Dostoievski foi educado no seio de uma família muito religiosa, assumindo-se, até ao fim da sua vida, como Cristão Ortodoxo. Enquanto esteve preso, a sua obsessão com a figura de Cristo cresceu ainda mais, uma vez que o único livro que lhe era permitido ler na prisão era a Bíblia. Durante esse período, escreveu uma carta, onde confessa que “mesmo que alguém me provasse que a verdade não mora em Cristo, ainda assim eu escolheria permanecer ao seu lado, em vez do lado da verdade”. No leito da sua morte (a 9 de fevereiro de 1881), provocada por três hemorragias pulmonares, pediu que a Parábola do Filho Pródigo (do Evangelho de São Lucas) fosse lida aos seus filhos – tendo sido o seu último desejo deixar esta mensagem de redenção como a sua derradeira herança.
Com apenas 59 anos, tinha atingido o auge da sua carreira literária (algo que se pode denotar no facto de terem comparecido cerca de 50.000 pessoas ao seu funeral, de acordo com alguns relatos), e foi sepultado no cemitério Tikhvin, em São Petersburgo, junto aos seus poetas preferidos, Nikolay Karamzin e Vasily Zhukovsky. Na sua lápide pode ler-se a seguinte frase do Novo Testamento: “Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dá muito fruto.”