Leitores Bertrand homenageiam a poesia de Natália Correia

Por: Bertrand Livreiros a 2020-07-22 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Leonard Cohen

Leonard Cohen

Leonard Norman Cohen (Montréal, 21 de setembro de 1934 - Los Angeles, 7 de novembro de 2016) cantor, compositor, poeta e escritor canadiano. Embora seja mais conhecido pelas suas canções, que alcançaram notoriedade tanto na sua voz como na de outros intérpretes, Cohen passou a dedicar-se à música apenas depois dos 30 anos, já consagrado como autor de romances e livros de poesia.
Em 1956, lança seu primeiro livro de poesia, Let Us Compare Mythologies, seguido em 1961 por The Spice Box of Earth, que lhe conferiria fama internacional. Após o sucesso do livro, Cohen decide viajar pela Europa, e acaba por fixar residência na ilha de Hidra, na Grécia, onde passa a viver junto com Marianne Jensen e seu filho, Axel.
Em 1963 lança The Favorite Game, sua primeira novela, seguida pelo livro de poemas Flowers for Hitler, em 1964, e pela sua segunda novela, Beautiful Losers, em 1966.
Em 2011 foi o vencedor do Prémio Príncipe das Astúrias das Letras.

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Natália Correia

Natália Correia

Natália Correia nasceu na Fajã de Baixo, São Miguel, Açores, a 13 de setembro de 1923. Poetisa, ficcionista, contista, dramaturga, ensaísta, editora, jornalista, cooperativista, deputada à Assembleia da República (primeiro pelo PSD, depois como independente pelo PRD), foi uma das vozes mais proeminentes da literatura e da cultura portuguesas na segunda metade do século xx, tendo resistido energicamente ao Estado Novo e aos radicalismos do pós-25 de Abril. Ecuménica e eclética, filantropa e idealista, anteviu um novo tempo, que garantisse a paz, a dignidade humana, a justiça social e o direito à diferença como raízes indeléveis da democracia. Morreu em Lisboa, a 16 de março de 1993.

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Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade

(1923-2005) Poeta português, Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, nasceu a 19 de janeiro de 1923 no Fundão. Em 1947 ingressou na função pública, como funcionário dos Serviços Médico-Sociais, e em 1950 fixou residência no Porto. Manteve sempre uma postura de independência relativamente aos vários movimentos literários com que a sua obra coexistiu ao longo de mais de cinquenta anos de atividade poética. Revelando-se em 1948, comAs Mãos e os Frutos, a que se seguiria, em 1950, Os Amantes sem Dinheiro, o seu nome não se encontra vinculado a nenhuma das publicações que marcaram, enquanto lugar de reflexão sobre opções e tradições estéticas, a poesia contemporânea, embora tenha editado um dos seus volumes, As Palavras Interditas, na coleção "Cancioneiro Geral" e colaborado em publicações como Árvore, Cadernos do Meio-Dia ou Cadernos de Poesia. É, aliás, nesta última publicação, editada nos anos quarenta, que se firmam algumas das vozes independentes, como Ruy Cinatti, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Jorge de Sena, que inaugurariam, no século XX, essa linhagem de lirismo depurado, exigente, atento ao poder da palavra no conhecimento ou na fundação de um real dificilmente dizível ou inteligível, em que Eugénio de Andrade se inscreve. A escolha dos inofensivos substantivos "pureza" e "leveza" para referir a sua obra derivará talvez da noção do impulso de purificação que a sua poética confere às palavras através da exploração de um léxico essencial até à exaltação. Quando Maria Alzira Seixo fala do caminho que esta poesia percorre "na senda do rigor da lápide" ("Every poem is an epitaph", já dizia Eliot) levanta o véu de um dos pontos fulcrais desta poesia que, nas palavras do próprio Eugénio de Andrade (Rosto Precário), se afirma como o "lugar onde o desejo ousa fitar a morte nos olhos". Falar desta obra como morada da "leveza" e da "pureza" é encobrir o que nela há de ofício de paciência e de desesperada busca. Talvez seja preferível falar da força básica de um léxico de tal maneira investido da radicação do corpo do objecto amado no mundo e na sua paisagem que é capaz de impor o desejo da luz no coração das trevas da mortalidade. Eugénio de Andrade surgirá, assim, como o poeta da "correlação do corpo com a palavra" (Carlos Mendes de Sousa), da sexualidade trabalhada verbalmente até atingir uma "zona gramatical cega" (Joaquim Manuel Magalhães) onde o referido sexual não tem género gramatical referente porque o discurso em que vive pertence já a uma dimensão cuja musicalidade representa a recuperação de uma voz materna intemporal. Eugénio de Andrade foi elemento da Academia Mallarmé (Paris) e membro fundador da Academia Internacional "Mihail Eminescu" (Roménia). Para além de tradutor de vários autores, cujas obras recriou poeticamente (García Lorca, Safo, Borges), e organizador de várias antologias poéticas, é autor de obras como Os Afluentes do Silêncio (1968), Rosto Precário (1979), À Sombra da Memória (1993) (em prosa), As Mãos e os Frutos (1948), As Palavras Interditas (1951), Ostinato Rigore (1964), Limiar dos Pássaros (1976), Rente ao Dizer (1992), Ofício da Paciência (1994), O Sal da Língua (1995) e Os Lugares do Lume (1998). Recebeu ao longo da sua vida vários prémios: Pen Clube (1986), Associação Internacional dos Críticos Literários (1986), Dom Dinis (1988), Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores (1989), Jean Malrieu (França, 1989), APCA (Brasil,1991), Prémio Europeu de Poesia da Comunidade de Varchatz (República da Sérvia, 1996), Prémio Vida Literária atribuído pela APE (2000) e, em maio de 2001, o primeiro prémio de poesia "Celso Emilio Ferreiro" atribuído em Orense, na Galiza. Em 2001, a 10 de maio, Eugénio de Andrade foi homenageado na Universidade de Bordéus por altura da realização do "Carrefour des Littératures", tendo sido considerado um dos mais importantes escritores do século XX. Estiveram presentes várias ilustres personalidades, entre elas o Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio. A 10 de Julho foi distinguido com o Prémio Camões e, ainda no mesmo ano, foi lançado um CD com poemas recitados pelo próprio autor. Em 2002, foram atribuídos os prémios PEN 2001 e Eugénio de Andrade recebeu o prémio da área da poesia pela sua obra Os Sulcos da Sede. No dia em que comemorou o seu octogésimo aniversário foi homenageado na Biblioteca Almeida Garrett do Porto. Em 1991, foi criada na cidade do Porto a Fundação Eugénio de Andrade. Para além de ter servido de residência ao poeta, esta instituição tem como principais objetivos o estudo e a divulgação da obra do autor assim como a organização de diversos eventos como, por exemplo, lançamentos de livros, recitais e encontros de poesia. In Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2005.

