Hoje, o Porto transforma-se numa verdadeira cidade literária com a estreia do festival BABELL, a decorrer de 24 a 29 de junho, um dos mais ambiciosos festivais literários europeus. Durante cinco dias, ruas, praças, teatros e livrarias deixarão de ser apenas cenário e passarão a palco vivo de encontros entre autores, leitores, música, poesia e pensamento.
Promovido pela Fundação Livraria Lello e com o apoio da Câmara Municipal do Porto, o festival propõe uma ideia simples, mas poderosa: fazer da cidade um livro aberto.
O que é o BABELL?
O BABELL é um festival literário e cultural que ocupa o espaço público do Porto, transformando a cidade numa “cidade-livro”.
Mais do que um evento tradicional em tendas e auditórios fechados, o festival espalha-se por vários pontos do centro histórico — desde praças emblemáticas a ruas e monumentos icónicos — criando percursos literários a curta distância, pensados para serem feitos a pé.
A programação inclui conversas com autores, performances diversas, concertos, exposições, poesia ao vivo e outras iniciativas que cruzam a literatura com as artes contemporâneas.
Entre os convidados estão nomes de destaque da literatura mundial, incluindo autores distinguidos com o Prémio Nobel e o Booker Prize, bem como escritores portugueses de referência.
Onde acontece?
O festival distribui-se por vários espaços da cidade invicta, com especial incidência no centro histórico do Porto, num percurso pensado para ser vivido de forma contínua e pedonal.
Entre os locais previstos estão:
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Praças e espaços públicos do centro da cidade
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Avenidas emblemáticas e zonas históricas
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Livrarias e alfarrabistas parceiros
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Espaços culturais e auditórios
Como funciona o acesso aos eventos?
Uma das características mais marcantes do BABELL é o seu inovador modelo de acesso, que faz do livro uma “moeda cultural” de entrada.
Para assistir às sessões, os visitantes devem:
1. Comprar um livro numa das 51 livrarias ou alfarrabistas aderentes da cidade — entre elas, as cinco Livrarias Bertrand do Porto;
2. Receber um código associado à compra;
3. Usar esse código para reservar bilhetes para as sessões no site oficial do festival.
Os bilhetes poderão ser adquiridos até o último dia do festival, dia 29, e alunos do ensino secundário do concelho do Porto terão entrada livre nas sessões.
Contudo, a participação está sujeita à lotação de cada espaço.
Que autores poderá ver no BABELL?
Um dos grandes atrativos do BABELL é a oportunidade de presenciar alguns dos nomes mais relevantes da literatura e do pensamento contemporâneos. Entre autores premiados, ensaístas, filósofos e vozes incontornáveis da literatura portuguesa, apresentamos alguns dos encontros que merecem lugar na sua agenda.
Pode encontrar a lista completa dos autores e artistas que encontrará no festival aqui.
Byung-Chul Han
24 de junho, 15h30
Mosteiro de Leça do Balio
Byung-Chul Han, um dos filósofos mais influentes da atualidade inaugura o festival. Autor de obras como A Sociedade do Cansaço e A Sociedade da Transparência, é uma oportunidade rara para ouvir uma das vozes mais marcantes do pensamento contemporâneo.
A conferência de Han englobará igualmente a inauguração do Jardim do Pensamento, que será apadrinhado pelo autor – um projeto de Álvaro Siza Vieira em colaboração com o arquiteto paisagista Sidónio Pardal.
Djaimilia Pereira de Almeida e Bruno Vieira Amaral
26 de junho, 12h
Largo de Santo Ildefonso
Dois dos nomes mais importantes da literatura portuguesa contemporânea juntar-se-ão para uma conversa que promete refletir sobre identidade, a memória e a sociedade.
Conceição Evaristo e Milton Hatoum
26 de junho, 16h
Museu Nacional Soares dos Reis
Duas das vozes mais reconhecidas da literatura brasileira atual participarão numa conversa a 26 de junho. A autora de Ponciá Vicêncio e Olhos d'Água partilhará o palco com Hatoum, conhecido pelas suas obras Dois Irmãos e Pontos de Fuga.
Ana Paula Tavares e Dulce Maria Cardoso
26 de junho, 18h
Museu Nacional Soares dos Reis
As autoras incontornáveis na literatura portuguesa sentar-se-ão para uma conversa onde a literatura nasce “da memória, da história e das suas fraturas”.
