Há histórias que atravessam séculos sem perderem a capacidade de nos prender do princípio ao fim. A Odisseia, de Homero, é uma delas. Composta há cerca de três mil anos, continua a inspirar escritores, artistas, cineastas e leitores em todo o mundo, provando que algumas viagens nunca chegam verdadeiramente ao fim.
O recente retorno da apopeia às salas de cinema, através dos olhos de Christopher Nolan, veio recordar precisamente que as aventuras de Ulisses continuam tão fascinantes hoje como eram na Antiguidade. Mas quem decide descobrir a obra original depara-se rapidamente com uma dúvida legítima: afinal, que edição de A Odisseia devo escolher?
Não existe uma resposta única. Há quem queira descobrir o texto de Homero tal como chegou até nós, quem prefira uma adaptação mais acessível, quem goste de explorar novas perspetivas sobre a história ou até quem prefira deixar-se guiar pelas ilustrações de uma novela gráfica.
Seja qual for a sua resposta, há uma Odisseia para si.
Para quem quer ler Homero como Homero escreveu
Se a sua intenção é conhecer A Odisseia tal como foi concebida há quase três milénios, a tradução de Frederico Lourenço é o melhor ponto de partida.
Professor, ensaísta e um dos mais reconhecidos especialistas portugueses em literatura clássica, Frederico Lourenço tem dedicado grande parte da sua carreira à tradução de textos gregos antigos. A sua tradução de A Odisseia mantém-se próxima do texto grego, sem nunca sacrificar a fluidez da leitura.
É a edição ideal para quem pretende descobrir a obra na íntegra ou regressar a ela com uma tradução contemporânea de referência.
Sabia que...
Antes de ser escrita, A Odisseia foi contada oralmente durante gerações. Chegar até nós, em português, só é possível graças ao trabalho dos tradutores, que ajudam a preservar a essência de um poema com quase três mil anos.
Para quem gosta de descobrir outras perspetivas
E se conhecêssemos a história através das mulheres que ficaram nas margens da epopeia?
Penélope, Circe, Calipso, Nausícaa ou Atena desempenham papéis decisivos ao longo da narrativa e continuam, ainda hoje, a despertar a curiosidade de leitores e investigadores.
Em Míticas – As Mulheres da Odisseia, Emily Hauser revisita estas figuras femininas, cruzando os mitos com descobertas da arqueologia, da História e da literatura. O resultado é uma leitura que complementa a epopeia de Homero e convida a olhar para estas personagens sob uma nova luz.
É uma excelente escolha para quem já conhece a história ou quer explorá-la para além da perspetiva de Ulisses.
Para quem procura uma histórias em imagens
Os clássicos também podem ser descobertos através da banda desenhada.
Na adaptação de Gareth Hinds, a longa viagem de Ulisses ganha vida através de ilustrações expressivas que recriam alguns dos momentos mais marcantes da epopeia, desde o encontro com o Ciclope Polifemo às sereias ou à descida ao mundo dos mortos.
Sem perder de vista a essência da narrativa original, esta novela gráfica é ideal para fãs de banda desenhada, jovens leitores ou qualquer pessoa que queira revisitar este clássico de uma forma diferente.
Para jovens leitores que querem conhecer Homero
Entrar no universo dos clássicos nem sempre é fácil, sobretudo para leitores mais novos.
Pensando nisso, Frederico Lourenço adaptou A Odisseia para um público juvenil, preservando os episódios essenciais da narrativa e o espírito da obra original, mas recorrendo a uma linguagem mais acessível, à que se juntam belas ilustrações de Richard de Luchi.
É uma excelente porta de entrada para futuros leitores dos clássicos.
Para jovens apaixonados por aventuras
Há muito que esta adaptação acompanha gerações de leitores portugueses.
Escrita num registo narrativo envolvente, apresenta as aventuras de Ulisses como um grande romance de viagens e descobertas, despertando a curiosidade pela mitologia grega e pela literatura clássica. Continua, por isso, a ser uma presença habitual nas leituras recomendadas para o 7.º ano.
É especialmente indicada para jovens leitores que procuram uma narrativa acessível e cheia de ação.
Depois de terminar A Odisseia...
Se chegou ao fim da viagem de Ulisses e ficou com vontade de explorar mais do universo de Homero, o passo seguinte é quase inevitável: A Ilíada.
Enquanto A Odisseia acompanha o difícil regresso de Ulisses a Ítaca, A Ilíada transporta-nos para os últimos dias da Guerra de Troia, apresentando personagens como Aquiles, Heitor e Agamémnon e acontecimentos que ajudam a compreender o mundo de onde parte o herói desta epopeia.
Lidas em conjunto, estas duas epopeias revelam porque continuam a ser consideradas alguns dos textos mais influentes da história da literatura.