A 4.ª edição do primeiro prémio literário atribuído por leitores e livreiros, o Prémio Livro do Ano Bertrand, cumpriu, uma vez mais, a sua missão. Mais de 63 mil votos elegeram os melhores livros de 2019, em cada uma das seguintes categorias: Melhor livro de ficção lusófona; Melhor livro de ficção de autores estrangeiros; Melhor reedição de obras essenciais em prosa; e Melhor livro de Poesia.
Esta edição, que arrancou no final de fevereiro, acabou por sofrer alguns constrangimentos face ao contexto complexo provado pela pandemia, que levou, inclusive, ao encerramento temporário de todas as livrarias Bertrand. Apesar de inicialmente se ter anunciado que, nesta edição, pela primeira vez, seriam autonomizadas as votações de livreiros e leitores, a organização decidiu adiar essa modalidade de aferição dos vencedores para a 5.ª edição.
A partir de uma pré-seleção de 171 livros, publicados ou reeditados em 2019, que contou com a colaboração dos jornalistas Inês Fonseca Santos e Sérgio Almeida, livreiros e leitores foram convidados, por e-mail, a votar nos seus preferidos. Depois de aferidos os 10 finalistas em cada categoria, a 8 de junho, são agora conhecidos os vencedores, que terão ampla divulgação e um lugar de destaque nas livrarias Bertrand e na livraria online, ao longo de todo o ano de 2020.
MELHOR LIVRO DE FICÇÃO LUSÓFONA
Na categoria de ficção lusófona, o primeiro lugar volta a pertencer a José Rodrigues dos Santos que, na edição anterior do Prémio Livro do Ano Bertrand, tinha vencido com A Amante do Governador. Desta vez, o livro vencedor é Imortal, a nova aventura do herói Tomás Noronha sobre os limites da ciência e o destino da humanidade. O segundo lugar ficou reservado a Raparigas como Nós, o primeiro romance young-adult de Helena Magalhães, e o único livro dos três que não faz parte do género thriller. Por fim, o terceiro lugar coube a João Tordo que, pela primeira vez, se aventurou no género thriller com A noite em que o Verão acabou.
MELHOR LIVRO DE FICÇÃO DE AUTORES ESTRANGEIROS
A categoria de ficção estrangeira premiou três escritoras de nacionalidades diferentes. Em primeiro lugar, ficou a reputada escritora chilena, Isabel Allende, com Longa Pétala de Mar, um romance passado em Espanha na década de 1930, que junta personagens inesquecíveis numa viagem através da História do século XX. A este segue-se Conduz o Teu Arado sobre os Ossos dos Mortos no segundo lugar, um dos melhores livros de 2019 segundo a revista Time, da autoria da Nobel da Literatura polaca, Olga Tokarczuk. Por sua vez, o romance de estreia da norte-americana Delia Owens, Lá Onde o Vento Chora, ocupa o terceiro lugar depois de se ter tornado um bestseller internacional.
MELHOR REEDIÇÃO DE OBRAS ESSENCIAIS EM PROSA
Esta categoria juntou dois gigantes da literatura portuguesa, Agustina Bessa-Luís e Camilo Castelo Branco, ao multipremiado escritor inglês, Julian Barnes, nos lugares cimeiros. O primeiro lugar foi para a reedição de As Pessoas Felizes pela editora Relógio d'Água, a obra de Agustina originalmente publicada um ano após a Revolução dos Cravos, em 1975. Já o segundo lugar coube a Histórias do meu tempo, uma antologia de textos de Camilo Castelo Branco que o autor escreveu e publicou desde o início dos anos 50 a finais dos anos 80 do século XIX, organizada por José Viale Moutinho, e publicada pela editora Temas e Debates. Por fim, o terceiro lugar vai para a reedição de O papagaio de Flaubert, da autoria de Julian Barnes, pela editora Quetzal.
MELHOR LIVRO DE POESIA
Na categoria de poesia, voltamos a encontrar dois vencedores nacionais e um estrangeiro. Em primeiro lugar, ficou a controversa Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica de Natália Correia, cuja republicação após a sua apreensão pela PIDE foi um verdadeiro marco histórico na edição em Portugal. Já o segundo lugar coube ao livro póstumo do músico Leonard Cohen, A Chama, que reúne os seus últimos poemas. Ao livro Os Lugares do Lume, de um dos maiores poetas portugueses, Eugénio de Andrade, coube o terceiro lugar.