Descomplicar as leituras obrigatórias

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2021-02-04 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

José Saramago

José Saramago

Prémio Nobel de Literatura, 1998

Autor de mais de 40 títulos, José Saramago nasceu em 1922, na aldeia de Azinhaga.
As noites passadas na biblioteca pública do Palácio Galveias, em Lisboa, foram fundamentais para a sua formação. «E foi aí, sem ajudas nem conselhos, apenas guiado pela curiosidade e pela vontade de aprender, que o meu gosto pela leitura se desenvolveu e apurou.»
Em 1947 publicou o seu primeiro livro que intitulou A Viúva, mas que, por razões editoriais, viria a sair com o título de Terra do Pecado. Seis anos depois, em 1953, terminaria o romance Claraboia, publicado apenas após a sua morte.
No final dos anos 50 tornou-se responsável pela produção na Editorial Estúdios Cor, função que conjugaria com a de tradutor, a partir de 1955, e de crítico literário.
Regressa à escrita em 1966 com Os Poemas Possíveis.
Em 1971 assumiu funções de editorialista no Diário de Lisboa e em abril de 1975 é nomeado diretor-adjunto do Diário de Notícias.
No princípio de 1976 instala-se no Lavre para documentar o seu projeto de escrever sobre os camponeses sem terra. Assim nasceu o romance Levantado do Chão e o modo de narrar que caracteriza a sua ficção novelesca. Até 2010, ano da sua morte, a 18 de junho, em Lanzarote, José Saramago construiu uma obra incontornável na literatura portuguesa e universal, com títulos que vão de Memorial do Convento a Caim, passando por O Ano da Morte de Ricardo Reis, O Evangelho segundo Jesus Cristo, Ensaio sobre a Cegueira, Todos os Nomes ou A Viagem do Elefante, obras traduzidas em todo o mundo.
No ano de 2007 foi criada em Lisboa uma Fundação com o seu nome, que trabalha pela difusão da literatura, pela defesa dos direitos humanos e do meio ambiente, tomando como documento orientador a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Desde 2012 a Fundação José Saramago tem a sua sede na Casa dos Bicos, em Lisboa.
José Saramago recebeu o Prémio Camões em 1995 e o Prémio Nobel de Literatura em 1998.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou postumamente, a 16 de novembro de 2021, José Saramago com o grande-colar da Ordem de Camões, pelos "serviços únicos prestados à cultura e à língua portuguesas", no arranque das comemorações do centenário do nascimento do escritor.

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Eça de Queiroz

Eça de Queiroz

Eça de Queiroz nasceu a 25 de novembro de 1845 na Póvoa de Varzim e é considerado um dos maiores romancistas de toda a literatura portuguesa, o primeiro e principal escritor realista português, renovador profundo e perspicaz da nossa prosa literária.
Entrou para o Curso de Direito em 1861, em Coimbra, onde conviveu com muitos dos futuros representantes da Geração de 70. Terminado o curso, fundou o jornal , em 1866, órgão no qual iniciou a sua experiência jornalística. Em 1871, proferiu a conferência «O Realismo como nova expressão da Arte», integrada nas Conferências do Casino Lisbonense e produto da evolução estética que o encaminha no sentido do Realismo-Naturalismo de Flaubert e Zola. No mesmo ano iniciou, com Ramalho Ortigão, a publicação de As Farpas, crónicas satíricas de inquérito à vida portuguesa.
Em 1872 iniciou a sua carreira diplomática, ao longo da qual ocupou o cargo de cônsul em Havana, Newcastle, Bristol e Paris. Foi, pois, com o distanciamento crítico que a experiência de vida no estrangeiro lhe permitiu que concebeu a maior parte da sua obra romanesca, consagrada à crítica da vida social portuguesa e de onde se destacam O Primo Bazilio, O Crime do Padre Amaro, A Relíquia e Os Maias, este último considerado a sua obra-prima. Morreu a 16 de agosto de 1900, em Paris.

