Está (ou vai ficar) tudo bem | Sobre a ditadura da felicidade e do pensamento positivo

Por: Beatriz Sertório a 2021-02-11 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Byung-Chul Han

Byung-Chul Han

Byung-Chul Han, nasceu na Coreia, estudou filosofia na Universidade de Freiburg e Literatura Alemã e Teologia na Universidade de Munique. Em 1994, fez o doutoramento na primeira destas universidades com uma tese sobre Martin Heidegger. Atualmente é Professor de Filosofia e Estudos Culturais na Universidade de Berlim.

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Edgar Cabanas

Edgar Cabanas

Edgar Cabanas, nascido em Madrid em 1985, é doutorado em Psicologia pela Universidade Autónoma de Madrid. Especialista em psicologia básica, psicologia social e das emoções, e história da psicologia, é professor na Universidade Camilo José Cela, em Madrid, e investigador associado no Max Planck Institute for Human Development, em Berlim. É também investigador em numerosos projetos internacionais e coorganizador da rede académica internacional «Popular Psychology, Self-Help Culture and the Happiness Industry».

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Constata Edgar Cabanas no livro A Ditadura da Felicidade (Temas e Debates) que “até ao virar do século, a Amazon apresentava uma lista de não mais do que 300 livros com a palavra ‘felicidade’ no título”, sendo que “hoje, essa lista inclui mais de dois mil”. Com o desenvolvimento da psicologia positiva, que passa a encarar a felicidade como uma escolha em vez de algo que é determinado pelas nossas circunstâncias, criou-se a noção de que somos nós os únicos responsáveis pelo nosso sucesso, bem-estar e felicidade. Paradoxalmente, a par desta evolução, aumenta a procura pelos livros de autoajuda e multiplicam-se os life coaches que prometem ter a receita infalível para a felicidade plena.



Na opinião de Cabanas, doutorado em Psicologia pela Universidade Autónoma de Madrid, esta nova ciência da felicidade “não só nos obriga a sermos felizes, como ainda nos culpa se não tivermos uma vida mais bem-sucedida e satisfatória.” Deste modo, “quem não instrumentaliza a adversidade como uma forma de crescimento pessoal é suspeito de querer e merecer o seu infortúnio.” Estas noções resultam numa sociedade na qual a dor e o sofrimento são vistos como fraqueza de espírito, e perturbações psicológicas como a ansiedade e a depressão são, frequentemente, desvalorizadas.


Para o filósofo Byung-Chul Han, “vivemos numa sociedade de positividade que procura libertar-se de qualquer forma de negatividade”, algo que tem vindo a ser intensificado pela utilização crescente das redes sociais, onde todos tentam exibir a melhor versão de si mesmos. No livro A Sociedade Paliativa (Relógio D'Água), vai mais longe ao dizer que vivemos dominados pela algofobia, termo que define como um medo generalizado da dor. E, em vez de questionarmos se esta eliminação total do sofrimento nas nossas vidas é possível, ou até desejável, adormecemos, ignoramos e mascaramos a nossa dor sob a ilusão de perfeição que exibimos online. Escreve Han que “O Like é o sinal, o analgésico do presente”.


Numa altura em que fomos forçados a ficar isolados nas nossas casas, enquanto assistíamos diariamente àquilo que parecia ser o final do mundo como o conhecemos, fomos rapidamente instruídos a não ceder ao desespero. Multiplicaram-se os hinos de esperança e os cartazes à janela que prometiam, entre arco-íris, que “Vai ficar tudo bem”. Surgiram inúmeros artigos que recordavam que William Shakespeare escreveu uma das suas mais importantes peças, Hamlet, enquanto estava confinado por causa da peste, e que Isaac Newton descobriu a gravidade enquanto também se encontrava de quarentena. Nesta pressão para encarar a quarentena como uma oportunidade para sermos mais produtivos do que nunca, fruto de uma sociedade que, cada vez mais, parece medir o valor de cada indivíduo pela sua produtividade, esquecemo-nos de reconhecer o impacto emocional que esta transformação teve em todos nós.

 

Manter a esperança e o otimismo é essencial, mas reconhecer e enfrentar, em primeiro lugar, a dor pela qual estamos a passar é tão ou mais importante. Para além disso, o maior perigo de uma sociedade avessa ao sofrimento é a eliminação da possibilidade de catarse. A promessa do oásis de felicidade permanente, da psicologia positiva, não é mais do que a ilusão de uma vida confortável mas vazia. Relembramos, a esse propósito, as palavras de Aldous Huxley na sua obra Admirável Mundo Novo, sobre uma sociedade anestesiada e medicada para estar permanente feliz: “Eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o perigo autêntico, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado.”

 

 

Se sente sintomas de ansiedade, depressão ou outra perturbação do foro psicológico, deve procurar ajuda de um profissional de saúde ou contactar uma linha de apoio:

 

Associação SOS Voz Amiga
213 544 545, 912 802 669 ou 963 524 660
Todos os dias, das 16h00 às 24h00


Telefone da Amizade
228 323 535
Todos os dias, das 16h00 às 23h00


SOS Estudante
969 554 545 ou 808 200 204
Todos os dias, das 20h00 à 01h00


Escutar - Voz de Apoio – Gaia
225 506 070
Todos os dias, das 21h00 à 01h00


Vozes Amigas de Esperança
222 030 707
Todos os dias, das 16h00 às 22h00

 

Outros recursos:

Guia de Recursos sobre Saúde Mental e Apoio Psicossocial (SMAPS) durante a COVID-19 (INEM e IASC)

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