Nasceu em 1943, em Pisa, foi professor de Língua e Literatura Portuguesa na Universidade de Génova e diretor do Instituto Italiano di Cultura em Lisboa. Paralelamente à sua atividade de pesquisa e crítica literária, criou uma notável obra como ficcionista. "Portugal foi, realmente, a sua segunda pátria, viveu-o por dentro”, afirmou Maria José de Lencastre, mulher de António Tabucchi. No dia em que se assinalam dez anos sobre a data da sua morte (25 de março de 2012), partilhamos oito curiosidades sobre o autor.
1. A paixão pelos livros nasceu aos 14 anos, quando partiu a rótula, na sequência de um acidente de automóvel, acabando por ter de ficar imóvel durante vários meses. Um tio possibilitou-lhe o encontro com as obras de Stevenson, Conrad, Kipling e Henry James.
2. Durante os seus anos de estudante universitário escreveu pequenos contos, que acabariam por ser publicados em 1968, na revista Ii Cafe, dirigida por Italo Calvino.
3. O seu primeiro livro, Piazza d’Italia, nasceu de uma história que começou a escrever por “mero acaso”, durante o Verão de 1973. Um amigo editor viu o original em cima da mesa e levou-o. Acabaria por ser publicado dois anos depois, tinha o autor 32 anos.
4. No decorrer da sua vida literária, escreveu um único poema, “A bicicleta de D. Quixote”, a pedido de Alexandre O’Neil que, em 1975, dirigia a revista Critério. Foi o primeiro texto que escreveu em português.
5. O livro Afirma Pereira (1994), considerado pelo La Vanguardia “Uma verdadeira obra-prima” e distinguido internacionalmente com vários prémios, inspirou um filme com o mesmo nome, realizado por Roberto Faenza, filmado em Portugal. Três outras obras acabaram também por ganhar vida no cinema Nocturno Indiano, pela mão de Alain Comeau; O Fio do Horizonte, por Fernando Lopes e Requiem, por Alain Tanner.
“[Requiem]é uma homenagem a um país que eu adoptei e que também me adoptou, a uma gente que gostou de mim e de quem eu também gostei”.
Antonio Tabucchi
6. Em Paris, num alfarrabista, teve “um encontro para a vida inteira”, quando descobriu o poema Tabacaria, de Fernando Pessoa, o que lhe despertou a vontade de conhecer a língua portuguesa e o país. Acabaria por escrever diversos ensaios sobre o poeta: Un Baule Pieno di Gente, La No St a l g i e, L’Automobile et L’Infini, entre outros. Os ecos de Pessoa acabam por se fazer sentir também na ficção de Tabucchi, nomeadamente em Requiem e em Os Últimos Três Dias de Fernando Pessoa.
"Se há uma pessoa no mundo que escreveu um poema assim, eu quero aprender essa língua."
Antonio Tabucchi (sobre "Tabacaria", de Fernando Pessoa)
7. Chegou a afirmar que, se pudesse, comeria todos os dias massas italianas ou açorda.
8. O documentário biográfico Se de Tudo Fica um Pouco/ Si di Tutto Resta un Poco (2018), de Diego Perucci, oferece uma viagem por pensamentos e pelos locais de eleição do escritor italiano.