12 escritores e a sua vida dupla enquanto artistas

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2020-06-24 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Cláudia R. Sampaio

Cláudia R. Sampaio

Cláudia R. Sampaio nasceu em Lisboa, em 1981. É poeta e artista plástica. Estudou Escrita de Argumento, na Escola Superior de Teatro e Cinema, e escreveu para cinema, televisão e teatro. Publicou os livros de poesia Os Dias da Corja, A Primeira Urina da Manhã, Ver no Escuro, 1025 mg, Outro Nome para a Solidão, Já Não Me Deito em Pose de Morrer e Uma Mulher Aparentemente Viva. Está também publicada no Brasil com a trilogia Inteira Como Um Coice do Universo (Edições Macondo). Tem desenvolvido, em parceria, trabalhos musicais a partir dos seus poemas e já fez parte de vários grupos como diseure. Em 2019, juntou-se ao coletivo de arte Manicómio, no qual trabalha como artista e como membro da equipa de produção. No âmbito deste projeto, integrou, em janeiro de 2020, a primeira delegação portuguesa a ser convidada pela Outsider Art Fair — a maior feira de arte informal do mundo, em Nova Iorque — para expor a sua obra. Em 2024, foi uma das artistas da exposição Procissão: Louvar e Santificar, no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), e a sua obra está representada em inúmeras coleções privadas. Vive em Lisboa, com as suas gatas Polly Jean e Pandora.

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Clarice Lispector

Clarice Lispector

A 10 de dezembro de 1920, nasce Clarice Lispector, que viria a tornar-se figura maior da literatura do século XX. Recebe, ao nascer numa aldeia da Ucrânia, o nome «Haia», que em hebraico significa «vida». No contexto de guerra civil e das perseguições à comunidade judaica — os pogroms —, a família decide emigrar: em 1922, Clarice Lispector aporta no Nordeste do Brasil, acompanhada pelos pais e as duas irmãs. Mudam de nome, começam uma nova vida.
Em 1939, Clarice Lispector vai estudar Direito no Rio de Janeiro. No ano seguinte, começa a trabalhar como jornalista e publica, numa revista, o primeiro conto. Não mais para de escrever. Perto do coração selvagem, o romance de estreia, sai em 1943, ano em que a escritora se casa com um diplomata brasileiro, seu colega de faculdade. Dez anos mais tarde, este romance sai em França, com capa de Henri Matisse, inaugurando um percurso internacional fulgurante.
A partir de 1944, Clarice Lispector vive em Nápoles, Berna, Torquay e Washington, acompanhando o marido na carreira diplomática. Regressa ao Brasil em 1959, após o divórcio. Morre em 1977, no Rio de Janeiro.
Escritos ao longo de quase quatro décadas, de Clarice Lispector estão publicados no Brasil cerca de vinte livros de ficção (entre romance e conto), vários volumes de crónicas, correspondência e artigos, e cinco livros para a infância. Autora de uma obra de incomparável relevância – publicada em Portugal, a partir de 2025, pela Companhia das Letras – e acolhida nas mais prestigiadas editoras de todo o mundo, Clarice Lispector é um ícone da literatura.

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Federico García Lorca

Federico García Lorca

Federico García Lorca (Fuente Vaqueros, 1898-Granada, 1936), foi poeta e dramaturgo, conhecido também como músico e artista. Nascido na Andaluzia, estudou Direito em Granada e transferiu-se mais tarde para Madrid, onde fez amizade com artistas como Luis Buñuel e Salvador Dalí e os poetas Rafael Alberti e Juan Ramón Jiménez. Aí publicou os seus primeiros poemas. Concluído o curso, foi para os Estados Unidos e para Cuba, período turbulento em que escreveu os seus poemas surrealistas. Voltando a Espanha, criou um movimento de teatro chamado La Barraca. Foi ainda um excelente pintor, compositor e pianista. Como autor de teatro, Lorca fez incursões no drama histórico e na farsa antes de obter sucesso com a tragédia. As três tragédias rurais passadas na Andaluzia, Bodas de Sangue (1933), Yerma (1934) e A Casa de Bernarda Alba (1936) asseguraram a sua posição como grande dramaturgo.
Em julho de 1936, alarmado pelo começo da Guerra Civil, Lorca deixou Madrid e partiu para Granada, mas a sua premonição de uma morte fatal, que atravessa toda a sua obra, concretizou-se quando, numa noite, foi assassinado por nacionalistas.