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Gil Vicente

Gil Vicente é a figura maior do teatro português e ocupa um lugar fundacional na dramaturgia do sistema interliterário da Península Ibérica, onde ombreia com nomes tão importantes como Juan del Encina ou Lucas Fernández. São muitas as incógnitas referentes à sua biografia. Nasceu provavelmente por volta de 1465, tendo vindo a falecer em data próxima a 1536, ao que tudo indica na cidade de Évora. A atividade dramatúrgica de Gil Vicente foi desenvolvida no âmbito da corte portuguesa, abrangendo os reinados de D. Manuel I e D. João III. Deixou-nos, por conseguinte, uma produção teatral permeada por modelos mentais em trânsito para a modernidade, uma obra empenhada na renovação das formas dramáticas medievais de cunho popular, religioso e cortesão. A Copilaçam de 1562, organizada pelos filhos Luís e Paula Vicente, constitui a primeira edição da obra completa de Gil Vicente, reunindo nela os diferentes géneros que cultivou, tanto de carácter devoto (milagres, mistérios ou moralidades), como de índole profana (comédias, farsas ou tragicomédias). De 1502, data da representação do Monólogo do Vaqueiro ou Auto da Visitação, até 1536, ano da Floresta de Enganos, o dramaturgo português averbou 44 peças, das quais 15 são em língua portuguesa, 11 em castelhano e as restantes 18 em ambos os idiomas.

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Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Um dos maiores génios poéticos de toda a nossa literatura, conhecido mundialmente. A sua poesia acabou por ser decisiva na evolução de toda a produção poética portuguesa do século xx. Se nele é ainda notória a herança simbolista, Pessoa foi mais longe, não só quanto à criação (e invenção) de novas tentativas artísticas e literárias, mas também no que respeita ao esforço de teorização e de crítica literária. É um poeta universal, na medida em que nos foi dando, mesmo com contradições, uma visão simultaneamente múltipla e unitária da vida. É precisamente nesta tentativa de olhar o mundo duma forma múltipla (com um forte substrato de filosofia racionalista e mesmo de influência oriental) que reside uma explicação plausível para ter criado os célebres heterónimos – Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, sem contarmos ainda com o semi-heterónimo Bernardo Soares.
Fernando Pessoa nasceu em Lisboa em 1888 (onde virá a falecer) e aos 7 anos partiu para a África do Sul com a sua mãe e o padrasto, que foi cônsul em Durban. Aqui fez os estudos secundários, obtendo resultados brilhantes. Em fins de 1903 faz o exame de admissão à Universidade do Cabo. Com esta idade (15 anos) é já surpreendente a variedade das suas leituras literárias e filosóficas. Em 1905 regressa definitivamente a Portugal; no ano seguinte matricula-se, em Lisboa, no Curso Superior de Letras, mas abandona-o em 1907. Decide depois trabalhar como «correspondente estrangeiro». Em 1912 estreia-se na revista A Águia com artigos de natureza ensaística. 1914 é o ano da criação dos três conhecidos heterónimos e em 1915 lança, com Mário de Sá-Carneiro, José de Almada Negreiros e outros, a revista Orpheu, que dá origem ao Modernismo. Entre a fundação de algumas revistas, a colaboração poética noutras, a publicação de alguns opúsculos e o discreto convívio com amigos, divide-se a vida pública e literária deste poeta.
Pessoa marcou profundamente o movimento modernista português, quer pela produção teórica em torno do sensacionismo, quer pelo arrojo vanguardista de algumas das suas poesias, quer ainda pela animação que imprimiu à revista Orpheu (1915). No entanto, quase toda a sua vida decorreu no anonimato. Quando morreu, em 1935, publicara apenas um livro em português, Mensagem (no qual exprime poeticamente a sua visão mítica e nacionalista de Portugal), e deixou a sua famosa arca recheada de milhares de textos inéditos.

