Correntes d'Escritas 2021: programa e finalistas

Por: Bertrand Livreiros a 2021-02-23 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Luis Sepúlveda

Luis Sepúlveda

Foi a 4 de outubro de 1949, na localidade chilena de Ovalle, a mais de 300 km a norte da capital, Santiago, que nasceu Luis Sepúlveda. Filho de um militante do Partido Comunista e proprietário de um restaurante, e de uma enfermeira de origens mapuche (um povo indígena da região centro-sul do Chile e do sudoeste da Argentina), Luis Sepúlveda cresceu no bairro San Miguel de Santiago e estudou no Instituto Nacional, onde começou a escrever por influência de uma professora de História.
Aos 15 anos ingressou na Juventude Comunista do Chile, da qual foi expulso em 1968. Depois disso, militou no Exército de Libertação Nacional do Partido Socialista. Após os estudos secundários, ingressou na Escola de Teatro da Universidade de Chile, da qual chegou a ser diretor. Anos mais tarde, licenciou-se em Ciências da Comunicação pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha.
Da sua vasta obra – toda ela traduzida em Portugal –, destacam-se os romances O Velho que Lia Romances de Amor e História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar. Mas todos os seus livros conquistaram em todo o mundo a admiração de milhões de leitores.
Em 2016, recebeu o Prémio Eduardo Lourenço – que visa galardoar personalidades ou instituições com intervenção relevante no âmbito da cooperação e da cultura ibérica –, uma honra de definiu como «uma emoção muito especial».
Para além de romancista, foi realizador, roteirista, jornalista e ativista político. Em 1970 venceu o Prémio Casa das Américas pelo seu primeiro livro, Crónicas de Pedro Nadie, e também uma bolsa de estudo de cinco anos na Universidade Lomonosov de Moscovo. No entanto, só ficaria cinco meses na capital soviética, uma vez que foi expulso da universidade por “atentado à moral proletária”. Membro ativo da Unidade Popular chilena nos anos 70, teve de abandonar o país após o golpe militar de Augusto Pinochet. Viajou e trabalhou no Brasil, Uruguai, Bolívia, Paraguai e Peru. Viveu no Equador entre os índios Shuar, participando numa missão de estudo da UNESCO. Em 1979 alistou-se nas fileiras sandinistas, na Brigada Internacional Simon Bolívar, que lutava contra a ditadura de Anastácio Somoza. Depois da vitória da revolução sandinista, trabalhou como repórter.
Em 1982 rumou a Hamburgo, movido pela sua paixão pela literatura alemã. Nos 14 anos em que lá viveu, alinhou no movimento ecologista e, enquanto correspondente da Greenpeace, atravessou os mares do mundo, entre 1983 e 1988. Em 1997, instalou-se em Gijón, em Espanha, na companhia da mulher, a poetisa Carmen Yáñez. Nesta cidade fundou e dirigiu o Salão do Livro Ibero-americano, destinado a promover o encontro de escritores, editores e livreiros latino-americanos com os seus homólogos europeus.
Luís Sepúlveda vendeu mais de 18 milhões de exemplares em todo o mundo e as suas obras estão traduzidas em mais de 60 idiomas. Em Portugal, era presença assídua na Feira do Livro de Lisboa, em sessões de autógrafos onde era bem visível o carinho do público português pelos seus romances, e esteve presente em quase todas as 21 edições do Festival Correntes d’Escritas, na Póvoa do Varzim, a última das quais entre 18 e 23 de fevereiro de 2020.
A 29 de fevereiro de 2020, Luis Sepúlveda foi diagnosticado com Covid-19, naquele que seria o primeiro caso de infeção nas Astúrias, e consequentemente internado no Hospital Universitário Central de Astúrias, onde veio a falecer a 16 de abril.

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Se sempre quis ir àquele que é um dos maiores festivais literários do nosso país, mas nunca conseguiu deslocar-se até Póvoa de Varzim, não tem desculpas para não assistir à 22ª edição do Corrente d'Escritas. Realizada num formato inteiramente online, nos dias 26 e 27 de fevereiro, contará, como sempre, com a presença de vários escritores nacionais e internacionais, a cujas conversas poderá assistir na íntegra nas páginas de Facebook do município da Póvoa de Varzim e do festival. Os temas das mesas online terão por base afirmações de Luis Sepúlveda e citações retiradas das suas obras, numa homenagem assumida ao escritor chileno que esteve presente na edição anterior do festival, e que faleceu, vítima de Covid-19, no dia 16 de abril de 2020. 

