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Partilhamos consigo a segunda parte do artigo Agustina Bessa-Luís: “Os grandes da literatura têm também de ser grandes na vida.” publicado na edição de Natal da revista Somos Livros. Se ainda não leu a primeira parte, descubra-a aqui.
Isabel Rio-Novo dedicou dois anos e meio - intensos à missão de biografar Agustina Bessa-Luís. Foi neste O poço e a estrada (Contraponto) que mergulhámos, para celebrar, com 100 curiosidades, os 100 anos do nascimento de Agustina.
Annie Duchesne nasceu em 1940 na Normandia. Cresceu em Yvetot, uma pequena cidade, onde seus pais geriam um café-mercearia. Formou-se em Letras Modernas e foi professora de Literatura. Divorciou-se no início dos anos 1980 e, em 2000, deixou definitivamente o ensino para se dedicar à escrita. Muitas vezes apelidada de “obscena”, por abordar temáticas consideradas “indignas da literatura”, assume a escrita como um ato político. Em 2020, a revista New Yorker dizia que, com os seus 20 livros, a autora " dedicou-se a uma única tarefa: a escavação de sua própria vida". Considerada a mãe da autoficção sociológica contemporânea, Ernaux assume escrever “algo entre literatura, sociologia e história”. Os que a leem sabem que fala da vida tal como ela é, usando a escrita como uma lâmina afiada, arrepiando, aqui e ali, memórias e dores que são de todos.
Em 1968, o romance Bound to Violence, do escritor malaio Yambo Ouologuem, ganhou o segundo prémio literário mais prestigiado de França, o Renaudot. Acusado de plágio, Ouologuem parou de escrever e voltou para o Mali. Este acontecimento foi a inspiração de Mohamed Mbougar Sarr, para escrever A mais secreta memória dos homens, aclamado como “um hino à literatura”, que por figurar entre os finalistas de todos os grandes prémios literários franceses e arrecadar o mais prestigiante de todos, o Goncourt.
Há uma certa ingenuidade que paira nesta espécie-de-diário onde ouvimos a voz de Lucy Barton — para muitos leitores, uma velha conhecida. Quase somos (e queremos ser) levados a acreditar que Lucy desabafa connosco à medida que os pensamentos e sobressaltos a invadem, numa inexistência de filtros ou fronteiras entre o ontem e o hoje, entre o que doí e o que faz viver. A familiaridade das dores e dos medos esbarra na aparente (e enganadora) simplicidade de tudo. Nesta conversa íntima, os ecos que ouvimos são nossos.
A menos de uma semana para um novo Natal, são muitas as sugestões de livros que podem surgir como potenciais presentes a oferecer. E para não se correr o risco de escolher um livro que a pessoa a quem se oferece já possa ter na estante, nada melhor do que uma seleção de cinco romances publicados já no decorrer deste ano. Uma escolha entre autores estrangeiros e nacionais.
Não é difícil estabelecer paralelismos entre o mundo em 1922 e aquele em que vivemos hoje, precisamente um século depois. Na primeira metade do século XX, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Gripe Espanhola (1918-1920), colheram, em conjunto, mais de 70 milhões de vidas, um pouco por todo o mundo. Por sua vez, a primeira metade do século XXI conheceu uma nova pandemia, e confronta-se agora com a possível iminência de um novo conflito mundial, com a invasão militar da Ucrânia pela Rússia.
Num género literário cada vez mais explorado em Portugal, são muitas as publicações recentes que desvendam as vidas notáveis de diversas figuras, da cultura ao entretenimento, passando pela literatura e até mesmo pela política. São bons exemplos de livros onde a memória e a investigação se cruzam, para nos dar uma leitura contagiante e enriquecedora. Recomendamos-lhe, por isso, sete biografias que não deve deixar de considerar como presente para oferecer este Natal.
Ray Bradbury defendia que “A ficção científica é a mais importante literatura da história mundial, porque é a história das ideias, a história da nossa civilização durante o seu próprio nascimento.” Diz Neil Gaiman, em O que se vê da última fila, que, por vezes, os escritores escrevem sobre um mundo que ainda não existe. Sobre o livro Fahrenheit 451, a obra seminal de Ray Bradbury, defende: “Este é um livro de alerta. Serve para nos lembrar que o que temos é valioso e que, por vezes, damos por garantido aquilo que valorizamos. Há três frases que tornam possível o mundo da escrita sobre o mundo que ainda não existe (…) e são simples:E se…?Se ao menos…Se isto continuar assim ...”
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