“O mais fascinante livro de poesia escrito em português”

Por: Marisa Sousa a 2021-07-28

Luís de Camões

Luís de Camões

Poeta português (1524-1580) por excelência e um dos grandes nomes da literatura europeia do Renascimento. Pouco ou nada se sabe sobre a sua família, infância e juventude. Terá sido educado nas formas de cultura clássicas e também na literatura moderna, o que se depreende da sua posterior produção literária. Soldado, aventureiro, mulherengo apaixonado, Camões esteve em África e no Oriente português. Envolveu-se em polémicas e com mulheres casadas, esteve preso por diversas vezes e produziu uma das mais importantes obras literárias no quadro da literatura europeia da época. «Os Lusíadas» é uma das obras mais traduzidas da literatura portuguesa e reconhecida como uma das mais poderosas e brilhantes epopeias da literatura do renascimento europeu. A sua lírica e teatro são igualmente notáveis e invulgares, e as cartas um testemunho histórico valiosíssimo.

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“Uns meses atrás, um amigo perguntou-me qual era o mais fascinante livro de poesia escrito em português. Respondi-lhe sem hesitar que seria o livro de sonetos de Camões escolhidos por mim. Sucedeu então uma coisa curiosa: eu que jamais pensara fazer tal livro, fui inteiramente dominado pela ideia, e passados três ou quatro dias tinha em cima da mesa de trabalho várias edições da lírica camoniana.” É assim que Eugénio de Andrade explica a génese de Sonetos de Luís de Camões (Assírio & Alvim, 2020), eleito Melhor reedição de poesia, pelos leitores Bertrand, no âmbito da 5.ª edição do Prémio Livro do Ano Bertrand. Partilhamos consigo três desses sonetos e convidámo-lo/a a descobrir uma obra que se lê de um fôlego.


 

Eu cantarei de amor tão docemente,

Por uns termos em si tão concertados,

Que dous mil acidentes namorados

Faça sentir ao peito que não sente.

 

Farei que amor a todos avivente,

Pintando mil segredos delicados,

Brandas iras, suspiros magoados,

Temerosa ousadia e pena ausente.

 

Também, Senhora, do desprezo honesto

De vossa vista branda e rigorosa,

Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

 

Porém, para cantar de vosso gesto

A composição alta e milagrosa,

Aqui falta saber, engenho e arte.

 

 

****

 

Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;

 

É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;

 

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade.

 

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

 

****

 

Transforma-se o amador na cousa amada,

Por virtude do muito imaginar;

Não tenho logo mais que desejar,

Pois em mim tenho a parte desejada.

 

Se nela está minha alma transformada,

Que mais deseja o corpo de alcançar?

Em si sómente pode descansar,

Pois consigo tal alma está liada.

 

Mas esta linda e pura semideia,

Que, como o acidente em seu sujeito,

Assim co'a alma minha se conforma,

 

Está no pensamento como ideia;

[E] o vivo e puro amor de que sou feito,

Como matéria simples busca a forma.

 

Luís de Camões

 

*****

 

“Volto às palavras iniciais: este é o mais fascinante livro da nossa poesia, a suprema festa da língua. E não apenas isso: estão aqui alguns dos raros versos — como dizer? — que participam da respiração do mundo e da pulsação das estrelas. Temos de pensar em nomes máximos, Virgílio, Dante, Shakespeare, S. João da Cruz, para encontrar igual esplendor. Igual, não maior. E não são exageros nacionalistas, que nunca tive, nem creio que venha a ter.” [Eugénio de Andrade]

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