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Franz Kafka

Franz Kafka

Franz Kafka nasceu em 1883, em Praga, no seio de uma família da pequena burguesia judia de expressão alemã. Começou a escrever os seus primeiros textos em 1904. Em 1906, terminou os seus estudos universitários, doutorando-se em Direito. Em vida, publicou apenas sete pequenos livros e alguns textos em revistas. De entre estes livrinhos e textos, destaca-se A Metamorfose, que veio a lume em 1915. Esta pequena novela viria a afirmar-se como uma das suas obras de referência. A 3 de junho de 1924, não resistindo à tuberculose diagnosticada em 1917, morre em Kierling, a poucos quilómetros de Viena, deixando três romances fragmentários, que seriam publicados postumamente pelo seu amigo e testamenteiro Max Brod: O Processo (1925), O Castelo (1926) e América (1927), a que se seguiram volumes com contos, cartas e diários. A sua obra, centrada no homem solitário moderno, refém de uma vida absurda, tornar-se-ia uma das mais influentes do mundo literário do século xx.

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Ana Hatherly

Ana Hatherly

Ana Hatherly nasceu a 8 de maio de 1929, no Porto. Licenciou-se em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e doutorou-se em Estudos Hispânicos pela Universidade da Califórnia, em Berkeley. A sua vasta obra inclui poesia, ficção, ensaio, tradução, performance, cinema e artes plásticas. Uma poeta de vanguarda, foi membro destacado e teorizadora do grupo da Poesia Experimental Portuguesa. Destacam-se as suas obras Eros Frenético (1968), Rilkeana (1999), ou o conjunto de textos reunidos em Tisanas, um trabalho que a acompanhou até ao final da vida. Faleceu a 5 de agosto de 2015.

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Patti Smith

Patti Smith

Patti Smith é uma das figuras mais icónicas do rock e da poesia contemporânea, nascida a 30 de dezembro de 1946 em Chicago, Illinois, Estados Unidos. Conhecida como a "poetisa do punk", Smith teve um papel fundamental na cena punk rock de Nova Iorque durante os anos 1970, trazendo uma combinação única de poesia, música e uma atitude rebelde que influenciou gerações de músicos e artistas.

Smith começou sua carreira artística como poetisa, e a sua ligação com a música surgiu naturalmente, à medida que as suas leituras poéticas começaram a incorporar elementos musicais. Em 1975, lançou o seu álbum de estreia, Horses, que é considerado um dos discos mais importantes da história do rock. Com produção de John Cale (ex-Velvet Underground), o álbum misturava rock and roll cru com uma sensibilidade poética, e canções como "Gloria" e "Land" tornaram-se emblemáticas da sua abordagem artística.

O sucesso de Horses consolidou Patti Smith como uma figura central do punk, mas a sua música sempre ultrapassou os limites de qualquer género. Os seus álbuns subsequentes, como Radio Ethiopia (1976) e Easter (1978), continuaram a explorar temas de espiritualidade, política, e a condição humana, sempre com uma abordagem lírica profunda e provocadora. "Because the Night", coescrita com Bruce Springsteen, tornou-se um dos seus maiores sucessos comerciais.

Além da música, Patti Smith é também uma escritora aclamada. O seu livro de memórias Just Kids (2010), que narra a sua relação com o fotógrafo Robert Mapplethorpe e a sua experiência na cena artística de Nova Iorque, recebeu o National Book Award e é amplamente considerado uma obra-prima da literatura de memórias.

Ao longo da sua carreira, Patti Smith tem sido uma voz ativa em várias causas sociais e políticas, utilizando a sua arte para expressar preocupações com direitos humanos, liberdade de expressão, e questões ambientais. A sua influência vai além da música, sendo uma inspiração para artistas, escritores, e ativistas em todo o mundo.

Patti Smith continua a fazer música, a escrever, e a realizar performances ao vivo, mantendo-se uma presença vital e influente no panorama cultural contemporâneo.

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Charles Bukowski

Charles Bukowski

Charles Bukowski nasceu na Alemanha, em 1920, mas cresceu em Los Angeles, onde viveu durante cinquenta anos. Publicou o seu primeiro conto em 1944, quando tinha vinte e quatro anos, e começou a escrever poesia com trinta e cinco anos. Morreu em 1994, aos setenta e três anos, pouco tempo depois de completar o seu último romance, Pulp. Viu publicados mais de quarenta e cinco livros de prosa e poesia, incluindo os romances Post Office (1971), Factotum (1975), Women (1978), Ham on Rye (1982), Hollywood (1989) e Pulp (1994). É um dos autores americanos contemporâneos mais conhecidos a nível mundial e, possivelmente, o poeta americano mais influente e imitado de sempre.