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Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco

Nasceu em 1825, em Lisboa, e faleceu em 1890, em S. Miguel de Seide (Famalicão). Com uma breve passagem pelo curso de Medicina, estreia-se nas letras em 1845 e em 1851 publica o seu primeiro romance, Anátema. Em 1860, na sequência de um processo de adultério desencadeado pelo marido de Ana Plácido, com quem mantinha um relacionamento amoroso desde 1856, Camilo e Ana Plácido são presos, acabando absolvidos no ano seguinte por D. Pedro V. Entre 1862 e 1863, Camilo publica onze novelas e romances, atingindo uma notoriedade dificilmente igualável. Tornou-se o primeiro escritor profissional em Portugal, dotado de uma capacidade prodigiosa para efabular a partir da observação da sociedade, com inclinação para a intriga e análise passionais. Considerado o expoente do romantismo em Portugal, autor de obras centrais na história da literatura nacional, como Amor de Perdição, A Queda dum Anjo e Eusébio Macário, Camilo Castelo Branco, cego e impossibilitado de escrever, suicidou-se com um tiro de revólver a 1 de Junho de 1890.

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Luís de Camões

Luís de Camões

Poeta português (1524-1580) por excelência e um dos grandes nomes da literatura europeia do Renascimento. Pouco ou nada se sabe sobre a sua família, infância e juventude. Terá sido educado nas formas de cultura clássicas e também na literatura moderna, o que se depreende da sua posterior produção literária. Soldado, aventureiro, mulherengo apaixonado, Camões esteve em África e no Oriente português. Envolveu-se em polémicas e com mulheres casadas, esteve preso por diversas vezes e produziu uma das mais importantes obras literárias no quadro da literatura europeia da época. «Os Lusíadas» é uma das obras mais traduzidas da literatura portuguesa e reconhecida como uma das mais poderosas e brilhantes epopeias da literatura do renascimento europeu. A sua lírica e teatro são igualmente notáveis e invulgares, e as cartas um testemunho histórico valiosíssimo.

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Quantas vezes já ouviste dizer que o primeiro capítulo de Os Maias, de Eça de Queiroz, era super aborrecido? Já perdeste a conta às vezes em que te assustaram com a escrita sem pontuação de José Saramago? Já paraste para pensar que Os Lusíadas é muito mais do que “as armas e os barões assinalados” que saíram da grande praia lusitana? 

Estes autores e as suas obras podem ser intimidantes, mas não têm de ser impossíveis. Não penses em desistir antes de dar uma oportunidade aos grandes clássicos da literatura portuguesa! Nós preparamos só para ti algumas sugestões que te vão ajudar a descomplicar as leituras obrigatórias da escola
 


 

Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões

O nosso Camões decidiu escrever uma obra de poesia épica. O que é isso de poesia épica? Inspirado nas epopeias Ilíada e Odisseia, de Homero, o autor português escreveu sobre os grandes feitos dos portugueses, enaltecendo não só as batalhas e descobrimentos, mas também as derrotas e perdas que Portugal sofreu ao longo da sua História. Esta é a primeira coisa que tens de saber sobre Os Lusíadas: é a narrativa de uma viagem que tem como tema central a pátria portuguesa. 

São dez cantos divididos em quatro partes: a Proposição, a Invocação, a Dedicatória e a Narração. Os Lusíadas não têm de ser o Adamastor das tuas leituras! Não só vais ter o apoio do teu professor ou professora, como terás acesso a livros de apoio para melhor te ajudar a compreender as várias temáticas exploradas nesta epopeia. Recomendamos Rimas e os Lusíadas e Resumos – Os Lusíadas.

 

Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente

Enquanto Camões pretendia enaltecer a História de Portugal, Gil Vicente utilizou Auto da Barca do Inferno para a criticar. Apresentado ao público pela primeira vez em 1517, esta peça de teatro utilizou a alegoria – forma indireta de representarmos uma coisa ou uma ideia sob a aparência de outra – para julgar a sociedade portuguesa da época. Todas as personagens representam classes sociais que são julgadas pelo Anjo e pelo Diabo e encaminhadas para o Paraíso ou Inferno, conforme os seus comportamentos durante a sua vida. Para te espicaçar a curiosidade, podemos dizer-te que o fidalgo representava a nobreza corrupta, enquanto o frade servia como alegoria para os maus exemplos do clero português.

