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“Cada livraria condensa o mundo. Não é uma rota aérea, mas um corredor de estantes o que une o teu país e as suas línguas com regiões extensas nas quais se falam outros idiomas. Não é uma fronteira internacional, mas uma passagem – uma simples passagem.” - Jorge Carrión
A violência do colonialismo não se traduz apenas em tiros e explosões; muitas vezes, a guerra maior é aquela que decorre no interior das suas vítimas. A obliteração de uma cultura e imposição de outra, a imposição de uma nova língua, crenças e costumes, e a gradual perda de identidade, são as armas desta guerra silenciosa, que Abulrazak Gurnah descreve detalhadamente nos seus livros.
Segundo o politólogo norte-americano Michael Barkun, há três assunções a partir das quais se constituem as teorias da conspiração: nada acontece por acaso; nada é o que parece e está tudo interligado. Voltámo-nos para Michael Butter, professor de Estudos Americanos na Universidade de Tübingen, e para o seu livro A Natureza das Teorias da Conspiração (Desassossego) de modo a iluminar alguns pontos que ajudam a compreender este fenómeno.
A caminhar para os seus 80 anos, refletiu Vergílio Ferreira num ensaio intitulado Pensar:"Uma vida inteira — que amontoado de coisas. Mas quantas coisas nela são coisas de serem? Tão poucas. Porque só o são, se elas nos surpreenderem e a pancada que nos dão ficar a doer."Tendo vivido até aos 100 anos, Violeta, a protagonista do mais recente romance da chilena Isabel Allende, carregou muitas dores ao longo da sua vida. Nasceu durante a pandemia da Gripe Espanhola, atravessou a crise da Grande Depressão, testemunhou (ainda que à distância) as atrocidades da Segunda Guerra Mundial e ainda viveu o suficiente para ver o mundo mergulhado numa nova pandemia. Entre os grandes momentos da História, estão aqueles que não aparecem nos manuais, mas que, apesar disso, são o próprio “amontoado de coisas” de que a vida é feita.
Lisboa, maio de 1971. Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa escrevem Novas Cartas Portuguesas. Abordam temas proibidos e censurados durante o Estado Novo, como a guerra colonial, o adultério, a violação, o aborto e a subordinação da mulher. A obra é publicada em abril de 1972, pela Estúdios Cor, sob a direção literária de Natália Correia. Três dias depois, é proibido pelo regime, que o considerou “pornográfico e contrário à moral e aos bons costumes”, sendo grande parte dessa primeira edição recolhida e destruída. A obra rapidamente se torna num manifesto contra todas as formas de opressão e um símbolo da luta pela liberdade, igualdade e direitos da mulher. Partindo da história de Soror Mariana, as autoras abordam a clausura da mulher portuguesa no seu quotidiano, seja num convento ou na sociedade patriarcal do Estado Novo.
Ganham a vida a ler em voz alta, jornais, poesia, horóscopos, receitas de cozinha e romances, nas fábricas de charutos de Cuba. A figura do lector de tabaquería nasceu em 1865, quando existiam cerca de 500 fábricas de charutos, em Cuba, com 15 mil operários (85% dos quais analfabetos), de acordo com o jornalista Bernardo Gutiérrez (Revista Qué Leer, 2005). Esta função reveste-se de tal importância que foi já distinguida pela Comissão Nacional para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial de Cuba. É a estes leitores profissionais que é atribuído um papel fundamental na evolução da consciência política e social dos trabalhadores do tabaco, na melhoria da qualidade dos charutos produzidos e uma estreita ligação com o movimento independentista e o movimento revolucionário.
Nasceu em 1943, em Pisa, foi professor de Língua e Literatura Portuguesa na Universidade de Génova e diretor do Instituto Italiano di Cultura em Lisboa. Paralelamente à sua atividade de pesquisa e crítica literária, criou uma notável obra como ficcionista. "Portugal foi, realmente, a sua segunda pátria, viveu-o por dentro”, afirmou Maria José de Lencastre, mulher de António Tabucchi. No dia em que se assinalam dez anos sobre a data da sua morte (25 de março de 2012), partilhamos oito curiosidades sobre o autor
Não é difícil estabelecer paralelismos entre o mundo em 1922 e aquele em que vivemos hoje, precisamente um século depois. Na primeira metade do século XX, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Gripe Espanhola (1918-1920), colheram, em conjunto, mais de 70 milhões de vidas, um pouco por todo o mundo. Por sua vez, a primeira metade do século XXI conheceu uma nova pandemia, e confronta-se agora com a possível iminência de um novo conflito mundial, com a invasão militar da Ucrânia pela Rússia.
Elmano Sadino (heterónimo que o poeta adotou como homenagem a Setúbal, cidade onde nasceu) ficou conhecido pelos poemas eróticos, escritos numa linguagem, tantas vezes, considerada obscena, e acabou personagem de anedotas, fruto das suas aventuras. Manuel Maria Barbosa du Bocage era um espírito livre, progressista, inconformista e autodidata, que recusou favores palacianos e chegou a vender os poemas na rua. Nunca abandou o intento de criticar a sociedade da época, em mutação entre um Antigo Regime aniquilador das liberdades do indivíduo e os primeiros ventos chegados da Revolução Francesa (1789). Escreveu até ao fim dos curtos 40 anos de vida. Poemas de amor, fábulas, peças de teatro.
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