Para a organização do Correntes d'Escritas, a hipótese de cancelar esta edição devido aos constrangimentos do confinamento nunca se colocou, tendo recordado, num comunicado sobre a mesma, as palavras de Mia Couto, que sobre o festival certa vez afirmou que “uma vez participado nos parece afirmado, sem pestanejo, que estaremos sempre lá, em toda a edição que houver. Porque somos nós as tais Correntes.” Fique a conhecer as obras que estão a concorrer para o prémio literário Casino da Póvoa, cujo vencedor será anunciado no primeiro dia do festival, e a programação completa, e marque já na sua agenda as conversas que não vai poder perder.


OS FINALISTAS

Instituído em 2003, o Prémio Literário Casino da Póvoa, premeia, anualmente, uma obra em português, editada em Portugal, e escrita por autores de língua portuguesa ou castelhana/hispânica. Com um valor monetário de 20 mil euros, é atribuído nos anos pares a obras do género novela ou romance, e nos anos ímpares a obras de poesia. Tendo a edição anterior galardoado o autor angolano Pepetela, pelo seu romance Sua Excelência, de Corpo Presente, o júri desta edição selecionou 11 obras de poesia, editadas entre julho de 2018 e junho de 2020, como finalistas do prémio:


A obra vencedora será anunciada na cerimónia de abertura do festival, na sexta-feira, dia 26 de fevereiro, às 11h00.


O PROGRAMA

Com início às 11h00 de sexta-feira, dia 26 de fevereiro, com o anúncio do vencedor do prémio literário Casino da Póvoa, esta edição do Correntes d'escritas promete "uma intensa viagem por entre mesas, conversas a dois, partilhas de memórias, sugestões, leituras e projetos especiais como As Penélopes, Residência Casa Vazia, Vozes transeuntes nos lugares da poesia, Revista Correntes d’ Escritas e Leituras em família". Pelo meio da emissão, haverá ainda espaço para memórias, leituras, poesia, sugestões de livros e muito mais.

O evento encerra no sábado, dia 27 de fevereiro, às 18h30, com uma leitura da célebre História da Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar, de Luis Sepúlveda, pela equipa das Correntes.

Consulte abaixo a programação completa.

 

Sexta-feira, 26 de fevereiro

11h00 - Cerimónia de Abertura

  • Apresentação da Revista Correntes D’ Escritas nº. 20 inteiramente dedicada a Luis Sepúlveda;
  • Anúncio dos vencedores dos Prémios Literários Casino da Póvoa e Fundação Dr. Luís Rainha Correntes d’ Escritas.
     

12h30 - Abertura da Exposição Mundo Sepúlveda

  • Diário Fotográfico Íntimo de una amistad;
  • Fotografias de Daniel Mordzinski.
     

13h00 - Documentário Dez/Vinte Correntes, de João Cayatte
 

14h00 - Conversas a 2 “A memória tem tendência para a ficção”

  • Ana Daniela Soares convida Alberto Manguel.
     

15h00 - Mesa 1 “Sonhamos que é possível outro mundo”

  • Ivo Machado (moderador);
  • Ana Luísa Amaral;
  • Hélia Correia;
  • Patrícia Melo.
     

17h00 - Conversas a 2 “À beira do vazio compreendeu o mais importante”

  • Gonçalo M. Tavares convida Mariana, a miserável.
     

18h00 - Mesa 2 “Escrevo porque tenho memória e cultivo-a escrevendo”

  • Rui Zink (moderador);
  • Abdulai Sila;
  • Afonso Cruz;
  • Josep Maria Esquirol.
     

19h00 - Conversas a 2 “Temos de vigiar constantemente a estupidez”

  • Alex Gozblau convida Catarina Sobral.

 

Sábado, 27 de fevereiro

11h00 - Mesa 3 “Só voa quem se atreve a fazê-lo”

  • Carlos Vaz Marques (moderador);
  • Álvaro Laborinho Lúcio;
  • Lídia Jorge;
  • Pepetela.
     

12h30 - Conversas a 2 “A poesia declara-se pouco rentável”

  • Filipa Leal convida Francisca Camelo.
     

14h00 - Conversas a 2 “Os pobres perdoam tudo, menos o fracasso”

  • Valter Hugo Mãe convida Simone Paulino.
     

15h00 - Apresentação do projeto As Penélopes

 

15h30 - Conversas a 2 “Admiro os resistentes”

  • Ondjaki convida Manuel Rui.
     

16h30 - Apresentação da Residência “Casa Vazia”
 

17h00 - Mesa 4 “Seria insuportável ser imortal”

  • Maria Flor Pedroso (moderadora);
  • Fernanda Torres;
  • Juan Gabriel Vásquez;
  • Onésimo Teotónio Almeida.
     

18h30 - Encerramento da 22ª edição das Correntes d’ Escritas com a Leitura da História da Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar, de Luis Sepúlveda, pela equipa das Correntes.

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