste milénio, uma boa parte da população leitora de língua inglesa apaixonou-se pela escrita de Roberto Bolaño, com o premiado Detetives Selvagens a marcar presença nas mesas de cabeceira de muitos leitores.
O autor chileno defendia a importância da leitura para os escritores: “ler é mais importante do que escrever”. E foi movido por esta crença que escreveu um ensaio onde partilhou algumas dicas sobre a arte de escrever contos. Partilhamos consigo alguns dos conselhos do autor de 2666.
1. Nunca escrever apenas um conto de cada vez. Se alguém abordar [a escrita] dessa forma, provavelmente irá escrever o mesmo conto até morrer.
2. É melhor escrever três ou cinco contos de cada vez. Se houver energia para isso, escreva entre nove a quinze de cada vez.
3. É preciso ler Horacio Quiroga, Felisberto Hernandéz e Jorge Luis Borges. Ler Juan Rulfo e Augusto Monterroso. Qualquer escritor de contos nunca vai ler Camilo José Cela ou Francisco Umbral, certamente irá ler Julio Cortázar e Adolfo Vioy Casares, mas de forma alguma Cela ou Umbral.
4. Um escritor de contos deve ser corajoso. É um facto triste de se reconhecer, mas é assim que deve ser.
5. A verdade mais honesta é que com Edgar Allan Poe todos teríamos material bom mais do que suficiente para ler.
6. Pense no ponto anterior. Pense e reflita sobre ele. Ainda tem tempo. Pensa e, se possível, de joelhos.
7. Ler também Anton Chekhov e Raymond Carver Um deles é o melhor escritor do século XX.
Fonte: Open Culture