A autora Lídia Jorge foi distinguida com o Prémio Camões 2026, considerado o mais importante galardão da literatura lusófona. A decisão foi tomada por unanimidade pelo júri deste prémio literário, que destacou o conjunto da sua obra e o contributo excecional dado, ao longo de mais de quatro décadas, para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa.
Após a condecoração de Adélia Prado e Ana Paula Tavares, em 2024 e 2025, respetivamente, Lídia Jorge é a terceira mulher a receber consecutivamente este prémio.
Ao receber a notícia, a escritora confessou ter sentido “uma alegria e uma emoção muito grande”, afirmando também aceitar a distinção com uma “sensação de imerecimento”, mas profundamente grata pelo reconhecimento. “Fico muito grata a quem pensou nos meus livros e me atribuiu este prémio”, declarou à Renascença.
Nascida em Boliqueime, no Algarve, em 1946, Lídia Jorge é uma das maiores figuras da literatura portuguesa contemporânea. A sua estreia literária ocorreu em 1980 com O Dia dos Prodígios, obra considerada um marco da ficção portuguesa do pós-25 de Abril. Desde então, construiu uma bibliografia notável, marcada por romances que exploram temas como a memória, a identidade, a condição feminina, o legado colonial e as transformações da sociedade portuguesa.
A dimensão cívica da sua obra e da sua intervenção pública continua igualmente presente. Numa conversa durante o festival BABELL no Porto, no dia 29 de junho, a autora afirmou que repetiria "de forma ainda mais explícita" a mensagem do discurso que proferiu nas comemorações do 10 de Junho de 2025, no qual defendeu que "ninguém tem sangue puro", reafirmando a importância da diversidade e da memória coletiva como valores fundamentais da sociedade portuguesa.
Entre os seus títulos mais emblemáticos destacam-se A Costa dos Murmúrios (2002), Os Memoráveis (2014), O Vento Assobiando nas Gruas (2019) e, mais recentemente, o aclamado Misericórdia (2022), romance distinguido com diversos prémios nacionais e internacionais, nomeadamente o Prémio Médicis Étranger, em 2023, e o Prémio Pessoa, em 2025.
Ao longo da sua carreira, a autora recebeu inúmeras distinções, entre as quais, além dos mencionados, o Prémio Vergílio Ferreira, o Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas. A atribuição do Prémio Camões representa o culminar de um percurso literário amplamente reconhecido pela sua qualidade estética, profundidade humanista e intervenção cívica.
Com esta distinção, Lídia Jorge junta o seu nome ao de alguns dos maiores autores lusófonos distinguidos com o Prémio Camões, reforçando o seu lugar como uma das vozes mais influentes e incontornáveis da literatura contemporânea.