Leitores Bertrand homenageiam a poesia de Natália Correia

Por: Bertrand Livreiros a 2020-07-22 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Leonard Cohen

Leonard Cohen

Leonard Cohen foi um dos cantores, compositores e poetas mais respeitados e influentes do século XX, conhecido pelas suas letras profundamente introspectivas, pela sua voz grave e pelas suas explorações temáticas de amor, espiritualidade, política e a condição humana. Nascido a 21 de setembro de 1934, em Montreal, Canadá, Cohen começou a sua carreira como poeta e romancista antes de se tornar uma figura central na música folk e popular.

Cohen iniciou a sua carreira literária na década de 1950, publicando a sua primeira coleção de poemas, Let Us Compare Mythologies, em 1956. Continuou a escrever poesia e romances ao longo da década de 1960, estabelecendo-se como uma voz importante na literatura canadiana. As suas primeiras obras, como o romance The Favourite Game (1963) e a coleção de poemas Flowers for Hitler (1964), demonstraram a sua capacidade de explorar temas complexos com uma sensibilidade poética única.

Em meados dos anos 1960, Cohen mudou-se para os Estados Unidos e começou a concentrar-se na música, inspirado pelo movimento folk da época. O seu álbum de estreia, Songs of Leonard Cohen (1967), foi um sucesso imediato e é hoje considerado um clássico. O álbum incluiu canções icónicas como "Suzanne," "Sisters of Mercy," e "So Long, Marianne." As letras poéticas e a voz melancólica de Cohen rapidamente lhe garantiram um lugar entre os grandes compositores da sua geração.

Ao longo dos anos 1970, Cohen continuou a lançar álbuns aclamados pela crítica, como Songs from a Room (1969), que incluía a poderosa "Bird on the Wire," e Songs of Love and Hate (1971), que trouxe clássicos como "Famous Blue Raincoat" e "Avalanche." A música de Cohen desta época é marcada por uma crueza emocional e uma honestidade brutal, explorando temas de perda, amor e desespero.

Cohen também explorou temas espirituais e religiosos na sua música, refletindo frequentemente sobre a sua herança judaica e as suas próprias buscas espirituais. Em 1974, lançou New Skin for the Old Ceremony, que incluiu a canção "Chelsea Hotel #2," uma reflexão sobre o seu relacionamento com Janis Joplin. Nos anos seguintes, Cohen continuou a explorar novas direções musicais, incorporando elementos de pop e rock em álbuns como Recent Songs (1979).

Na década de 1980, Cohen alcançou um novo nível de popularidade com o lançamento de Various Positions (1984), que incluiu a icónica "Hallelujah." Embora inicialmente não tenha sido um grande sucesso comercial, "Hallelujah" tornou-se uma das canções mais conhecidas de Cohen, sendo amplamente interpretada por inúmeros artistas ao longo dos anos. A canção é um exemplo da capacidade de Cohen de combinar temas espirituais e terrenos numa composição profunda e emocionalmente ressonante.

Em 1988, Cohen lançou I'm Your Man, um álbum que marcou um novo capítulo na sua carreira. Com um som mais moderno e influências de sintetizadores, o álbum incluiu canções como "First We Take Manhattan" e "Everybody Knows," que se tornaram sucessos instantâneos. I'm Your Man foi amplamente aclamado e revitalizou a carreira de Cohen, introduzindo-o a uma nova geração de fãs.

Ao longo dos anos 1990 e 2000, Cohen continuou a criar música e a explorar novos temas, incluindo o envelhecimento e a mortalidade. Após um período de retiro num mosteiro budista na Califórnia, Cohen regressou à música com Ten New Songs (2001) e Dear Heather (2004), álbuns que mostraram uma sensibilidade mais madura e reflexiva.

Em 2008, Cohen, que enfrentava dificuldades financeiras devido à má gestão dos seus fundos, voltou a fazer digressões, surpreendendo o mundo com a intensidade e a paixão das suas performances ao vivo. A sua digressão mundial foi amplamente elogiada e resultou numa série de álbuns ao vivo que capturaram a profundidade emocional e a habilidade de Cohen como intérprete.

Mesmo nos seus últimos anos, Cohen continuou a criar música poderosa. Em 2012, lançou Old Ideas, seguido por Popular Problems (2014) e You Want It Darker (2016), este último lançado pouco antes da sua morte. You Want It Darker foi recebido com aclamação da crítica e é considerado um dos seus melhores trabalhos, refletindo sobre a mortalidade e o legado.

Leonard Cohen faleceu a 7 de novembro de 2016, deixando um legado duradouro na música e na literatura. A sua capacidade de explorar as profundezas da experiência humana através da música e das palavras fez dele uma figura única e venerada. As suas canções, cheias de melancolia, espiritualidade e beleza poética, continuam a ressoar com audiências de todas as idades, garantindo que o seu impacto perdure por muitos anos.

VER +
Natália Correia

Natália Correia

Natália Correia nasceu na Fajã de Baixo, São Miguel, Açores, a 13 de setembro de 1923. Poetisa, ficcionista, contista, dramaturga, ensaísta, editora, jornalista, cooperativista, deputada à Assembleia da República (primeiro pelo PSD, depois como independente pelo PRD), foi uma das vozes mais proeminentes da literatura e da cultura portuguesas na segunda metade do século xx, tendo resistido energicamente ao Estado Novo e aos radicalismos do pós-25 de Abril. Ecuménica e eclética, filantropa e idealista, anteviu um novo tempo, que garantisse a paz, a dignidade humana, a justiça social e o direito à diferença como raízes indeléveis da democracia. Morreu em Lisboa, a 16 de março de 1993.

