No dia 18 de julho de 1918 nascia, na aldeia de Mvezo, na África do Sul, aquele que se tornaria um dos maiores símbolos da resistência e reconciliação do século XX. Advogado, ativista, preso político (durante 27 anos) e, mais tarde, o primeiro Presidente negro do seu país, Nelson Mandela dedicou a vida ao combate ao apartheid (o regime de segregação racial que dividiu a África do Sul) durante décadas.
É por esse motivo que, desde 2009, a ONU assinala todos os anos, nesta data, o Dia Internacional Nelson Mandela, convidando o mundo a dedicar 67 minutos do seu dia com pequenos gestos de serviço à comunidade e causas sociais, em homenagem ao seu legado. Este número simbólico representa os 67 anos que Mandela dedicou à luta pela humanidade e pela liberdade. Grande parte deste percurso está narrada pelo próprio Madiba (como era carinhosamente conhecido pelo seu nome de clã Xhosa) em Um Longo Caminho para a Liberdade, a autobiografia que viria a tornar-se uma das leituras de referência sobre a luta contra o apartheid.
Mandela deixou-nos há mais de uma década, mas a sua figura continua a ser invocada em contextos muito diferentes: debates sobre justiça racial, processos de reconciliação pós-conflito, direitos humanos e liderança política. O seu percurso, de priosioneiro considerado terrorista por alguns governos ocidentais a estadista respeitado internacionalmente, é frequentemente citado como exemplo de transição pacífica entre regimes opostos, e a sua decisão de cumprir apenas um mandato presidencial continua a ser referida em discussões sobre alternação de poder e quais os limites ao exercício do cargo.
1. O seu nome de nascimento não era Nelson.
Nelson Mandela nasceu com o nome Rolihlahla Mandela, a 18 de julho de 1918, na aldeia de Mvezo, na África do Sul. O nome "Nelson" foi-lhe atribuído por uma professora no primeiro dia de escola, uma prática comum nas escolas coloniais britânicas da época.
2. "Rolihlahla" significa "aquele que puxa o ramo de uma árvore".
Embora a tradução literal pareça curiosa, o nome tem um significado associado, no sentido coloquial, a alguém que causa problemas ou desafia a ordem estabelecida. Ao longo da vida, Mandela tornou-se precisamente uma figura que questionou e, mais tarde, transformou uma sociedade marcada pela desigualdade.
3. Foi um dos primeiros advogados negros da África do Sul.
Mandela estudou na Universidade de Fort Hare, de onde foi expulso por participar em protestos estudantis, e mais tarde frequentou a Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, onde estudou Direito. Juntamente com Oliver Tambo, abriu o primeiro escritório de advogados negros do país, oferecendo apoio jurídico a pessoas vítimas das leis racistas do apartheid.
4. Passou 27 anos preso, mas continuou a estudar.
Durante os anos de prisão, grande parte deles passados em Robben Island, Madiba continuou a aprender e incentivou outros presos políticos a fazerem o mesmo. A educação tornou-se uma das suas maiores formas de resistência e esperança. Entre os livros que circulavam clandestinamente na prisão estava um volume das obras completas de Shakespeare, disfarçado de livro religioso e partilhado entre os presos políticos, que ficou conhecido informalmente como a "Bíblia de Robben Island". Mandela também nutria grande admiração por Guerra e Paz, de Tolstói, e pelos escritos de Gandhi sobre resistência não-violenta.
5. Tinha um grande interesse por boxe.
Apesar de nunca ter competido profissionalmente, Mandela praticou boxe durante a juventude. Para ele, a prática ensinava disciplina, controlo emocional e estratégia, características que também aplicava na sua luta política.
6. Foi considerado terrorista por vários governos, durante décadas.
O percurso de Mandela foi marcado por fortes repressões políticas. Durante muitos anos, o seu nome esteve associado a listas de organizações consideradas terroristas por alguns países (incluindo os Estados Unidos) antes de ser reconhecido internacionalmente como símbolo universal da luta pelos direitos humanos.
7. Tornou-se símbolo de uma nação renascida.
Em 1994, quando a África do Sul viveu as primeiras eleições democráticas e multirraciais da sua história, Nelson Mandela foi eleito o primeiro Presidente negro do país. Depois de quase três décadas de apartheid, o seu mandato não se resumiu a governar: foi um exercício constante de reconciliação, unindo um país profundamente dividido em torno de uma ideia comum de futuro.
8. Recebeu o Prémio Nobel da Paz juntamente com um antigo adversário político.
Em 1993, Nelson Mandela recebeu o Prémio Nobel da Paz, ao lado de Frederik Willem de Klerk, o último Presidente sul-africano do regime do apartheid. A distinção reconheceu o trabalho de ambos na transição pacífica para a democracia.
9. Tinha 78 anos quando deixou a Presidência.
Mandela decidiu cumprir apenas um mandato presidencial, apesar da sua enorme popularidade. Esta decisão foi vista como um exemplo de liderança democrática e de respeito pela alternação de poder, o que ainda hoje inspira muitos elogios.
10. Foi um apoiante inabalável da causa palestiniana.
Já como Presidente, em 1997, Mandela afirmou:
"A nossa liberdade está incompleta sem a liberdade dos palestinianos."
Esta frase tornar-se-ia uma das mais citadas sobre a sua visão de política externa. Para Madiba, a luta palestiniana e a luta contra o apartheid sul-africano não eram comparáveis por acaso: eram, a seu ver, expressões da mesma causa - a da dignidade e da autodeterminação de um povo oprimido. Essa convicção não ficou apenas no discurso: décadas mais tarde, em 2024, a África do Sul levou Israel ao Tribunal Internacional de Justiça, acusando-o de crimes de guerra em Gaza, um gesto que muitos analistas ligam diretamente ao legado ideológico deixado por Mandela.