James Baldwin nasceu em Harlem, Nova Iorque, a 2 de agosto de 1924, e tornou-se um dos maiores escritores do século XX. Morreu em 1987 no sul de França, um ano depois de ter sido nomeado Cavaleiro da Legião de Honra Francesa. Para assinalar o seu aniversário, partilhamos dez curiosidades sobre o autor.
1. James Arthur Baldwin nunca conheceu o seu pai biológico, foi criado pelo padrasto, David Baldwin, um ministro batista, com quem mantinha uma relação tensa.
2. Em 1948, com apenas 24 anos e praticamente sem dinheiro, Baldwin mudou-se para Paris para se afastar do preconceito que enfrentava na América. Numa entrevista à The Paris Review, em 1984, Baldwin falou sobre os motivos para deixar a América em 1948. "A minha sorte estava a esgotar-se. Eu iria para a prisão, mataria alguém ou seria morto. O meu melhor amigo tinha-se suicidado dois anos antes."
“Pensamos que a nossa dor e o nosso desgosto não conhecem precedentes na História do mundo, mas depois lemos.”
— James Baldwin
3. Durante a década de 1960, tornou-se um proeminente ativista dos direitos civis nos Estados Unidos. Escreveu e discursou sobre questões raciais, participou de debates e marchas, e manteve amizade com outros líderes do movimento pelos direitos civis, como Martin Luther King Jr. e Malcolm X. Ao escrever sobre racismo e a homofobia, desafiou as normas sociais da época e defendeu a igualdade e a justiça para todos.
4. Embora tivesse uma máquina de escrever, preferia escrever à mão, num bloco de folhas pautadas.
5. Embora seja mais conhecido pelos seus romances, também escreveu sobre o cinema americano — e estava particularmente interessado no que o cinema tinha a dizer sobre raça.
6. O FBI tinha um ficheiro sobre Baldwin com quase 1.900 páginas.
7. Foi o primeiro artista afroamericano a aparecer na capa da revista Time.
8. "Se só pudesse escrever um livro na vida, seria este.", afirmou Baldwin sobre o seu primeiro romance Se o Disseres na Montanha (1953). A revista Tome considerou-o "Um dos 100 melhores livros de sempre". Leia aqui a Bula Literária desta obra.
9. Escreveu extensivamente sobre a sua sexualidade. No romance O Quarto de Giovanni, inovador para a época, retrata uma relação entre dois homens. Ao publicá-la em 1956, Baldwin quebrou mais do que um tabu: era um escritor negro a escrever sobre o amor entre dois homens brancos. O seu editor aconselhou-o a queimar o manuscrito, mas volvido este tempo O quarto de Giovanni é uma das obras mais célebres de Baldwin. Defendeu os direitos LGBTQ+ e escreveu ensaios e artigos sobre a sua experiência, numa época em que a homossexualidade ainda era amplamente estigmatizada e criminalizada em muitas partes do mundo.
10. Em 2017, trinta anos após a sua morte, James Baldwin voltou ao palco graças a um documentário baseado na sua obra: I am not your negro.
“Nem tudo o que enfrentamos pode ser mudado. Mas nada pode ser mudado enquanto não for enfrentado.”
— James Baldwin