Margaret Atwood
27 de junho, 16h
Praça Gomes Teixeira
Autora do emblemático A História de Uma Serva e uma das escritoras mais influentes das últimas décadas, Margaret Atwood terá uma sessão literária dedicada à sua obra.
Olga Tokarczuk
27 de junho, 18h
Praça Gomes Teixeira
Vencedora do Prémio Nobel da Literatura, Olga Tokarczuk participa em dois momentos do: numa conversa coletiva durante a tarde e numa sessão literária individual ao final do dia.
Julian Barnes
28 de junho, 16h30
Praça Gomes Teixeira
O autor britânico de A Única História e Partida é um dos destaques do penúltimo dia do festival.
László Krasznahorkai
28 de junho, 18h30
Praça Gomes Teixeira
Considerado uma das figuras mais importantes da literatura europeia contemporânea, o escritor húngaro sobe ao palco para uma sessão literária dedicada à sua obra.
Salman Rushdie
28 de junho, 21h30
Praça Gomes Teixeira
O encerramento do fim de semana fica marcado pela presença de Salman Rushdie, autor de Os Versículos Satânicos e A Casa Golden, numa sessão literária exclusiva.
Gonçalo M. Tavares e Lídia Jorge
29 de junho, 17h
Clube dos Fenianos
Celebrando a literatura portuguesa com dois dos seus nomes mais reconhecidos, os autores sentar-se-ão para uma conversa.
Valter Hugo Mãe
29 de junho, 19h
Praça Gomes Teixeira
No seguimento das conversas, o festival contará ainda com a apresentação exclusiva do novo romance do autor icónico.
Sabia que o BABELL não é apenas sobre livros?
Apesar de a literatura estar no centro do festival, o BABELL estende-se muito para lá das páginas. Ao longo dos cinco dias, o Porto receberá concertos, exposições, cinema e performances que transformam a cidade num verdadeiro palco cultural.
Entre os destaques musicais estão os concertos de GNR, Pedro Abrunhosa e Rui Veloso, no dia 25, na Avenida dos Aliados, que apresentarão temas inéditos inspirados em poetas ligados ao Porto, bem como um espetáculo que junta Carminho e Bárbara Bandeira no dia seguinte, no mesmo local.
Nas artes visuais, o festival conta com exposições de artistas como Kelly Santos e Ana Vidigal, com as exibições “Gestures of Love” e “Desenhos do Cinismo e Melancolia”, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett e no Museu Nacional Soares dos Reis, respetivamente.
O programa inclui ainda sessões de cinema e outras iniciativas culturais espalhadas pela cidade, como a exibição dos filmes Retrato de um Certo Oriente e, inclusive, a adaptação cinemática de A História de uma Serva.
Um dos momentos mais aguardados será o espetáculo de arte no céu criado pelo artista Cai Guo-Qiang, entre a Ribeira do Porto e o Cais de Gaia, que promete encerrar o dia iluminando os céus do Douro.
O festival será encerrado com a performance “Aparição”, um monólogo de Luís Osório sobre escritores, na Torre dos Clérigos.
Dicas para aproveitar o festival:
Se está a pensar visitar o BABELL, aqui ficam algumas sugestões para tirar o máximo partido da experiência:
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Planeie com antecedência: As sessões têm lotação limitada e o acesso depende de reserva com código de livro.
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Explore a cidade a pé: Os espaços estão pensados para serem percorridos em cerca de 15 minutos entre si — ideal para descobrir o Porto a outro ritmo.
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Entre nas livrarias locais: Para além de serem ponto de acesso ao festival, são parte essencial da experiência cultural do BABELL.
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Deixe-se levar pela cidade: Nem tudo precisa de ser planeado: parte da magia está em descobrir sessões e espaços pelo caminho.
O que levar consigo para o BABELL:
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Garrafa de água reutilizável;
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Protetor solar e óculos de sol;
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Chapéu ou boné;
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Tote bag ou mochila espaçosa para as leituras do dia;
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Powerbank para o telemóvel;
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Sapatos confortáveis para explorar a cidade.
Porque é que o BABELL é diferente?
Mais do que um festival literário, o BABELL propõe uma ideia de cidade.
Ao colocar o livro no centro da experiência urbana, o evento transforma o Porto num espaço onde literatura, comunidade e território se cruzam de forma contínua.
No decorrer destes cinco dias, o festival inovador promete uma experiência enriquecedora e proveitosa, com um convite muto simples: viver a cidade como se estivesse a ser escrita em tempo real.