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Afonso Cruz

Afonso Cruz

Afonso Cruz é escritor e artista multidisciplinar (ilustração, fotografia e música), e, nos tempos livres, ainda faz cerveja. Trabalhou como cineasta durante mais de uma década.
Tem publicados mais de 40 livros, traduzidos em mais de 20 línguas e nos mais variados géneros literários, desde conto, romance, poesia, ensaio, teatro, foto-texto, literatura de viagens e literatura para a infância. Em menos de 20 anos de carreira literária, já foi distinguido com importantes prémios nacionais e internacionais, entre os quais se destacam: o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, o Prémio Fernando Namora, o Grande Prémio de Literatura de Viagens Maria Ondina Braga, o Prémio SPA para Melhor Livro Infantil (2011) e o Prémio SPA para Melhor Livro de Ficção Narrativa (2019), o Prémio Literário Maria Rosa Colaço, o Prémio da União Europeia para a Literatura, o Prémio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil do Brasil e o Prémio Ibérico Álvaro Magalhães.
Assina, desde 2013, uma crónica mensal no Jornal de Letras, Artes e Ideias, sob o título «Paralaxe», e tem uma coluna de opinião no Sapo.

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Sylvia Plath

Sylvia Plath

Sylvia Plath nasceu em Boston, Massachusetts, a 27 de outubro de 1932. Teve uma breve, intensa e agitada vida, tendo escrito poesia, um romance, contos e um diário.
O pai, Otto Plath, de origem alemã, trabalhava como professor de Biologia na Universidade de Boston, onde conheceu e casou com uma sua aluna, Aurelia, a mãe de Sylvia.
Em 1935, nasceu o segundo filho do casal, Warren. No rescaldo da Grande Depressão, a família deslocou-se em 1936 para Winthrop, Massachusetts, onde Sylvia passaria a maior parte da sua infância.
Aos oito anos, Plath publicou o seu primeiro poema na secção infantil do Boston Herald. Otto Plath morreu pouco depois dessa publicação (Sylvia haveria de escrever sobre a ambígua relação que tinha com ele o poema «Daddy»).
No seu primeiro ano no Smith College, Plath tentou suicidar-se com uma overdose de narcóticos, o que levou ao seu internamento numa instituição psiquiátrica. No verão do seu terceiro ano de estudos universitários, Sylvia Plath deslocou-se um mês para Nova Iorque, colaborando na revista Mademoiselle.
Nada disso a impediu de ser uma estudante brilhante, formando-se com louvor aos 23 anos. Obteve mesmo a bolsa Fulbright para frequentar a Universidade de Cambridge, em Inglaterra, onde continuou a escrever poesia. É então uma jovem mulher de maneiras educadas e espírito rebelde.
Em fevereiro de 1956, conheceu, na festa de lançamento da St. Botolph’s Review, o poeta Ted Hughes, com quem casaria quatro meses depois. É um encontro fusional e de uma intensidade fulgurante.
Entre julho de 1957 e outubro de 1959, o jovem casal viveu nos Estados Unidos, tendo acabado por se fixar em Boston, onde Sylvia Plath assistiu aos seminários de Robert Lowell e conheceu a poeta Anne Sexton. Atravessando dificuldades materiais, Sylvia tem mesmo de trabalhar num hospital psiquiátrico.
Com a gravidez de Sylvia Plath, o casal regressa a Inglaterra, em 1959, fixando-se em Londres e mais tarde na pequena cidade de North Tawton, em Devon. Em 1960, nasce Frieda e, dois anos depois, Nicholas. O primeiro livro de poemas de Sylvia Plath, The Colossus, é publicado em Inglaterra em 1960 e, dois anos depois, nos Estados Unidos. Em fevereiro de 1961, Plath sofre um aborto, que seria um tema recorrente em vários dos seus poemas.
No início dos anos 60, a relação com Ted Hughes entra em crise, sobretudo devido à relação deste com Assia Wevill (Ted Hughes daria a sua versão do que se passou em Cartas de Aniversário, e Assia, esposa de um poeta canadiano, haveria de se suicidar com a filha em 1969). O casal separa-se em finais de 1962. É no inverno que se segue à separação e num período depressivo que Sylvia escreve Ariel.
Plath regressa a Londres com os filhos, alugando um apartamento em Fitzroy Road, onde escreveria um romance semiautobiográfico, The Bell Jar, sob o pseudónimo de Victoria Lucas. Sente-se isolada e deprimida.
Na manhã de 11 de fevereiro de 1963, nevava sobre Londres e o frio era intenso. Sylvia Plath suicida-se com o gás do fogão, tendo antes tido o cuidado de proteger os filhos.