VER +
Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, nasceu a 19 de janeiro de 1923 no Fundão. Manteve sempre uma postura de independência relativamente aos vários movimentos literários com que a sua obra coexistiu ao longo de mais de cinquenta anos de atividade poética. Revelou-se em 1948, com As Mãos e os Frutos, a que se seguiria, em 1950, Os Amantes sem Dinheiro. Os seus livros foram traduzidos em muitos países e ao longo da sua vida foi distinguido com inúmeros prémios, entre eles o Prémio Camões, em 2001. Morreu a 13 de junho de 2005 no Porto, cidade que o acolheu mais de metade da sua vida.

VER +

10%

Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica
24,40€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

A Chama
18,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

Os Lugares do Lume
11,10€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

Depois de terem sido premiados três homens na categoria de poesia da edição anterior do Prémio Livro do Ano Bertrand, o primeiro lugar do pódio foi finalmente ocupado por uma mulher. A honra coube a Natália Correia, essa que, segundo Soraia Chaves (que representou Natália na série da RTP 3 Mulheres de palavra fazem revolução) “não era uma só mulher, era muitas mulheres, tinha um universo gigante dentro dela”. A obra escolhida foi Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, um livro que causou polémica aquando da sua publicação em 1965, e que levou a que a autora fosse condenada a 3 anos de pena suspensa.


 

Após ter visto sucessivos livros seus apreendidos pela Censura do Estado Novo, Natália Correia aceitou o convite do editor da Afrodite, Fernando Ribeiro de Mello, para organizar esta Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica. "Finalmente num único livro", prometia a cinta que acompanhava o volume, publicado em dezembro de 1965, "a poesia maldita dos nossos poetas", "as cantigas medievais em linguagem atualizada", "dezenas de inéditos" e "a revelação do erotismo de Fernando Pessoa". A obra causou escândalo e foi apreendida pela PIDE, com vários dos intervenientes julgados e condenados em Tribunal Plenário, num processo que se arrastou durante anos.

Foi republicada pela primeira vez em abril de 2019, quase três décadas após a morte da poetisa, pela editora Ponto de Fuga, incluindo as ilustrações originais de Cruzeiro Seixas, novos textos introdutórios e reproduções de documentos que contextualizam um marco histórico na edição em Portugal. Na sequência da votação feita pelos leitores e livreiros Bertrand, foi eleito como o melhor livro de poesia publicado em 2019.

 

Natália Correia nos anos 60 e o relatório da comissão de Censura que proibiu a Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica – Dos cancioneiros medievais à atualidade  devido ao seu alegado “carácter pornográfico.” / Fonte: Expresso

 
O segundo lugar desta categoria coube ao livro póstumo do músico Leonard CohenA Chama, publicado pela editora Relógio d'Água. Para Francisco Vale, o diretor editorial, este livro foi uma despedida deliberada deste que foi um dos melhores compositores do nosso tempo:
 

"A Chama é um livro póstumo de Leonard Cohen, preparado para edição pelo seu filho, Adam Cohen. É um legado de poemas, canções, desenhos e versos dispersos, às vezes registados em cadernos de apontamentos e até guardanapos de papel.

É uma despedida deliberada, que evita os sentimentalismos.

Esta despedida de Cohen, que recolhe textos já publicados e inéditos, evidencia a variedade dos talentos de um romancista, poeta e cantor singular, lírico e filosófico, terno e corrosivo, feroz e generoso. Inclui novos poemas sobre a guerra, o arrependimento e a amizade, as letras das canções dos seus últimos quatro álbuns, fragmentos dos cadernos que guardou desde a adolescência e uma série de autorretratos e outros desenhos." — Francisco Vale (diretor editorial).

 
Ao livro Os Lugares do Lume, de um dos maiores poetas portugueses, Eugénio de Andrade, coube o terceiro lugar. Sobre este reconhecimento do poeta que nos deixou há já 15 anos, pronunciou-se Vasco David, da editora Assírio & Alvim:

 

"Embora Eugénio de Andrade nos tenha deixado em 2005 a sua poesia permanece radicalmente viva, continuando a tocar, a inspirar e, porque não dizê-lo, a comover quem o lê hoje. A prova é este livro, Os Lugares do Lume, publicado pela Assírio & Alvim em 2019, ter sido eleito pelos livreiros e pelos leitores da Bertrand como uma das melhores reedições de poesia feitas nesse ano. Noutro livro seu, Rosto Precário, podemos ler que «[…] o poeta vai nascendo com o poema para a mais efémera das existências; são as palavras, a luz e o calor que de umas às outras se comunicam, que o vão por sua vez criando a ele, acabando por lhe impor a mais dura das leis — a de que se extinga para dar lugar à fulguração do poema, a de que deixe de ser para que o poema seja, e dure, e o seu fogo se comunique ao coração dos homens». Palavras que adquirem um sentido redobrado com esta distinção, de que nos orgulhamos e que em nome da Assírio & Alvim agradeço."  Vasco David (editor) 

 

Recorde os restantes vencedores do Prémio Livro do Ano Bertrand 2019

X
O QUE É O CHECKOUT EXPRESSO?

O ‘Checkout Expresso’ utiliza os seus dados habituais (morada e/ou forma de envio, meio de pagamento e dados de faturação) para que a sua compra seja muito mais rápida. Assim, não tem de os indicar de cada vez que fizer uma compra. Em qualquer altura, pode atualizar estes dados na sua ‘Área de Cliente’.

Para que lhe sobre mais tempo para as suas leituras.