Charles Bukowski como nunca o leu antes

Por: Beatriz Sertório a 2019-09-03 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Charles Bukowski

Charles Bukowski

Charles Bukowski nasceu na Alemanha, em 1920, mas cresceu em Los Angeles, onde viveu durante cinquenta anos. Publicou o seu primeiro conto em 1944, quando tinha vinte e quatro anos, e começou a escrever poesia com trinta e cinco anos. Morreu em 1994, aos setenta e três anos, pouco tempo depois de completar o seu último romance, Pulp. Viu publicados mais de quarenta e cinco livros de prosa e poesia, incluindo os romances Post Office (1971), Factotum (1975), Women (1978), Ham on Rye (1982), Hollywood (1989) e Pulp (1994). É um dos autores americanos contemporâneos mais conhecidos a nível mundial e, possivelmente, o poeta americano mais influente e imitado de sempre.

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Notas de Um Velho Nojento
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Chegou hoje às livrarias a edição portuguesa de mais um livro do escritor maldito   Henry Charles Bukowski (1920-1994). Nascido na Alemanha, no rescaldo da I Guerra Mundial, foi viver para os EUA ainda em criança. Começa por publicar um conto aos vinte e quatro anos e só se aventura na poesia uma década depois. Fazendo uso de um realismo sujo e cru, que muitos autores depois dele tentaram imitar, retratou como ninguém o lado obscuro do sonho americano e tornou-se um porta-voz daqueles que viviam à margem da sociedade.
 

O livro que é agora editado pela Alfaguara – Notas de um velho nojento – compila uma seleção de crónicas publicadas pelo autor num jornal underground de Los Angeles, o Open City, durante a década de 60. Tratando-se de textos que, à semelhança do resto da sua obra, misturam ficção com elementos autobiográficos, apresentam, segundo a editora, “um Bukowski ainda mais inteiro, menos filtrado, mais visceral” . Prova disso, é o facto de o livro original, publicado em 1969 (“ Notes of a dirty old man ”), ter chamado a atenção do FBI e dos Serviços Postais dos EUA (onde trabalhou) e ter dado origem a uma investigação criminal ao autor.

 

Parte dos ficheiros do FBI acerca de Bukowski, na qual uma testemunha desaconselha que este continue a trabalhar como empregado dos Serviços Postais dos EUA, utilizando como justificação um "caráter moral que deixa muito a desejar".
 

Relatados com a frontalidade e humor que lhe eram característicos, os textos de Notas de um velho nojento , convidam o  leitor a entrar, de forma mais íntima, no mundo subterrâneo do qual fazia parte não só Bukowski , mas também autores como  Jack Kerouac  e  William Burroughs . Por entre descrições mirabolantes dos seus devaneios alcoólicos e encontros sexuais insólitos, encontramos reflexões de uma honestidade desarmante, “instantâneos de uma vida desregrada e desolada, que sublinham a beleza e a fragilidade do que andamos aqui a fazer” (Alfaguara).

 

Embora, já nesta altura, a pobreza e o vício do álcool ameaçassem desviá-lo do seu percurso literário, o autor continua sempre a escrever, chegando a confessar ter sido a escrita que o salvou da loucura. Lutando pelo décimo de alma e de sanidade que lhe restava (“ Nove décimos de mim já morreram, mas defendo à lei da bala o outro décimo ”), a obra de Bukowski ilustra, como na vida, que o bom e o mau não são mutuamente exclusivos, mas antes duas faces da mesma moeda. Ler a obra de Bukowski é, já de si, reconhecer a possibilidade de, a partir do sofrimento e da dor, brotarem beleza e poesia. E, na sua visão, a dor  é, não só inevitável, como absolutamente necessária. Nas suas palavras: “ O fim da dor é o fim do sentimento; cada um dos nossos prazeres é um pacto com o Diabo “.

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