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VALES DE COMPRA
O serviço público da Filomena Cautela vai para além do Programa Cautelar e do 5 para a meia-noite. O momento de comprar presentes de Natal pode ser uma verdadeira pressão no ar, por isso, as sugestões da apresentadora vêm mesmo em boa hora. Oferecer livros acaba sempre por ser a melhor opção, afinal de contas: quem é que tem livros a mais? Há um livro para cada pessoa, mesmo para as mais difíceis (sim, até para aquela tia exigente com as leituras). Nunca deixamos os nosso livrólicos ficar mal, por isso partilhamos alguns dos títulos preferidos da Filomena, que certamente darão excelentes presentes:
Em 10 de maio de 1933, foram queimados em praça pública, em várias cidades da Alemanha, mais de 20 000 livros, com o objetivo de purificar a literatura de todos os elementos estranhos que pudessem alienar a cultura alemã. Talvez julgássemos que este tipo de práticas, características de governos extremistas e autoritários, não se repetiriam, acreditando ter aprendido com a história as lições que esta, tão pacientemente, nos oferece. Não podíamos estar mais enganados. Nos últimos anos, um pouco por tudo o mundo, temos assistido a atos semelhantes, em nome da higienização ideológica da literatura e da preservação da segurança das sociedades e dos governos. Vivemos tempos de polarização de opiniões, posições que se extremam num piscar de olhos, constante policiamento da linguagem e da história, acreditando alguns que temos legitimidade para apagar o que de incómodo se escreveu no passado. Alberto Manguel, escritor e bibliófilo, recorda-nos que ler é sempre um ato de poder. É também, acreditamos nós, um ato que exige espírito crítico e reflexão. Devem entidades e governos definir e impor o que pode ou não ser lido? Censurar, fazer desaparecer ou queimar livros, considerados impróprios aos olhos de um século XXI, tantas vezes politicamente correto em excesso, combate desigualdades e torna-nos seres humanos mais justos e empáticos?
Há seis anos, Nélson Mateus empenhou a sua energia numa missão: falar da importância da ligação intergeracional entre avós e netos, valorizando os mais velhos e estreitando laços entre gerações. Na altura, não havia qualquer projeto com estas características e Nélson pôs em marcha o plano de entrevistar avós e netos, traçando, com histórias, o fio das memórias afetivas que nos une. Isabel Stilwell descreveu-o como a construção de uma biblioteca de avós e netos e o mentor da ideia revê-se na descrição, que considera perfeita.
O psiquiatra Robert Neil Butler terá sido o primeiro (ou um dos primeiros) a batizar como ageism (idadismo) a atitude preconceituosa e discriminatória baseada na idade, sobretudo em relação a pessoas idosas. Numa entrevista concedida em 1969 a Carl Bernstein (Washington Post) no âmbito de uma reportagem que o jornalista desenvolveu sobre a contestação suscitada pela decisão de transformar um complexo de apartamentos na pequena vila de Chevy Chase (Maryland) num bairro social para idosos carenciados, nomeadamente afro-americanos, Butler considerou o caso mais uma função de idadismo do que de racismo: “O idadismo irá ombrear com (seria esperança vã dizer antes substituir) o racismo como o grande tema dos próximos 20 ou 30 anos”.
Apesar da crença do comediante e ator Groucho Marx de que a filosofia não é mais do que “a ciência que nos ensina a ser infelizes de maneira mais inteligente”, a filosofia tem sido, desde o início dos tempos, uma ferramenta indispensável para melhor nos conhecermos e ao mundo que nos rodeia.
Se, como nós, sofre de bibliomania aguda, chegou certamente a uma conclusão: livros nunca são demais. Criamos sempre oportunidades para comprar mais alguns, folhear outros tantos, cheirar muitos deles e sonhar com os que ainda não temos. Se, quando planeia uma viagem, aproveita para conhecer (quase todas) as livrarias locais, vai gostar de saber que, além de se abastecer de literatura, há locais onde pode também comer e dormir entre os livros. Sim, o paraíso existe. Faça as malas e agradeça-nos depois.
Em 2002 a UNESCO decretou que o Dia Mundial da Filosofia iria ser assinalado anualmente, na terceira quinta-feira do mês de Novembro. Comemorar este dia significa reconhecer o papel fundamental da Filosofia como espaço e tempo de reflexão, de prática dos pensamentos crítico e criativo e do diálogo. Esta afirmação é muito clara para mim e traduz um pressuposto meu: a Filosofia é útil. Para quem, ao contrário da minha pessoa, não estudou Filosofia e não trabalha nesta área que motivos pode haver para comemorar o Dia Mundial da Filosofia? Vou avançar com 3 razões para que qualquer pessoa, independentemente da sua bagagem filosófica, se dedique ao estudo, à leitura ou ao diálogo com textos filosóficos.
No dia em que José Saramago celebraria 99 anos, recordamos o Prémio Nobel da Literatura (1998), partilhando algumas curiosidades sobre o autor. Já as conhecia?
Quase dois anos depois de termos sido transtornados pela pandemia que alterou o relógio biológico do mundo, nesta edição de Natal da revista Somos Livros decidimos refletir sobre a vida. “Viver é um verbo enorme”, diz-nos José Luís Peixoto (in Abraço, Quetzal) — frase que se fez mantra e mote da nossa campanha de Natal.
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