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Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica
24,40€
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A Chama
18,00€
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Depois de terem sido premiados três homens na categoria de poesia da edição anterior do Prémio Livro do Ano Bertrand, o primeiro lugar do pódio foi finalmente ocupado por uma mulher. A honra coube a Natália Correia, essa que, segundo Soraia Chaves (que representou Natália na série da RTP 3 Mulheres de palavra fazem revolução) “não era uma só mulher, era muitas mulheres, tinha um universo gigante dentro dela”. A obra escolhida foi Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, um livro que causou polémica aquando da sua publicação em 1965, e que levou a que a autora fosse condenada a 3 anos de pena suspensa.


 

Após ter visto sucessivos livros seus apreendidos pela Censura do Estado Novo, Natália Correia aceitou o convite do editor da Afrodite, Fernando Ribeiro de Mello, para organizar esta Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica. "Finalmente num único livro", prometia a cinta que acompanhava o volume, publicado em dezembro de 1965, "a poesia maldita dos nossos poetas", "as cantigas medievais em linguagem atualizada", "dezenas de inéditos" e "a revelação do erotismo de Fernando Pessoa". A obra causou escândalo e foi apreendida pela PIDE, com vários dos intervenientes julgados e condenados em Tribunal Plenário, num processo que se arrastou durante anos.

Foi republicada pela primeira vez em abril de 2019, quase três décadas após a morte da poetisa, pela editora Ponto de Fuga, incluindo as ilustrações originais de Cruzeiro Seixas, novos textos introdutórios e reproduções de documentos que contextualizam um marco histórico na edição em Portugal. Na sequência da votação feita pelos leitores e livreiros Bertrand, foi eleito como o melhor livro de poesia publicado em 2019.

 

Natália Correia nos anos 60 e o relatório da comissão de Censura que proibiu a Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica – Dos cancioneiros medievais à atualidade  devido ao seu alegado “carácter pornográfico.” / Fonte: Expresso

 
O segundo lugar desta categoria coube ao livro póstumo do músico Leonard CohenA Chama, publicado pela editora Relógio d'Água. Para Francisco Vale, o diretor editorial, este livro foi uma despedida deliberada deste que foi um dos melhores compositores do nosso tempo:
 

"A Chama é um livro póstumo de Leonard Cohen, preparado para edição pelo seu filho, Adam Cohen. É um legado de poemas, canções, desenhos e versos dispersos, às vezes registados em cadernos de apontamentos e até guardanapos de papel.

É uma despedida deliberada, que evita os sentimentalismos.

Esta despedida de Cohen, que recolhe textos já publicados e inéditos, evidencia a variedade dos talentos de um romancista, poeta e cantor singular, lírico e filosófico, terno e corrosivo, feroz e generoso. Inclui novos poemas sobre a guerra, o arrependimento e a amizade, as letras das canções dos seus últimos quatro álbuns, fragmentos dos cadernos que guardou desde a adolescência e uma série de autorretratos e outros desenhos." — Francisco Vale (diretor editorial).

 
Ao livro Os Lugares do Lume, de um dos maiores poetas portugueses, Eugénio de Andrade, coube o terceiro lugar. Sobre este reconhecimento do poeta que nos deixou há já 15 anos, pronunciou-se Vasco David, da editora Assírio & Alvim:

 

"Embora Eugénio de Andrade nos tenha deixado em 2005 a sua poesia permanece radicalmente viva, continuando a tocar, a inspirar e, porque não dizê-lo, a comover quem o lê hoje. A prova é este livro, Os Lugares do Lume, publicado pela Assírio & Alvim em 2019, ter sido eleito pelos livreiros e pelos leitores da Bertrand como uma das melhores reedições de poesia feitas nesse ano. Noutro livro seu, Rosto Precário, podemos ler que «[…] o poeta vai nascendo com o poema para a mais efémera das existências; são as palavras, a luz e o calor que de umas às outras se comunicam, que o vão por sua vez criando a ele, acabando por lhe impor a mais dura das leis — a de que se extinga para dar lugar à fulguração do poema, a de que deixe de ser para que o poema seja, e dure, e o seu fogo se comunique ao coração dos homens». Palavras que adquirem um sentido redobrado com esta distinção, de que nos orgulhamos e que em nome da Assírio & Alvim agradeço."  Vasco David (editor) 

 

Recorde os restantes vencedores do Prémio Livro do Ano Bertrand 2019

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