Retratos Contados | Uma biblioteca feita por avós e netos

Por: Marisa Sousa a 2021-11-24

Últimos artigos publicados

Virginia Woolf | 6 livros essenciais

No dia de hoje (em 1882), nascia, em Londres, Virginia Woolf. Reconhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo britânico, Virginia foi também uma pioneira nos estudos feministas, tendo sido uma das primeiras autoras a escrever sobre o assunto. Apesar do seu final trágico (suicidou-se a 28 de março de 1941, em Lewes),  Woolf continua a ser uma das autoras mais influentes do século XXI. Relembramo-la com 6 livros essenciais da sua obra.

Porquê ler George Orwell em 2022?

Embora tenham sido muitos os autores do passado a escrever obras de ficção passadas no futuro, George Orwell foi talvez o que chegou mais próximo de ver os seus livros serem transportados das estantes das livrarias dedicadas às distopias para as de não-ficção. Escrita em 1948, a sua obra-prima sobre um regime totalitário controlado pela vigilância permanente do Grande Irmão, 1984, voltou ao topo de vendas nos EUA logo após a eleição de Donald Trump, dando provas da sua relevância e atualidade, sete décadas depois. Em 2021, as suas obras entraram no domínio público e multiplicaram-se as novas edições de 1984 e de A Quinta dos animais, provando, mais uma vez, que a obra Orwelliana continua viva e recomenda-se.

5 livros que prometem boas gargalhadas

É cada vez mais urgente saber usar o riso, como arma de combate e resistência, nos dias não - e na vida em geral. A história de amor entre o humor e a literatura é antiga: se rir é bom, rir enquanto lê é ainda melhor. A propósito do Dia Internacional do Riso, que se assinala hoje, partilhamos cinco sugestões de livros que, certamente, lhe vão arrancar boas gargalhadas

UMA BIBLIOTECA FEITA POR AVÓS E NETOS


Há seis anos, Nélson Mateus empenhou a sua energia numa missão: falar da importância da ligação intergeracional entre avós e netos, valorizando os mais velhos e estreitando laços entre gerações. Na altura, não havia qualquer projeto com estas características e Nélson pôs em marcha o plano de entrevistar avós e netos, traçando, com histórias, o fio das memórias afetivas que nos une. Isabel Stilwell descreveu-o como a construção de uma biblioteca de avós e netos e o mentor da ideia revê-se na descrição, que considera perfeita.



Na primeira semana de vida, o Retratos Contados conseguiu entrevistar duas figuras de peso: Ruy de Carvalho e Celeste Rodrigues. “Não tenho nenhuma preferência especial por figuras públicas, mas considero que o peso que estas têm na sociedade pode ajudar a chegar a mais pessoas e alertar a sociedade civil para estas questões”, esclarece Nélson, que cedo se apercebeu de que o projeto rapidamente ganharia contornos muito maiores. O resultado das conversas, inicialmente destinado à publicação de um livro, passou a ser divulgado num site em que podemos viajar pelas memórias de Portugal, através das histórias contadas por avós e netos: 

Falamos da realidade, mas sempre com testemunhos positivos e inspiradores, como é o caso do Ruy de Carvalho, que “só” tem 94 anos, e 80 anos de carreira, e continua extremamente ativo. Com os exemplos de uns, podemos aprender a lidar melhor com as situações de outros.” 

 

Nélson Mateu e Ruy de Carvalho

 

“PREFIRO HISTÓRIAS SENSACIONAIS A HISTÓRIAS SENSACIONALISTAS.”


Nélson não tem dúvidas quando fala do que o move: “Tenho muita vontade de ouvir as pessoas contarem histórias. Publico-as tal qual elas me são contadas, não as edito e não faço perguntas sensacionalistas ou vou atrás da lágrima. Prefiro histórias sensacionais — porque é com essas que nos identificamos — a histórias sensacionalistas. Não é isso que me move; o que me move é perceber que as avós, há uns anos, vestiam collants pretos e usavam lenços na cabeça; muitas ficavam viúvas aos 40 anos e diziam que era a cruz que tinham de carregar; hoje, falo com avós com 80 anos que estão disponíveis para sair e namorar. Isto é que me interessa”.

Alice Vieira foi uma das entrevistadas. Nasceu naquele momento uma relação de amizade (que apelidam de relação avó-neto) e o desejo de a autora participar no projeto: “Combinámos que passaríamos ambos a fazer as entrevistas. Eu continuaria a transcrever os testemunhos e a Alice escreveria uma crónica. Esta ideia ficou, entretanto, parada por causa da pandemia, mas pretendemos retomá-la agora”. Aproveitando o confinamento, a relação de amizade que foi crescendo entre ambos e a comunicação diária que mantinham, passaram a escrever textos sobre a pandemia, que publicaram, inicialmente, nas redes sociais. O sucesso foi tal que, em agosto, nasceu o Diário de uma Avó e de um Neto Confinados em Casa, um livro que pretende ser uma ponte entre gerações. “Quero muito fazer um tour com o livro, a centros de dia e lares, para partilhar com as pessoas estas memórias de Portugal que estão no livro”, confessa Nélson.

Nos próximos tempos, o Retratos Contados pretende solidificar a itinerância, de norte a sul, das duas exposições que tem patentes neste momento — sobre Ruy de Carvalho e sobre Alice Vieira —; continuar a partilhar testemunhos, de conhecidos e desconhecidos, e a realizar tertúlias, cumprindo incansavelmente a sua missão de valorização dos mais velhos: “Quanto mais pudermos atrasar a morte, melhor. Ainda há muitas pessoas que estão subvalorizadas em casa, à espera de que a morte chegue. Queremos desconstruir o peso da velhice”. Pelo caminho, fica a porta aberta para o estabelecimento de parcerias: “Para que  possamos todos, de mão dada, construir um mundo melhor e deixar um legado melhor para os mais novos. A vida passa muito rápido.

 

 

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