Obra de Agustina Bessa-Luís homenageada com Prémio Livro do Ano Bertrand

Por: Bertrand Livreiros a 2020-07-27 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Agustina Bessa-Luís

Agustina Bessa-Luís

Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, Amarante, a 15 de outubro de 1922. A sua infância e adolescência são passadas nesta região, cuja ambiência marcará fortemente a obra da escritora. Estreou-se como romancista em 1948, com a novela Mundo Fechado, tendo desde então mantido um ritmo de publicação pouco usual nas letras portuguesas, contando com mais de meia centena de obras.
Representou as letras portuguesas em numerosos colóquios e encontros internacionais e realizou conferências em universidades um pouco por todo o mundo.
Foi membro do conselho diretivo da Comunitá Europea degli Scrittori (Roma, 1961-1962).
Entre 1986 e 1987 foi diretora do diário O Primeiro de Janeiro (Porto). Entre 1990 e 1993 assumiu a direção do Teatro Nacional de D. Maria II (Lisboa) e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social.
Foi membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres (Paris), da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa, tendo sido distinguida com a Ordem de Sant'Iago da Espada (1980), a Medalha de Honra da Cidade do Porto (1988) e o grau de "Officier de l'Ordre des Arts et des Lettres", atribuído pelo governo francês (1989).
É em 1954, com o romance A Sibila, que Agustina Bessa-Luís se impõe como uma das vozes mais importantes da ficção portuguesa contemporânea. Conjugando influências pós-simbolistas de autores como Raul Brandão na construção de uma linguagem narrativa onde o intuitivo, o simbólico e uma certa sabedoria telúrica e ancestral, transmitida numa escrita de características aforísticas, se conjugam com referências de autores franceses como Proust e Bergson, nomeadamente no que diz respeito à estruturação espácio-temporal da obra, Agustina é senhora de um estilo absolutamente único, paradoxal e enigmático.
Vários dos seus romances foram já adaptados ao cinema pelo realizador Manoel de Oliveira, de quem foi amiga e com quem trabalhou de perto. Estão neste caso Fanny Owen ("Francisca"), Vale Abraão e As Terras do Risco ("O Convento"), para além de "Party", cujos diálogos foram igualmente escritos pela escritora. É também autora de peças de teatro e guiões para televisão, tendo o seu romance As Fúrias sido adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria (Teatro Nacional D. Maria II, 1995).
Em Maio de 2002 Agustina Bessa-Luís é pela segunda vez contemplada com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), relativo a 2001, com a obra "O Princípio da Incerteza - Jóia de Família", obra que Manoel de Oliveira adaptou ao cinema com o título "O Princípio da Incerteza", e que foi exibido dias antes da atribuição deste prémio, no Festival de Cannes.
Agustina Bessa-Luís foi distinguida com os prémios Vergílio Ferreira 2004, atribuído pela Universidade de Évora, pela sua carreira como ficcionista, e o Prémio Camões 2004, o mais alto galardão das letras em português.
Morreu dia 3 de junho de 2019, com 96 anos.

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Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco

Nasceu em 1825, em Lisboa, e faleceu em 1890, em S. Miguel de Seide (Famalicão). Com uma breve passagem pelo curso de Medicina, estreia-se nas letras em 1845 e em 1851 publica o seu primeiro romance, Anátema. Em 1860, na sequência de um processo de adultério desencadeado pelo marido de Ana Plácido, com quem mantinha um relacionamento amoroso desde 1856, Camilo e Ana Plácido são presos, acabando absolvidos no ano seguinte por D. Pedro V. Entre 1862 e 1863, Camilo publica onze novelas e romances, atingindo uma notoriedade dificilmente igualável. Tornou-se o primeiro escritor profissional em Portugal, dotado de uma capacidade prodigiosa para efabular a partir da observação da sociedade, com inclinação para a intriga e análise passionais. Considerado o expoente do romantismo em Portugal, autor de obras centrais na história da literatura nacional, como Amor de Perdição, A Queda dum Anjo e Eusébio Macário, Camilo Castelo Branco, cego e impossibilitado de escrever, suicidou-se com um tiro de revólver a 1 de Junho de 1890.

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Olga Tokarczuk

Olga Tokarczuk

Prémio Nobel da Literatura 2018

Olga Tokarczuk nasceu em Sulechów, uma pequena cidade polaca, em 1962. Formada em Psicologia, publicou o seu primeiro livro em 1989, uma coletânea de poesia intitulada Miasta w lustraché, seguindo-se os romances E. E. e Prawiek i inne czasy, tendo sido este último um sucesso.
A partir daí, a sua prosa afastou-se da narrativa mais convencional, aproximando-se da prosa breve e do ensaio. Uma das melhores e mais apreciadas autoras de hoje, a obra de Olga Tokarczuk tem sido alvo de várias distinções, nacionais e internacionais. Recebeu por duas vezes o mais importante prémio literário do seu país, o Prémio Nike; em 2018, foi finalista do Prémio Fémina Estrangeiro e vencedora do Prémio Internacional Man Booker. Os seus livros estão traduzidos em trinta línguas.
Em 2019, foi distinguida pela Academia Sueca com o Prémio Nobel de Literatura pela sua «imaginação narrativa, que com uma paixão enciclopédica representa o cruzamento de fronteiras como forma de vida».

