Um clássico não morre, transforma-se

Por: Beatriz Sertório a 2021-07-19 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

George Orwell

George Orwell

George Orwell, pseudónimo do escritor Eric Arthur Blair, nasceu na cidade de Motihari, na então Índia britânica, a 25 de junho de 1903, tendo-se mudado para Inglaterra com a família, ainda durante a infância. Escritor e jornalista, Orwell é uma das mais influentes figuras da literatura do século xx. Defensor incondicional da liberdade humana e acérrimo opositor do totalitarismo, inscreve-se no panorama literário com as obras Dias Birmaneses (1934) e Homenagem à Catalunha (1938). Mas será, sem dúvida, com Quinta dos Animais (1945) e Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (1949), duas narrativas com uma atualidade assombrosa, que o autor alcança o reconhecimento internacional. Morreu de tuberculose, em Londres, a 21 de janeiro de 1950.

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Neste Dia Mundial do Livro, lembramos a capacidade única dos livros e da literatura de salvar; o minuto, uma vida, o mundo. Foi o poeta e romancista James Baldwin quem afirmou: “Pensamos que a nossa dor e o nosso desgosto não conhecem precedentes na História do mundo, mas depois lemos.” Talvez seja por isso que a bibllioterapia, que  Clarice Caldin define como “o cuidado com o desenvolvimento do ser mediante a leitura, narração ou dramatização de histórias” tem vindo a conquistar cada vez mais praticantes. Afinal, "as coisas que mais nos atormentam, são as mesmas que nos fazem sentir ligados a todas as pessoas que já viveram".

Vem aí a Noite dos Livros Censurados

No ano em que comemoramos 50 anos da Revolução que instaurou a liberdade em Portugal, o Plano Nacional de Leitura quer lembrar autores que foram e continuam a ser censurados ou banidos, em Portugal e no mundo. Durante a semana de 22 a 28 de abril, é lançado o desafio a bares, centros culturais, associações, livrarias, bibliotecas, institutos, teatros e outros, para que organizem noites de livros censurados, trazendo à luz textos e autores que ao longo da História foram votados à escuridão.

5 novos autores portugueses na corrida ao Prémio Livro do Ano Bertrand

Na sua 8ª edição, o Prémio Livro do Ano Bertrand conta com alguma caras novas entre os finalistas. Da seleção de 70 livros apurados à segunda fase de votações, fazem parte cinco estreias literárias de autores portugueses, com obras de diferentes géneros literários, desde a poesia ao ensaio. Fique a conhecer os livros finalistas deste cinco autores portugueses que prometem dar que falar, e se já é Leitor Bertrand tenha atenção ao seu e-mail para eleger os vencedores – as votações começam no dia 3 de abril.

Quando George Orwell escreveu o seu popular romance distópico sobre o então longínquo ano de 1984, estava longe de imaginar que em 2021 os seus leitores continuassem a conseguir identificar ecos deste clássico na atualidade. Ou será que estava? Afinal, em 1984, o autor britânico escreveu que qualquer um que quisesse ter um vislumbre do futuro, só teria que imaginar uma bota a esmagar um rosto humano, para a eternidade... Seja profecia ou a História a repetir-se, as inúmeras reedições deste clássicosetenta anos após a morte de Orwell, provam que Winston, Julia e o Grande Irmão estão vivos e de boa saúde. Entre as recentes reedições, há uma que conquistou um lugar especial no coração dos leitores Bertrand. 


Com mais de 76 mil votações, a 5.ª edição do primeiro prémio literário atribuído por leitores e livreiros, o Prémio Livro do Ano Bertrand, elegeu os melhores livros de 2020, em cada uma das cinco categorias: Melhor livro de ficção lusófona, Melhor livro de ficção de autores estrangeiros, Melhor reedição de obras essenciais em prosa, Melhor livro de poesia e Melhor reedição de poesia. Este ano, pela primeira vez, as votações de livreiros e leitores Bertrand foram autonomizadas, pelo que foram aferidos, nas cinco categorias, os preferidos dos livreiros e os preferidos dos leitores. O primeiro lugar na categoria de Melhor livro de ficção de autores estrangeiros (seleção dos leitores), foi atribuído à adaptação a novela gráfica de 1984. Mas, afinal, o que torna esta edição especial?

Disse George Orwell que "todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais do que outros." O mesmo se poderia dizer desta adaptação de Fido Nesti, o ilustrador brasileiro que deu uma nova vida à distopia orwelliana1984 - A novela gráfica é uma oportunidade de reler um clássico canónico de uma forma inteiramente diferente, com ilustrações magistrais que cativam até os leitores menos acostumados a este género literário. Entre as razões pelas quais esta obra continua intemporal, o ilustrador nomeia, numa entrevista, o paralelismo que sentiu existir entre a distopia e a realidade vivida no Brasil durante o período da pandemia: “Foi engatada uma forte marcha à ré e tipos curiosos estão saindo dos porões, gente que não acredita na ciência, nas vacinas, engolem tudo o que o novo governo fala e juram que estão pisando em uma Terra plana”; “Durante o trabalho me vi envolto em pelo menos três distopias: o próprio 1984, a pandemia e o governo brasileiro."

A leitura de 1984, precisamente no ano de 1984, altura em que o Brasil vivia ainda sob um regime ditatorial, teve uma enorme influência no seu trabalho, tendo soado como um alarme que o fez perceber com mais clareza o que se passava à sua volta.

 

Fido Nesti a trabalhar na adaptação gráfica de 1984.

Para além da obra de Orwell, publicou também, no Brasil, Os Lusíadas em Quadrinhos, tendo adaptado o texto de Luís de Camões, e participou numa coletânea intitulada Irmãos Grimm em Quadrinhos, para a qual ilustrou a célebre história infanto-juvenil A Gata Borralheira.

 

Em segundo e terceiro lugar na mesma categoria, ficaram os livros A vida mentirosa dos adultos (Relógio d'Água), de Elena Ferrante, e A Cidade de Vapor (Planeta), de Carlos Ruiz Zafón, respetivamente. O primeiro trata-se do mais recente romance da escritora-mistério que conquistou leitores e críticos com a saga composta por A amiga Genial, História do Novo Nome, História de Quem Vai e de Quem Fica e História da Menina Perdida. O segundo, por sua vez, é uma obra póstuma que reúne, pela primeira vez, 11 contos inéditos de Zafón, numa homenagem simbólica ao escritor que nos deixou o ano passado. 

Em relação ao livro vencedor, afirma Sara Figueiredo Costa, jornalista no Expresso, que "Fido Nesti faz um trabalho exemplar de redução do verbo ao essencial e constrói uma narrativa que mantém o enredo original sem prescindir do gesto de criação." Para nós, cumpre também o mais alto desígnio que pode ser atribuído a uma obra: o de provar que um clássico é, verdadeiramente, "um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer" (Italo Calvino).


Leia aqui um excerto de 1984 - A novela gráfica.

Saiba mais sobre os restantes vencedores do Prémio Livro do Ano Bertrand 2020 aqui.

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