O ano passado, na edição de Natal da revista Somos Livros, apresentávamos aos nossos leitores o romance mais recente de Isabel Allende como "um livro feito de cicatrizes [qu]e carrega o simbolismo da realidade de quem viveu, em primeira mão, as guerras e revoluções". Depois de os nossos leitores terem premiado Heather Morris por O Tatuador de Auschwitz, na edição anterior do prémio Livro do Ano Bertrand, o prémio dedicado ao melhor livro de ficção de autores estrangeiros é agora atribuído à autora chilena, pelo livro Longa Pétala de Mar.
Passado em Espanha, no final da década de 1930, Longa pétala de Mar conta a história de Roser Bruguera, uma jovem viúva, e Víctor Dalmau, médico e irmão do falecido marido de Roser, que são obrigados a abandonar o país após o final da Guerra Civil. Após uma viagem perigosa pelos Pirinéus, conseguem, finalmente, embarcar no Winnipeg, um navio fretado pelo poeta Pablo Neruda que transportou mais de 2 mil espanhóis até ao Chile - essa longa pétala de mar, de vinho e de neve, como o poeta se referia ao país -, onde são recebidos como heróis. Víctor e Roser integram-se com sucesso na vida social do país de acolhimento, durante várias décadas, até ao golpe de Estado que derruba Salvador Allende, parceiro de xadrez de Víctor Dalmau, forçando ambos novamente ao exílio.
Para Vítor Gonçalves, da Porto Editora, este é um dos melhores romances de Isabel Allende, tendo manifestado orgulho por este ter merecido o reconhecimento dos leitores e livreiros Bertrand:
“Longa pétala de mar é um dos melhores romances de Isabel Allende, que, curiosamente, revisita nesta sua obra mais recente o período histórico do seu livro de estreia, A casa dos espíritos. A autora consegue, como poucos, conciliar o melhor de dois mundos, trazendo-nos um livro pleno de referências históricas relevantes, superiormente mescladas com a habitual beleza da sua escrita, a que não poderia faltar uma arrebatadora história de amor.
Este é um livro que fica com os leitores muito para lá da última página, e o Prémio Livro do Ano Bertrand, de que muito nos orgulhamos, é uma excelente prova disso." — Vítor Gonçalves (editor)
Comunicado escrito por Isabel Allende aos seus leitores portugueses, a propóstio do lançamento de Longa pétala de mar.
Para além de Allende, o pódio da categoria de ficção de autores estrangeiros do Prémio Livro do Ano Bertrand 2019 foi ocupado por mais duas mulheres. O segundo lugar foi atribuído a Conduz o Teu Arado sobre os Ossos dos Mortos, um dos melhores livros de 2019 segundo a revista Time, da autoria da Nobel da Literatura polaca, Olga Tokarczuk. Sobre este, pronunciou-se Diogo Madre Deus da editora Cavalo de Ferro, declarando:
"Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos dos Mortos é, desde o título à sua última página, um romance único e desconcertante, capaz de alterar as ideias e a percepção do leitor perante o mundo vivo que o rodeia." — Diogo Madre Deus (editor)
A este seguiu-se o romance de estreia de Delia Owens, Lá Onde o Vento Chora, que ocupa o terceiro lugar depois de se ter tornado um bestseller internacional. A autora norte-americana mostrou-se agradavelmente surpreendida com o carinho dos leitores portugueses, para quem espera que a história que escreveu tenha sido uma inspiração:
"Saber que os portugueses tiveram a oportunidade de descobrir e ler o meu romance já é um enorme prazer; ter o privilégio de o ver selecionado como como um dos melhores livros do ano deixa-me imensamente orgulhosa. Que a história de Kya seja uma inspiração para todos.
Muito obrigado aos leitores portugueses." — Delia Owens
Por sua vez, Paula Ventura, da Porto Editora, agradeceu também o reconhecimento da estreia literária de Owens, afirmando que este é um romance que nunca vai esquecer:
"Lá, onde o vento chora é um daqueles romances que não se esquecem. Eu não esquecerei, certamente: lembro-me exatamente do que senti quando comecei a ler este original e de como, às primeiras linhas, me apaixonei por Kya, uma personagem tão poderosa que quase sentimos fisicamente a sua solidão, desespero e força interior. Não deixem de viver a experiência Lá, onde o vento chora, um romance que é também um drama e um thriller psicológico, onde muitas vezes a crueldade dos homens se opõe à poesia da natureza – que prevalece – ajudando Kya a sobreviver e a perceber o mundo que a rodeia.
Não podia recomendar mais. E agora chega a distinção maior: a dos leitores." — Paula Ventura (editora)
Recorde os restantes vencedores do Prémio Livro do Ano Bertrand 2019.