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Rupi Kaur

Rupi Kaur

Rupi Kaur nasceu em 1992 em Punjab, na Índia e emigrou com os pais para Toronto quando tinha quatro anos. Ainda em criança começou a desenhar e a pintar e também a escrever poemas e mensagens para os amigos.

Rupi Kaur é poeta, artista e performer. Aos 21 anos ainda na universidade escreveu, ilustrou e publicou em edição de autor a sua primeira coletânea de poemas, leite e mel. Seguiu-se o irmão artístico desse livro, o sol e as suas flores. As suas coletâneas de poemas venderam mais de 10 milhões de exemplares e foram traduzidas em mais de 40 línguas. O seu último livro, corpo casa, entrou diretamente para o primeiro lugar nas listas de livros mais vendidos em todo o mundo. Rupi produziu ela mesma o Rupi Kaur Live, o primeiro especial de poesia do género a estrear no Amazon Prime Video, em 2021. A obra de Rupi aborda o amor, perda, trauma, feminilidade e migração. Sente-se em casa quando cria arte, quando representa a sua poesia em palco e quando está com a família e amigos.

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São vários os escritores que expuseram a sua versatilidade enquanto artistas, mostrando que, para além das letras, tinham também o gosto pela pintura ou ilustração. Na verdade, a ponte entre a literatura e as artes visuais é bastante comum, como vimos no caso de Pablo Picasso, cuja veia poética permanece ainda um tanto desconhecida. Hoje damos-lhe a conhecer 12 autores que se entregaram a esta outra arte, fazendo justiça às palavras de Bukowski: “A diferença entre a vida e a arte é que a arte é mais suportável.”

 


 

Explosão, de Clarice Lispector

Explosão, de Clarice Lispector (1975).

 
1. CLARICE LISPECTOR

Foi na década de 1970 que a romancista brasileira começou a pintar, após uma crise de criatividade que a afastou da escrita e aproximou da arte visual: “Quanto ao facto de escrever, digo – se interessa a alguém – que estou desiludida. É que escrever não me trouxe o que eu queria, isto é, a paz. (…) O que me descontrai, por incrível que pareça, é pintar. Sem ser pintora de forma alguma, e sem aprender nenhuma técnica. (…) É a coisa mais pura que faço”. De acordo com o jornal G1, Clarice Lispector chegou a produzir cerca de 20 quadros que, atualmente, fazem parte do espólio da Casa de Ruy Barbosa. Contudo, a autora de Todos os Contos sempre garantiu: “Pinto tão mal que dá gosto!”

 

Ilustração disponível em A Contradição Humana, de Afonso Cruz.

 
2. AFONSO CRUZ 

Afonso Cruz é também ilustrador, cineasta e músico da banda The Soaked Lamb. Estudou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e no Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira e já venceu vários prémios pelo seu trabalho como escritor e ilustrador, como o Prémio Nacional de Ilustração 2014, instituído pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas. Nos seus livros é possível encontrar, frequentemente, pequenas ilustrações ou referências artísticas, como em O Livro do Ano ou Paz Traz Paz
 

Desenhos de Kafka

 
3. FRANZ KAFKA

Algumas das ilustrações feitas por Franz Kafka são, ainda hoje, usadas nas capas dos seus livros, como em O Processo ou Um Artista da Fome. De facto, o autor chegou a ter aulas de desenho e a procurar a companhia de outros artistas em Praga. Na hora da sua morte, Kafka pediu que todo o seu trabalho fosse destruído. Felizmente, Max Brod, escritor e seu amigo, ignorou este pedido e publicou grande parte da sua obra. 

 

Arte de Sylvia Plath

Triple-Face Portrait, de Sylvia Plath (1950-1951).

 

4. SYLVIA PLATH

Apesar de ser hoje considerada uma das escritoras mais influentes do século XX, a verdade é que Sylvia Plath queria estudar Arte na universidade, antes de desistir e acabar por trocar para Inglês. O seu trabalho enquanto artista nunca foi reconhecido em vida. Em 2017, o Smithsonian National Portrait Gallery exibiu uma retrospetiva do trabalho de Plath, combinando fotografias, cartas e ilustrações nunca antes expostas num museu.  

