Maria Teresa Horta, poeta, feminista, desobediente

Por: Beatriz Sertório a 2024-03-11

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A Desobediente
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Desobedecer
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A Selva
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Minha Senhora de Mim
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A Desobediente, de Patrícia Reis

Preferimos o termo “poeta” pela mesma razão que Sophia de Mello Breyner recusava a conotação de inferioridade do termo “poetisa”. Romancista, jornalista e feminista desde que teve consciência das desigualdades que existiam entre os homens e as mulheres, Maria Teresa Horta, com 86 anos, viu chegar às livrarias a sua primeira biografia, pela mão de Patrícia Reis e da editora Contraponto. Dividida em cinco partes que vão desde as suas primeiras memórias da infância às horas solitárias da terceira idade, A Desobediente resulta de dezenas de conversas entre a autora e a biógrafa, e de uma compreensão daquilo que sempre pautou a vida de Teresa: ”a desobediência, face à absurdez, à irracionalidade do mundo” (Frédéric Gros, Desobedecer). Desvendamos um pouco daquilo que foi, segundo Patrícia Reis, uma vida inteira à beira do abismo, em cinco excertos memoráveis
 símbolo daquilo que tem sido a salvação de Maria Teresa Horta até hoje: os livros, as palavras, a poesia.


Mãe-perigo

Os primeiros capítulos da vida de Maria Teresa Horta são marcados por uma relação complicada com a mãe. Desde a depressão pós-parto ao consequente abandono, a ausência de Carlota Maria Mascarenhas abriu uma ferida que nunca mais se fechou.

 

“Eu estava num carrinho, deitada, virada para a minha mãe. Lembro-me muito bem. Foi no dia em que nasci. Nasci em casa. A médica, Teresa Paulo, estava ali com a minha mãe. Esta memória deve-se à psicanálise, é aí que conseguimos lembrar coisas mágicas. É também um susto. Não me recordava de nada disto antes de fazer psicanálise. Quando contei à minha mãe, ela ficou assustada, pensava que a psicanálise era perigosa. Disse-me para eu acabar com aquilo. A minha recordação inaugural tinha de ser a minha mãe. O que é de mais perto de nós é sempre com as mães.” (página 23)


O fascínio pelas palavras

A avó Camila, feminista e sufragista, foi a principal responsável por introduzir Maria Teresa Horta ao mundo dos livros
 um mundo que era exclusivo dos homens. Às escondidas, e com a avó como cúmplice, foi desvendando os mistérios da literatura na biblioteca da sua casa, tendo chegado a levar duas bofetadas da mãe por ter sido apanhada a ler A Selva, de Ferreira de Castro.
 

“A avó lia-lhe em voz alta. Falava-lhe das narrativas bíblicas, deixava-a escolher um volume ao acaso e depois advertia: ‘Não vais entender esse livro.’ Teresinha teimava, talvez não fosse capaz de perceber, já se veria, por isso a avó que lesse na mesma. Camila então lia umas linhas, perguntava se a criança entendia, e a resposta eram sempre positiva. Mesmo que não entendesse, achava sempre lindo que as palavras viessem dali, dos livros. E cada palavra tinha um peso específico, uma música, isso era um dos mistérios que gostaria de desvendar com alguma pressa, porque intuía que ali, nas palavras, estava um caminho que era seu.” (página 60)


Um encontro inesquecível na livraria mais antiga do mundo

Em 1960, Maria Teresa Horta estreia-se na poesia com a publicação do seu primeiro livro, Espelho Inicial, que distribuiu, entre outros espaços, na livraria Bertrand do Chiado. Apesar do machismo inerente ao meio literário da altura, conheceu aí o seu primeiro grupo literário, que a acolheu e protegeu. Mais tarde, viria a fazer parte do grupo Poesia 61, convivendo de perto com escritores como Fiama Hasse Pais Brandão, Luiza Neto Jorge e Gastão Cruz.

 

“Um dia, chegou à Bertrand do Chiado e não havia nada, nenhum exemplar. Perguntou, até com tristeza, se já os tinham tirado do escaparate. Responderam-lhe: ‘Não, vendemos aos escritores que estão aqui todos os dias.’ A curiosidade tomou-a de assalto. Havia um grupo de senhores que se sentavam ali na Bertrand do Chiado a conversar, entre eles Aquilino Ribeiro (1885-1963) e Ferreira de Castro (1898-1974). Com vergonha, a sentir-se fascinada, Teresa percorreu os corredores pé ante pé, para os ouvir, a tentar perceber as conversas daquele grupo literário. Até que Aquilino Ribeiro a abordou. ‘Não me deve conhecer. Eu conheço-a porque li o seu livro. Já a vi aqui muitas vezes, sou o Aquilino.’” (páginas 134-135)


Se uma Maria incomoda muita gente… 

Três Marias incomodam muito mais. Se Maria Teresa Horta já fazia girar cabeças com a sua poesia erótica que levou Isabel do Carmo a observar que “antes da Teresa, as mulheres não tinham corpo da cintura para baixo”, quando se juntou a Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa para escreverem um livro a seis mãos, era certo que o resultado seria estrondoso. A ideia surgiu após uma agressão provocada por dois membros da PIDE a Maria Teresa Horta após a publicação de Minha Senhora de Mim, durante a qual lhe foi dito: “Isto é para aprenderes a não escreves como escreves.”

 

“Enquanto atravessavam o Bairro Alto em direção ao restaurante onde Maria Isabel Barreno as esperava, surgiu a pergunta de Maria Velho da Costa: ‘Se umam mulher sozinha faz esta balbúrdia toda, esta confusão, o que aconteceria se fossem três mulheres?’ Teresa ficou curiosa e quis saber qual era a ideia de Maria Velho da Costa. ‘O que seria se fôssemos três a escrever um livro?’ Com esta hipótese lançada, a vida de Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno iria mudar radicalmente.” (página 222)


“Ao Luís todos estes poemas”

Depois de um primeiro matrimónio contraído por mero acordo, Maria Teresa Horta conheceu o jornalista Luís de Barros, com quem viria a viver uma paixão que durou 56 anos, até ao dia da sua morte. Desde que o conheceu, dedicou-lhe todas as suas obras, poemas e horas, que desde a sua morte lhe parecem vazias de sentido. Em 2021, dedicou-lhe um livro intitulado Paixão, em homenagem a esse amor “intenso, catártico, apaixonante”.

 

“É um livro de poesia. O meu marido morreu repentinamente há um ano, foi uma violência muito grande para mim. Ele é a minha paixão, ao final de cinquenta e seis anos juntos. No dia seguinte ao funeral, disse para mim: ‘Vou escrever um livro e o título vai ser ‘Paixão’. Este livro é para ele, como todos os outros que escrevi. É um livro de poesia de amor dividido em seis partes. Nunca pensei ser capaz de fazer isto. Inicialmente, a escrita deste livro ajudou-me muito. Todos os dias, escrevia, escrevia e escrevia… a poesia salva. A poesia salva-me.” (páginas 390-391)

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