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Nome singular da poesia experimental portuguesa, Ana Hatherly faria hoje, dia 8 de maio, 95 anos. Natural do Porto, a sua vasta obra inclui poesia, ficção, ensaio, tradução, performance, cinema e artes plásticas. Mas foi sobretudo pelos seus poemas visuais e pelas suas “tisanas”, pequenos poemas em prosa que foram um trabalho constante da sua vida literária, que ficou conhecida. Sobre o nome dado a estas divagações em prosa, recentemente reeditadas num único volume pela Assírio & Alvim, explicou a autora: «O que me parece que ainda não foi publicamente dito é que estas pequenas narrativas, que pertencem à área do poema em prosa, têm o título de Tisanas porque considero que são infusões e não efusões.» No dia do seu aniversário, recordamo-la com três excertos do livro Tisanas, que começam como começam os mais belos contos de fadas. Era uma vez…
“Um pouco mais de sol” e “era brasa”, um pouco mais de azul” e “era além”. Poeta e ficcionista da Geração d’Orpheu, Mário de Sá-Carneiro deixou-nos há 108 anos, quando se suicidou num hotel em Paris com apenas 25 anos de idade. Prenunciado o seu fim precoce, escreveu: “Quando eu morrer batam em latas/rompam aos saltos e aos pinotes”. Para trás, ficou uma obra singular que o cimentou como um dos mais importantes nomes do Modernismo português.
“Imorais”, “pornográficos” e ofensivos “da moral tradicional da nação”, são algumas das expressões que a PIDE utilizou para se referir aos livros aos quais pertencem estes poemas. Retirados dos livros O Vinho e a Lira, de Natália Correia, Canções, de António Botto, e Minha Senhora de mim, de Maria Teresa Horta, foram sujeitos ao lápis azul e a outros atos mais violentos de censura, como a queima do livro de António Botto num episódio que ficou conhecido como “Literatura de Sodoma”, ou a agressão física que Maria Teresa Horta sofreu às mãos de três elementos da PIDE que lhe disseram: “é para aprenderes a não escreveres como escreves”. Em memória da sua resistência em nome da literatura e da liberdade, hoje lemo-los e celebramo-los.
Um gesto com várias simbologias e significados ao longo da História, sinal de amizade, amor, respeito ou paixão; diz-se que faz bem à nossa saúde mental e até à física, uma vez que obriga ao uso de cerca de 29 músculos e liberta toxinas que contribuem para o nosso bem-estar. Em comemoração do Dia do Beijo, celebrado internacionalmente no dia 13 de abril, partilhamos três poemas sobre esse gesto que Alexandre O’Neill descreveu como uma “força sem fim de duas bocas”. Feliz Dia do Beijo!
No dia em que completaria 66 anos, recordamos Ana Luísa Amaral e o seu olhar singular sobre todas as coisas. Nascida a 5 de abril de 1956, em Lisboa, publicou mais de três dezenas de livros, entre poesia, teatro, ficção, infantojuvenil e ensaio, e obteve várias distinções e prémios em Portugal e no estrangeiro, tais como o Prémio Literário Correntes d’Escritas, o Grande Prémio de Poesia da APE, ou o Prémio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana. Recorde-a em três poemas reunidos na obra O Olhar Diagonal das Coisas, publicada em 2002, ano em que a autora faleceu, vítima de doença prolongada.
“Poeta ácido, lúcido, erótico, político”. Assim era Armando Silva Carvalho, aos olhos do jornalista Luís Miguel Queirós, aquando da notícia da sua morte no dia 1 de junho de 2017. Nascido em Olho Marinho, Óbidos, em 1938, licenciou-se em Direito, mas cedo trocou a advocacia pelo jornalismo, a tradução, o ensino e a poesia. Desde a publicação do seu primeiro livro (Lírica Consumível em 1965) que lhe valeu o Prémio Revelação da Sociedade Portuguesa de Autores, a sua obra mereceu múltiplas distinções, das quais se destacam o Grande Prémio de Poesia APE, o Prémio PEN Clube, o Prémio Fernando Namora, o Grande Prémio DST Literatura e o Prémio Casino da Póvoa / Correntes d’Escritas.
Foi neste domingo, dia 17 de março, que Nuno Júdice nos deixou, com 74 anos. Hoje, o país recorda o poeta, romancista, dramaturgo, ensaísta, crítico, tradutor e professor que ensinou gerações de alunos a perseguir o mistério eterno das palavras.
A coletânea Longos Versos Longos lançada no início deste ano, marca o regresso de João de Melo à poesia. O autor, oriundo da ilha de São Miguel, trabalhou na vida sindical, foi editor de autores portugueses e crítico literário, para além de publicar várias obras premiadas e traduzidas em todo mundo. A sua diversa carreira literária inclui livros de ficção, ensaios, crónicas e livros de viagem, sendo que a sua última obra de poesia, Navegação da Terra, foi publicada em 1980.
Neste Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, num ano em que a lembrança desta tragédia é mais urgente que nunca, honramos a memória daqueles que perderam a vida nesta que é ainda uma ferida aberta na consciência global. Primeiro, com dois poemas que ficaram para sempre associados a esta página negra da História, da autoria do autor italiano Primo Levi, um dos prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, e do pastor luterano Martin Niemöller. Por fim, com dois poemas menos conhecidos da autoria do português António Gedeão e do brasileiro Vinicius de Moraes. Os quatro, verdadeiras testemunhas da que, tal como Pablo Neruda suspeitava, “a poesia tem comunicação secreta com o sofrimento do homem”.
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