Viver (sempre) com um pé na Primavera

Por: Marisa Sousa a 2021-11-15

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Retratos Contados | Uma biblioteca feita por avós e netos

Há seis anos, Nélson Mateus empenhou a sua energia numa missão: falar da importância da ligação intergeracional entre avós e netos, valorizando os mais velhos e estreitando laços entre gerações. Na altura, não havia qualquer projeto com estas características e Nélson pôs em marcha o plano de entrevistar avós e netos, traçando, com histórias, o fio das memórias afetivas que nos une. Isabel Stilwell descreveu-o como a construção de uma biblioteca de avós e netos e o mentor da ideia revê-se na descrição, que considera perfeita.

Contra o Idadismo

O psiquiatra Robert Neil Butler terá sido o primeiro (ou um dos primeiros) a batizar como ageism (idadismo) a atitude preconceituosa e discriminatória baseada na idade, sobretudo em relação a pessoas idosas. Numa entrevista concedida em 1969 a Carl Bernstein (Washington Post) no âmbito de uma reportagem que o jornalista desenvolveu sobre a contestação suscitada pela decisão de transformar um complexo de apartamentos na pequena vila de Chevy Chase (Maryland) num bairro social para idosos carenciados, nomeadamente afro-americanos, Butler considerou o caso mais uma função de idadismo do que de racismo: “O idadismo irá ombrear com (seria esperança vã dizer antes substituir) o racismo como o grande tema dos próximos 20 ou 30 anos”.

10 livros para descomplicar a filosofia

Apesar da crença do comediante e ator Groucho Marx de que a filosofia não é mais do que “a ciência que nos ensina a ser infelizes de maneira mais inteligente”, a filosofia tem sido, desde o início dos tempos, uma ferramenta indispensável para melhor nos conhecermos e ao mundo que nos rodeia.

Quase dois anos depois de termos sido transtornados pela pandemia que alterou o relógio biológico do mundo, nesta edição de Natal da revista Somos Livros decidimos refletir sobre a vida. “Viver é um verbo enorme”, diz-nos José Luís Peixoto (in Abraço, Quetzal) — frase que se fez mantra e mote da nossa campanha de Natal.

 

Um homem tem que viver.
E tu vê lá não te fiques
– um homem tem que viver
com um pé na Primavera.
Tem que viver
cheio de luz. Saber
um dia com uma saudade burra
dizer adeus a tudo isto.
(…)

Fernando Assis Pacheco, in Musa Irregular

 

O meu avô, misterioso artesão das palavras simples, que nunca foi à escola, foi o responsável por tecer, com as mãos marcadas pelo trabalho de anos nas minas de carvão, o inquebrável cordão umbilical que me ligou à poesia desde que me lembro de ser gente. A preparação desta edição teve um impacto que irá reverberar indelevelmente na minha vida. Se o fizer na vossa, teremos cumprido a nossa missão — e esta, permitam-me que vos confesse, tem-nos levado por caminhos tantas vezes imprevistos, mas sempre apaixonantes. Quase dois anos depois de termos sido transtornados pela pandemia que alterou o relógio biológico do mundo, decidimos, na edição que vos chega às mãos um pouco antes do Natal, refletir sobre a vida. “Viver é um verbo enorme”, diz-nos José Luís Peixoto (in Abraço, Quetzal) — frase que se fez mantra e mote da nossa campanha de Natal. Volto ao meu avô, que em tudo via poesia e que esgotou a vida muito antes de a vida o esgotar a ele. Viveu sempre com um pé na Primavera. Esta edição é sobre isso mesmo.


As vidas estão cada vez mais longas. 50% das crianças que nasceram em Portugal, este ano, poderão passar a barreira dos 100 anos de idade. O que estamos a fazer para nos prepararmos para viver mais tempo? A conversa com a demógrafa Maria João Valente Rosa abre-nos a porta para uma realidade que dificilmente poderá continuar a ser ignorada. Os 78 anos de Alice Vieira são um pormenor administrativo que não atrapalha a inconfundível gargalhada e, tão-pouco, a arte de viver, que domina com a urgência de quem ainda tem quase tudo por fazer. J. Rentes de Carvalho, aos 91 anos, continua a assumir a sua inquietação e a ver no sonho e na fantasia a sua válvula de escape. No ano em que o ciclo poético Quintas de Leitura assinala duas décadas de existência, o programador cultural João Gesta, 68 anos, explicou-nos que a poesia lhe ofereceu uma arma poderosa: a capacidade de sonhar. “Um homem que não sonha é um cadáver adiado.

 

Pelo caminho, o mundo conheceu o Prémio Nobel da Literatura 2021, Abdulrazak Gurnah, e nós fomos conhecer os Retratos Contados, de Nélson Mateus, uma biblioteca feita por avós e netos; folheámos as principais novidades literárias que acabaram de chegar às livrarias e, a pensar nas viagens em 2022, escolhemos alguns restaurantes e hotéis que são verdadeiros paraísos para bibliómanos. Recordámos Anthony Bourdain, Dante, Manuel António Pina e Saramago. Não necessariamente por esta ordem. Por falar em ordem, revisitámos alguns dos principais acontecimentos relacionados com a tentativa (crescente) de purificação da literatura. Estaremos condenados a repetir a história enquanto, gradualmente, a vamos apagando?

 

E, no fim, antes de nos despedirmos, voltámos ao início: à vida, que não é, nem pode ser, uma espera, mais ou menos longa, pela morte. O que vamos fazer com os anos que temos pela frente? Talvez devêssemos continuar, ao longo de toda a nossa vida, a perguntar uns aos outros: o que queres ser quando cresceres? Porque a vida é um maravilhoso processo de crescimento, ao longo do qual devemos esgotar todas as nossas paixões, projetos e sonhos. Manoel de Oliveira dedicou-se ao cinema, a tempo inteiro, aos 70 anos, uma idade em que a maioria das pessoas está já reformada. Filmou durante mais 35 anos e foi um exemplo da capacidade de superação de limites, um homem que esteve sempre pronto a começar de novo. Já perto dos 100 anos, ainda ousou dizer a um velho amigo: “Tenho de pensar no meu futuro”.


Caro leitor, o que quer ser quando crescer?

 

(Editorial da Revista Somos Livros, edição Natal 2021)

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