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Tiago Guedes, realizador de cinema e de televisão, argumentista e encenador, nasceu no Porto, em 1971. Formou-se em Publicidade, pela Universidade Fernando Pessoa, e recebeu formação em cinema na New York Film Academy e na Raindance of London. No último ano, o seu nome foi ainda mais falado, muito graças ao enorme sucesso de A Herdade (2019), o primeiro filme português em 14 anos a competir pelo Leão de Ouro, no Festivalde Cinema de Veneza, onde acabaria por ser distinguido com o Prémio Bisato d'Oro da crítica independente para Melhor Realização.
Começou a trabalhar como ator há 20 anos e, desde então, aborda o teatro como uma assembleia humana: um local onde as pessoas se encontram, como num café, para discutir as suas ideias e partilhar o seu tempo. Em 2003, cofundou a companhia Mundo Perfeito com Magda Bizarro, na qual criou e apresentou cerca de 30 espetáculos em mais de 20 países; foi professor de teatro em várias escolas, escreveu argumentos para filmes e séries televisivas, artigos, poesia e ensaios. Com as suas peças mais recentes, obteve um reconhecimento internacional alargado e diversos prémios a nível nacional e internacional. Entre as suas obras mais notáveis figuram By Heart, António e Cleópatra,Bovary, Como ela morre e Sopro, uma das suas últimas criações. Seja através da combinação de histórias reais com ficção, seja reescrevendo clássicos ou adaptando romances, o teatro de Tiago Rodrigues é profundamente enraizado na ideia de escrever para e com os atores, procurando a transformação poética da realidade usando as ferramentas teatrais. Diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II desde 2015, tem sido um construtor de pontes entre cidades e países e, simultaneamente, um anfitrião e um defensor de um teatro vivo.
Dela já se disse que tem “capacidade para criar canções eternas”. Francisca Cortesão nasceu no Porto, em 1983, é escritora de canções, cantora e guitarrista e, desde 2006, faz de Minta & The Brook Trout o veículo principal das suas ideias. Cofundou os They’re Heading West, que já partilharam o palco com mais de cinquenta bandas e artistas. Acumula a participação em bandas, que acompanham ao vivo nomes como o compositor e multi-instrumentista Bruno Pernadas ou Lena d’Água, com a participação em concertos da versão alargada de Mão Verde, projeto de “música para crianças que não se quer infantil”, idealizado pela rapper Capicua e pelo guitarrista Pedro Geraldes.
Integrou o elenco do Ballet Gulbenkian, de 1976 a 1992, sob a direção de Jorge Salavisa, onde foi primeira bailarina e coreógrafa principal. Em 1992, assumiu a direção artística da Companhia de Dança de Lisboa e, em 1995, fundou a Companhia Olga Roriz, da qual é diretora e coreógrafa. O seu reportório na área da dança, teatro e vídeo é constituído por mais de 100 obras, onde se destacam as peças Treze Gestos de um Corpo, Isolda, Casta Diva, Pedro e Inês, Propriedade Privada, Electra e A Sagração da Primavera. Confessa-se obsessiva e transformou muitas das suas preocupações, dúvidas e medos em pontos de partida para espetáculos. Assume que uma existência sem criação ser-lhe-ia insuportável. Na génese de Autópsia, esteve a procura de uma dança que salvasse o mundo. O mundo ainda não foi salvo e, depois do confinamento, Olga prepara-se para encher os palcos com Insónia.
Um casal, decidido a separar-se e de malas feitas, é obrigado pelas autoridades de saúde a uma quarentena. O seu apartamento transforma-se numa arena de proximidade física e distâncias calculadas, onde os restos da vida amorosa e o trautear televisivo de uma pandemia mudam o mundo por dentro e por fora. Ali, sob o regime forçado de uma intimidade perdida, percebemos como, entre antigos amantes, vizinhos e desconhecidos, a saudade das multidões e dos sentimentos sempre estiveram à altura de nos resgatar do peso do presente. Quarentena, Uma História de Amor, o novo romance de José Gardeazabal, coloca-nos no lugar de espetadores de uma história de amor em 40 dias. “A nossa relação desapareceu pelo efeito preguiçoso do tempo”, esclarece o protagonista logo à entrada da narrativa. Será que devemos acreditar nas primeiras impressões ou dar tempo à descoberta? Uma introspeção inesperada, à porta fechada, sobre o que é o amor, onde começa, acaba e recomeça.
Foi em abril de 2019 que demos início à Comunidade Bertrand, procurando unir-nos a quem, como nós, é movido pela paixão pelos livros. Convidámos livrólicos e bloggers de diversos quadrantes a juntarem-se a esta família, dando-lhes um espaço no nosso site e desenvolvendo diversas iniciativas, tendo em vista a promoção da leitura. Isabel Caldeira, responsável pelo blogue Manta de Histórias, foi uma das primeiras a aceitar o nosso desafio.
Partilhamos consigo a segunda parte da entrevista a José Tolentino Mendonça para a revista Somos Livros.
Nasceu a 15 de dezembro de 1965, na Madeira, e teve no mar a sua escola do espanto. A escrita começou como um estranhamento e é da Bíblia ("um grande poema”) que nasce o seu amor pela literatura, essa escola de sabedoria. Investido cardeal em finais de 2019, o "Bibliotecário de Deus e dos Homens”, como já foi apelidado, foi eleito pelo Papa Francisco para ser o guardião do mais vasto arquivo do saber, o grande arquivo do Vaticano. Vê na poesia um lugar de inevitabilidades e gosta de citar Beckett ("falhar, falhar mais, falhar melhor”), para sublinhar a importância da arte de falhar, de esculpir, tirar camadas, para cada vez mais chegar ao osso, ao essencial. No seu novo livro, Rezar de Olhos Abertos (Quetzal) defende que a oração, mais do que um assunto privado, é um problema político, um assunto de conversa para todos. José Tolentino Mendonça, o cardeal poeta, no presente indicativo do verbo viver.
Foi em abril de 2019 que demos início à Comunidade Bertrand, procurando unir-nos a quem, como nós, é movido pela paixão pelos livros. Convidámos livrólicos e bloggers de diversos quadrantes a juntarem-se a esta família, dando-lhes um espaço no nosso site e desenvolvendo diversas iniciativas, tendo em vista a promoção da leitura. Sandra Cavaleiro, responsável pelo blogue Leituras Descomplicadas, aceitou o nosso desafio.
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