Ontem, dia 5 de junho, pelas 17h, o Auditório Sul da Feira do Livro de Lisboa foi palco da cerimónia de divulgação do vencedor da 3ª edição do Prémio Livreiros Bertrand para Autores Lusófonos. Este prémio, atribuído pela primeira vez em 2023, reconhece a melhor obra original em língua portuguesa, de autor lusófono, cuja primeira edição tenha sido publicada no ano transato. O vencedor recebe um prémio pecuniário no valor de dez mil euros e um lugar de destaque nas livrarias Bertrand. Os dez finalistas foram escolhidos na primeira fase da votação do Prémio Livro do Ano Bertrand de entre as obras mais votadas nas categorias que incluem livros de autores lusófonos publicados em 2023. A escolha da obra vencedora coube aos livreiros da rede da livraria mais antiga do mundo, através de voto secreto e exclusivo durante o mês de maio de 2025.
O grande vencedor desta 3ª edição foi A Desobediente, de Patrícia Reis. A biografia de Maria Teresa Horta mereceu a preferência dos mais de quatrocentos livreiros das livrarias Bertrand, tendo sido também a escolha unânime dos leitores e livreiros para a categoria de Não Ficção do Prémio Livro do Ano Bertrand, anunciado em abril. Na cerimónia de ontem, a autora Patrícia Reis esteve presente para uma conversa muito especial, moderada pela jornalista Maria João Costa, onde recordou o processo de escrita deste livro, abordando em particular a experiência de conhecer e biografar Maria Teresa Horta, que nos deixou em fevereiro deste ano. Esta enorme figura do século XX português, pioneira do movimento feminista e da resistência ao Estado Novo, é retratada em A Desobediente também enquanto mulher e menina, numa perspetiva rara resultante do processo de conversa e partilha direta que gerou esta obra. Nas palavras de Patrícia Reis, “se tu percebesses a Teresinha, tu percebias a Teresa, tu percebias o vulcão que era a Teresa, a revolta da Teresa, o sentimento de traição, de abandono.” Leia a entrevista completa, na nossa edição de julho da Revista Somos Livros.
A nossa cerimónia contou também com a revelação dos favoritos dos livreiros na categoria de Ficção Lusófona do Prémio Livro do Ano Bertrand: Deriva, de Madalena Sá Fernandes foi o 3º livro mais votado, seguido de Catarina e a Beleza de Matar Fascistas de Tiago Rodrigues. O segundo livro de Maria Francisca Gama, A Cicatriz, alcançou o 1º lugar nesta categoria, tendo sido também eleito como o favorito dos leitores.