Gil Vicente foi revolucionário para o teatro português, impulsionando o futuro do género em Portugal.  Auto da Barca do Inferno está repleto de humor e de passagens interessantes que te vão fazer refletir sobre a sociedade no século XVI. Se precisares de ajuda, tens disponível Resumos – Auto da Barca do Inferno e o livro de apoio, de Maria Gonçalves e Maria Manuela Santos, para melhor compreenderes a obra.  
 

Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco

A primeira coisa que precisas de saber sobre Camilo Castelo Branco é que era um apaixonado. Amor de Perdição foi escrito em 1861, quando o autor se encontrava na prisão pelo crime de adultério praticado com Ana Plácido. Aquela que viria a ser a sua obra mais conhecida está repleta de paralelismos com a própria situação do escritor, representada na história de Simão Botelho e Teresa de Albuquerque: o amor impossível de uma relação destinada a ser infeliz, o recolhimento no convento e a condenação ao exílio, que Camilo Castelo Branco esteve em risco de sofrer.   

Esta foi considerada uma das mais importantes obras do Romantismo em Portugal. Inspirou várias adaptações ao cinema, como a do realizador Manoel de Oliveira, em 1979. Podes saber mais sobre este livro e a sua estrutura em Resumos – Amor de Perdição
 

Os Maias, de Eça de Queiroz

Este romance monumental de Eça de Queiroz é capaz de ser o grande calcanhar de Aquiles dos estudantes do ensino secundário português. Mas não é preciso ficares assustado! Os Maias relata a história das três gerações desta família, começando pelo patriarca Afonso da Maia e terminando no neto, Carlos da Maia. A intriga principal do romance centra-se na história de amor entre Carlos e Maria Eduarda. 

Inicialmente, se for muito difícil para ti, sugerimos que saltes temporariamente o primeiro capítulo do livro, que relata de forma pormenorizada o Ramalhete, a casa da família. Quando terminares a obra, volta a este capítulo e delicia-te com as descrições detalhadas. Acredita que a tua perspetiva irá mudar e tornar-te-ás um admirador da escrita de Eça de Queiroz. Para te ajudar, sugerimos também Leituras Orientadas e Resumos – Os Maias.
 

Memorial do Convento, de José Saramago

José Saramago é um autor muito importante para a literatura portuguesa. Ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 1998 e é reconhecido mundialmente pela sua obra. Dito isto, nem todos têm uma relação fácil com a sua escrita. A ausência de pontuação e os raros parágrafos no texto tornam difícil a sua leitura, principalmente para quem está o está a ler Saramago pela primeira vez. Memorial do Convento, leitura obrigatória no 12.º ano, não é exceção.

Em Cadernos de Lanzarote, o autor escreveu o seguinte: “Todas as características da minha técnica narrativa provêm de um princípio básico segundo o qual todo o ‘dito’ se destina a ser ‘ouvido’. Quero com isto significar que é como narrador oral que me vejo quando escrevo (…)”. A mais importante dica é: ler em voz alta! Com essa técnica, ler Saramago será bem mais fácil do que pensas. Espreita também os resumos da obra e Arrumar Ideias - Memorial do Convento.
 

Mensagem, de Fernando Pessoa

Há um paralelismo evidente no livro de poemas de Fernando Pessoa com Os Lusíadas, de Luís de Camões. Mensagem foi escrito em 1934, um ano antes da morte do grande poeta, conhecido pelos seus heterónimos. São 44 poemas, considerados pelo próprio autor como “um só poema”, onde é enaltecida a bravura e a grandiosidade do povo português, por oposição à decadência da época, tema que é recorrente na obra de Pessoa. 

Esta colectânea de poemas está dividida em três partes: Brasão, onde são enaltecidas algumas das figuras da História de Portugal; Mar Português, que relembra a época dos Descobrimentos; e O Encoberto, onde é mencionado D. Sebastião e o nevoeiro que, desde então, assombra o país. Uma obra repleta de metáforas, com uma lírica muito típica de Fernando Pessoa, e sobre a qual podes saber mais em Leituras Orientadas - Fernando Pessoa ou Resumos – Mensagem.
 

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Para que lhe sobre mais tempo para as suas leituras.