Vozes essenciais para ler no Mês da História Negra

Por: Cláudia Oliveira a 2026-02-16

10%

Da Próxima Vez, o Fogo
17,85€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

10%

Beloved
18,90€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

A Cor Púrpura
19,85€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

A Outra Metade
20,95€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

As Mães
19,95€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

James
19,99€ 17,99€
PORTES GRÁTIS

10%

Não Serei Eu Mulher?
18,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

Teoria Feminista
18,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

Mulheres, Raça e Classe
18,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

Fevereiro é o Mês da História Negra, um mês dedicado a reconhecer, celebrar e aprofundar o conhecimento sobre as histórias, lutas e contribuições das pessoas e comunidades negras em todo o mundo.

Esta celebração remonta aos anos 1920 nos Estados Unidos, quando o historiador Carter G. Woodson instituiu a Semana da História dos Negros com o objetivo de integrar o legado de pessoas negras na narrativa histórica. Fevereiro foi escolhido por coincidir com os aniversários de Frederick Douglass, abolicionista e pensador essencial na luta contra a escravatura, e de Abraham Lincoln, presidente durante a Guerra Civil e o processo de abolição da escravatura.

Carter G. WoodsonFrederick DouglassAbraham Lincoln

Porquê celebrar este mês em Portugal?

A relação entre Portugal e África é profunda, complexa e indissociável da nossa história. Durante séculos, o colonialismo português marcou territórios e vidas, deixando um legado que não pode ser ignorado. Essa história colonial criou uma dívida de reconhecimento, reparação e memória.

Mas essa relação vai além da opressão: é também uma história de trocas culturais profundas que moldaram a nossa cultura de formas que muitas vezes nem reconhecemos. Da morna cabo-verdiana ao kizomba angolano, das palavras que enriquecem o nosso vocabulário aos sabores que temperam a nossa gastronomia: muitos dos elementos que consideramos "portugueses" têm raízes africanas. São costumes, saberes e práticas culturais que trouxemos de África e que, ao longo dos séculos, se entrelaçaram na nossa cultura.

Em Portugal, ao contrário de países como os Estados Unidos, o Reino Unido ou o Canadá, o Mês da História Negra não está oficialmente instituído, o que torna ainda mais importante criar espaços de visibilidade e reflexão sobre a presença africana e afrodescendente na nossa sociedade. É reconhecer o passado colonial e as suas consequências, honrar a dívida que temos para com África e, simultaneamente, celebrar a herança cultural africana que está enraizada em nós. 

Escritores negros que transformaram a literatura

Os escritores e escritoras negros revolucionaram a literatura, desafiaram cânones estabelecidos e deram forma a narrativas essenciais sobre a experiência humana. Desde os pioneiros que escreveram contra a escravatura e o colonialismo até às vozes contemporâneas que continuam a redefinir fronteiras literárias, estes autores construíram e constroem um património literário indispensável.

Na literatura de língua portuguesa, autores africanos têm sido fundamentais na renovação da própria língua. Mais recentemente, escritores afrodescendentes em Portugal têm vindo a conquistar espaço, trazendo perspetivas essenciais sobre identidade, diáspora e pertença. Estas vozes são centrais para compreender o mundo em que vivemos.

Vozes afro-americanas essenciais

A literatura africana de língua portuguesa tem sido decisiva para ampliar o alcance, a diversidade e a vitalidade do português. Autores como Pepetela trouxeram para a língua a história e a memória de Angola, fazendo do romance um espaço de reflexão política e pós-colonial. Ondjaki, com a sua escrita marcada pela musicalidade e pela oralidade infantil, renovou o português literário ao captar o quotidiano e a sensibilidade de Luanda com humor e ternura.

Esse mesmo impulso transformador atravessa a obra de José Eduardo Agualusa, que expandiu os limites narrativos da língua ao cruzar história, identidade e imaginação, e de Mia Couto, cuja escrita reinventou o português através de neologismos e ritmos próprios, transformando-o num instrumento poético profundamente enraizado na realidade moçambicana.

A importância destas vozes estende-se também à afirmação de novas perspetivas. Paulina Chiziane abriu caminho ao colocar no centro da literatura em português as experiências femininas em Moçambique, enquanto Conceição Lima, a partir de São Tomé e Príncipe, consolidou uma poesia marcada pela memória, pela identidade e pela herança histórica da lusofonia.

Num contexto mais contemporâneo, Djaimilia Pereira de Almeida, Kalaf Epalanga e Dino D'Santiago contribuem para a renovação da língua portuguesa e cruzam literatura, oralidade e música, explorando temas como identidade, diáspora e experiência afro-portuguesa, afirmando o português como um território vivo, plural e em constante transformação.

Outras vozes essenciais

A literatura contemporânea de autores negros tem sido igualmente fundamental para alargar as narrativas literárias e históricas. Escritoras e escritores como Chimamanda Ngozi Adichie, Ta-Nehisi Coates, Colson Whitehead, Bernardine Evaristo e Yaa Gyasi têm contribuído para uma compreensão mais profunda das experiências negras, cruzando história, vivência pessoal e crítica social.

Como celebrar o Mês da História Negra

Celebrar o Mês da História Negra vai muito além da leitura individual. É um convite à escuta, à partilha e ao envolvimento com narrativas que ajudaram a moldar a nossa história comum. Esse compromisso pode assumir várias formas:

  • Participar em eventos, encontros de leitura e debates dedicados a temas negros e afrodescendentes.
  • Promover fóruns de reflexão em escolas, bibliotecas e espaços culturais.
  • Partilhar nas redes sociais obras, autores e recomendações que ampliem vozes negras.
  • Apoiar autores e autoras negras, valorizando o seu trabalho através da compra das suas obras.
  • Explorar a música, o cinema, as artes visuais e outras expressões culturais negras.

Neste mês de fevereiro, convidamo-lo a descobrir ou redescobrir estas vozes. Celebrar o Mês da História Negra é também uma oportunidade para (re)conhecer a riqueza e a complexidade de uma história partilhada, construída a partir de múltiplas vozes e experiências.

X
O QUE É O CHECKOUT EXPRESSO?

O ‘Checkout Expresso’ utiliza os seus dados habituais (morada e/ou forma de envio, meio de pagamento e dados de faturação) para que a sua compra seja muito mais rápida. Assim, não tem de os indicar de cada vez que fizer uma compra. Em qualquer altura, pode atualizar estes dados na sua ‘Área de Cliente’.

Para que lhe sobre mais tempo para as suas leituras.