Quantas vezes já ouviste dizer que o primeiro capítulo de Os Maias, de Eça de Queiroz, era super aborrecido? Já perdeste a conta às vezes em que te assustaram com a escrita sem pontuação de José Saramago? Já paraste para pensar que Os Lusíadas é muito mais do que “as armas e os barões assinalados” que saíram da grande praia lusitana?
Estes autores e as suas obras podem ser intimidantes, mas não têm de ser impossíveis. Não penses em desistir antes de dar uma oportunidade aos grandes clássicos da literatura portuguesa! Nós preparamos só para ti algumas sugestões que te vão ajudar a descomplicar as leituras obrigatórias da escola.
Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões
O nosso Camões decidiu escrever uma obra de poesia épica. O que é isso de poesia épica? Inspirado nas epopeias Ilíada e Odisseia, de Homero, o autor português escreveu sobre os grandes feitos dos portugueses, enaltecendo não só as batalhas e descobrimentos, mas também as derrotas e perdas que Portugal sofreu ao longo da sua História. Esta é a primeira coisa que tens de saber sobre Os Lusíadas: é a narrativa de uma viagem que tem como tema central a pátria portuguesa.
São dez cantos divididos em quatro partes: a Proposição, a Invocação, a Dedicatória e a Narração. Os Lusíadas não têm de ser o Adamastor das tuas leituras! Não só vais ter o apoio do teu professor ou professora, como terás acesso a livros de apoio para melhor te ajudar a compreender as várias temáticas exploradas nesta epopeia. Recomendamos Rimas e os Lusíadas e Resumos – Os Lusíadas.
Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente
Enquanto Camões pretendia enaltecer a História de Portugal, Gil Vicente utilizou Auto da Barca do Inferno para a criticar. Apresentado ao público pela primeira vez em 1517, esta peça de teatro utilizou a alegoria – forma indireta de representarmos uma coisa ou uma ideia sob a aparência de outra – para julgar a sociedade portuguesa da época. Todas as personagens representam classes sociais que são julgadas pelo Anjo e pelo Diabo e encaminhadas para o Paraíso ou Inferno, conforme os seus comportamentos durante a sua vida. Para te espicaçar a curiosidade, podemos dizer-te que o fidalgo representava a nobreza corrupta, enquanto o frade servia como alegoria para os maus exemplos do clero português.
Gil Vicente foi revolucionário para o teatro português, impulsionando o futuro do género em Portugal. Auto da Barca do Inferno está repleto de humor e de passagens interessantes que te vão fazer refletir sobre a sociedade no século XVI. Se precisares de ajuda, tens disponível Resumos – Auto da Barca do Inferno e o livro de apoio, de Maria Gonçalves e Maria Manuela Santos, para melhor compreenderes a obra.
Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco
A primeira coisa que precisas de saber sobre Camilo Castelo Branco é que era um apaixonado. Amor de Perdição foi escrito em 1861, quando o autor se encontrava na prisão pelo crime de adultério praticado com Ana Plácido. Aquela que viria a ser a sua obra mais conhecida está repleta de paralelismos com a própria situação do escritor, representada na história de Simão Botelho e Teresa de Albuquerque: o amor impossível de uma relação destinada a ser infeliz, o recolhimento no convento e a condenação ao exílio, que Camilo Castelo Branco esteve em risco de sofrer.
Esta foi considerada uma das mais importantes obras do Romantismo em Portugal. Inspirou várias adaptações ao cinema, como a do realizador Manoel de Oliveira, em 1979. Podes saber mais sobre este livro e a sua estrutura em Resumos – Amor de Perdição.
Os Maias, de Eça de Queiroz
Este romance monumental de Eça de Queiroz é capaz de ser o grande calcanhar de Aquiles dos estudantes do ensino secundário português. Mas não é preciso ficares assustado! Os Maias relata a história das três gerações desta família, começando pelo patriarca Afonso da Maia e terminando no neto, Carlos da Maia. A intriga principal do romance centra-se na história de amor entre Carlos e Maria Eduarda.
Inicialmente, se for muito difícil para ti, sugerimos que saltes temporariamente o primeiro capítulo do livro, que relata de forma pormenorizada o Ramalhete, a casa da família. Quando terminares a obra, volta a este capítulo e delicia-te com as descrições detalhadas. Acredita que a tua perspetiva irá mudar e tornar-te-ás um admirador da escrita de Eça de Queiroz. Para te ajudar, sugerimos também Leituras Orientadas e Resumos – Os Maias.
Memorial do Convento, de José Saramago
José Saramago é um autor muito importante para a literatura portuguesa. Ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 1998 e é reconhecido mundialmente pela sua obra. Dito isto, nem todos têm uma relação fácil com a sua escrita. A ausência de pontuação e os raros parágrafos no texto tornam difícil a sua leitura, principalmente para quem está o está a ler Saramago pela primeira vez. Memorial do Convento, leitura obrigatória no 12.º ano, não é exceção.
Em Cadernos de Lanzarote, o autor escreveu o seguinte: “Todas as características da minha técnica narrativa provêm de um princípio básico segundo o qual todo o ‘dito’ se destina a ser ‘ouvido’. Quero com isto significar que é como narrador oral que me vejo quando escrevo (…)”. A mais importante dica é: ler em voz alta! Com essa técnica, ler Saramago será bem mais fácil do que pensas. Espreita também os resumos da obra e Arrumar Ideias - Memorial do Convento.
Mensagem, de Fernando Pessoa
Há um paralelismo evidente no livro de poemas de Fernando Pessoa com Os Lusíadas, de Luís de Camões. Mensagem foi escrito em 1934, um ano antes da morte do grande poeta, conhecido pelos seus heterónimos. São 44 poemas, considerados pelo próprio autor como “um só poema”, onde é enaltecida a bravura e a grandiosidade do povo português, por oposição à decadência da época, tema que é recorrente na obra de Pessoa.
Esta colectânea de poemas está dividida em três partes: Brasão, onde são enaltecidas algumas das figuras da História de Portugal; Mar Português, que relembra a época dos Descobrimentos; e O Encoberto, onde é mencionado D. Sebastião e o nevoeiro que, desde então, assombra o país. Uma obra repleta de metáforas, com uma lírica muito típica de Fernando Pessoa, e sobre a qual podes saber mais em Leituras Orientadas - Fernando Pessoa ou Resumos – Mensagem.