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A obra em causa é a reedição de As Pessoas Felizes, publicada pela editora Relógio d'Água em abril de 2019.


 

Escrito no ano da Revolução de abril, o romance As Pessoas felizes, de Agustina Bessa-Luís, era já um prenúncio da mudança que Portugal iria atravessar nos anos que se seguiram. Sobre este, escreveu o cronista e político António Barreto no prefácio: 

 

"A protagonista deste romance, Nel, é uma mulher que não é feliz do mesmo modo que os outros, homens e mulheres, mas que quer ser feliz, para o que terá de deixar de ser aquilo a que estava destinada. Há qualquer coisa de premonitório neste romance. Pelos costumes das pessoas, pelos sentimentos, pelas relações entre parentes e familiares, percebe-se que já muita coisa mudou ou está em mudança antes mesmo de a revolução acontecer. A revolução, aliás, é o coroar de um processo de mudança, mais do que o seu começo. Em algo de essencial, de fundamental, isto é, nos sentimentos, as coisas já eram diferentes antes de 1974."

 

Para Francisco Vale, diretor editorial da Relógio d'Água, este é "um livro capaz de fazer a felicidade dos leitores", tendo afirmado sobre o mesmo:

 

"As Pessoas Felizes teve a sua primeira publicação em 1975.

Falava de pessoas, de famílias do Porto, que antes da revolução de Abril de 1974 eram felizes sem disso terem consciência (a felicidade é quase sempre um estado retrospectivo).

Faziam parte de uma burguesia antiga, muitas vezes orgulhosa, discreta na sua riqueza e reservada em relação aos poderes sediados em Lisboa. Eram pessoas que caminhavam sem saber para um declínio relativo, tanto nos seus negócios como na sua vida quotidiana. Os mais atentos sabiam que as mudanças estavam a caminho, mas ninguém é capaz de se preparar para deixar de ser feliz.

Como em tantos outros romances de Agustina, abundam as personagens e as memórias, os sentimentos, as ambições que formam uma trama de múltiplos enredos.

O romance começou a ser escrito antes do 25 de Abril de 1974 e imediatamente a seguir à revolução." — Francisco Vale (diretor editorial).

 

Agustina Bessa Luís/ Fotografia: Ricardo Meireles.

 

Já o segundo lugar coube a Histórias do meu tempo, uma antologia de textos de Camilo Castelo Branco que o autor escreveu e publicou desde o início dos anos 50 a finais dos anos 80 do século XIX, publicada pela editora Temas e Debates. Sobre o Prémio, pronunciou-se José Viale Moutinho, jornalista e escritor que organizou a antologia:

 

"Fico muito satisfeito por mais este prémio conferido a uma obra camiliana. Já há alguns anos tive distinguido o meu livro Camilo Castelo Branco: Memórias fotobiográficas com um dos galardões do Grémio Literário. Na verdade, que eu saiba, são estes os primeiros prémios que Camilo alcança em morte e em vida. Eu apenas organizei a antologia, contando com o extraordinário apoio da Guilhermina Gomes, uma das grande editoras deste país, capitaneando a equipa do Círculo de Leitores. A memória de Camilo também lhe é bastante devedora. Esta antologia tem um titulo sem livro do próprio escritor, que eu me atrevi a encorpar tantos anos depois dele ser apontado. E chamo ainda a atenção para os 4 vols. da Camiliana, onde reuni do melhor que Camilo escreveu, também edição do Círculo. Está de parabéns a memória do autor de Histórias do meu tempo, Camilo Castelo Branco. Sabe, ando a escrever-lhe a biografia. Vem a propósito citá-lo na defesa deste idioma cada vez mais violentado: 'Morra o homem de paixão, sendo necessário, mas salve-se a língua dos Lucenas, dos Sousas e dos Bernardes.'" — José Viale Moutinho

 

Por sua vez, a diretora editorial da Temas e Debates, Guilhermina Gomes, manifestou a alegria com que a notícia da atribuição do segundo lugar a Histórias do meu tempo foi recebida pela editora:

 

"Foi com grande prazer e alegria que na editora Temas e Debates tomámos conhecimento do prémio atribuído pelos leitores e livreiros das Livrarias Bertrand, a Histórias do meu tempo.

É o reconhecimento público do trabalho de organização e prefácio de José Viale Moutinho sobre a obra de Camilo Castelo Branco.

Esta edição, uma antologia, celebra um dos mais fecundos escritores da nossa Literatura."  Guilhermina Gomes (diretora editorial)

 

Em terceiro e último lugar desta categoria ficou a reedição de O papagaio de Flaubert, da autoria de Julian Barnes, publicada pela editora Quetzal.

 

Recorde os restantes vencedores do Prémio Livro do Ano Bertrand 2019

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