 

Hans Christian Andersen Arte

 

5. HANS CHRISTIAN ANDERSEN

O escritor e poeta dinamarquês, conhecido pelos seus contos infantis como A Pequena Sereia ou O Soldadinho de Chumbo, criou centenas de silhuetas em papel, uma prática bastante popular no século XIX. Andersen, numa carta em 1867, chegou a escrever que “cortar papel é o prelúdio da escrita”
 

 

6. CLÁUDIA R. SAMPAIO

Para além dos cinco livros de poesia publicados, onde se destaca o seu mais recente Já não me deito em pose de morrer, Cláudia R. Sampaio é também pintora. Atualmente é residente no projeto artístico Manicómio, criado no hospital psiquiátrico onde já esteve internada três vezes, onde artistas com doenças mentais trabalham, expõem e vendem o seu trabalho, “recusando o estigma de serem ‘um peso para a sociedade’ através da criatividade.”
 

Ana Hatherly

Escuta o Conto Profano, de Ana Hatherly (1998).

 

7. ANA HATHERLY

Começou a sua carreira literária em 1958, sendo considerada uma poeta de vanguarda e membro destacado do grupo da Poesia Experimental Portuguesa. Paralelamente à poesia começou a trabalhar, também, nas artes visuais, interligando a escrita e o desenho como um todo. Para Ana Hatherly, a escrita “nunca foi senão representação: imagem”. Dedicou-se, durante várias décadas, à carreira literária e artística e a sua inovação e originalidade destacaram-se no mundo das artes até ao seu falecimento, em 2015. 
 

Federico García Lorca - Ilustrações

Auoretratro de Federico García Lorca em Nova Iorque (1930).

 

8. FEDERICO GARCIA LORCA

O poeta e dramaturgo espanhol criou, para além dos seus Poemas, centenas de desenhos e pinturas. Os seus quadros eram altamente influenciados pelo movimento surrealista, cujos traços é possível encontrar, também, na sua poesia. Federico García Lorca chegou a exibir o seu trabalho numa galeria em Barcelona, com a ajuda do amigo Salvador Dalí
 

Mário Cesariny

 

9. MÁRIO CESARINY

Mário Cesariny é considerado um dos grandes artistas do surrealismo português. Escreveu Poesia e dedicou-se à ficção, à crítica, ao ensaio e à tradução. Adicionalmente, focou-se na pintura, chegando a expor alguns dos seus trabalhos em exposições de cariz surrealista. Mais tarde, nos seus últimos anos de vida, desenvolveu o hábito frenético de transformação e reabilitação do quotidiano, de onde surgiram muitas colagens e outros trabalhos plásticos. 

 

Charles Bukowski

 

10. CHARLES BUKOWSKI 

Apelidado de escritor maldito, Charles Bukowski não é, geralmente, lembrado pela sua arte. Ainda assim, o autor de Notas de um Velho Nojento chegou a dedicar-se à pintura, tendo criado mais de mil obras abstratas. Muitos destes quadros foram enviados para a editora Black Sparrow com o objetivo de integrarem as primeiras edições da sua obra. Na década de 1980, deixa de pintar exclusivamente para os seus livros, comentando que lhe roubava a alegria do seu processo criativo. 
 

Patti Smith Arte

Written Portait (Stoned Head), de Patti Smith (1978).

11. PATTI SMITH

Poemas, músicas, narrativas, fotografias… E quadros. A criatividade de Patti Smith não tem limites. A autora de Devoção desenha e fotografa desde o final da década de 1960. Numa entrevista, refere que o primeiro contacto que teve com arte visual foi aos 12 anos, numa viagem em família. O pai sempre foi um apreciador do trabalho de Salvador Dalí e resolveu levar os filhos a uma exposição no Philadelphia Musem of Art. “Nunca antes tinha visto obras de arte. Ao ver os quadros – o trabalho de Picasso e John Singer Sargent – fiquei completamente encantada, apaixonei-me por Picasso e sonhei que queria ser pintora.”
 

Rupi Kaur

12. RUPI KAUR

A poetisa que ficou conhecida mundialmente pelos livros Leite e Mel e O Sol e as suas Flores, acompanha sempre os seus poemas com ilustrações. Rupi Kaur afirma que foi graças à mãe, que enconrajou a sua criatividade desde pequena, que começou a escrever e a desenhar. A obra de Kaur ganhou destaque como um dos exemplos mais populares de instapoetry, um estilo de poesia que emergiu a partir das redes sociais e que, para além dos versos simples, assenta numa imagem ou ilustração que torne o poema esteticamente aprazível.  
 

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