Agustina Bessa-Luís: “Os grandes da literatura têm também de ser grandes na vida.”

Por: Bertrand Livreiros a 2023-01-10

10%

O Livro de Agustina
27,50€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

O Poço e a Estrada
19,90€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

A Selva
18,45€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

O Monte dos Vendavais
17,75€ 15,98€
PORTES GRÁTIS

10%

Vento, Areia e Amoras Bravas
14,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

Deuses de Barro
16,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

30%

A Morgadinha dos Canaviais
16,50€
30% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

A Sibila
20,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

Os Demónios
25,24€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

História da Literatura Portuguesa
49,90€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

Últimos artigos publicados

Em memória das vítimas do Holocausto

Localizado no sul da Polónia, Auchwitz que foi o maior campo de concentração operado pela Alemanha Nazi, funcionou com uma verdadeira fábrica de morte, de maio de 1940 a janeiro de 1945. Embora o número exato de mortos seja impossível de determinar, estima-se que mais de um milhão de prisioneiros (entre eles, judeus — a maioria —, mas também prisioneiros políticos e criminosos comuns) perdeu as suas vidas neste campo, sendo que a estimativa do número total de mortos no Holocausto chega aos 6 milhões.

Cinco livros de banda desenhada de autores nacionais

Ao longo dos últimos anos, foram vários os autores que se destacaram na publicação de obras de banda desenhada ou de novelas gráficas em Portugal. Neste campo de representação de uma linguagem universal, há histórias para miúdos e graúdos, que amplificam horizontes e a nossa capacidade imaginativa. Por isso recomendamos cinco livros de autores portugueses cuja obra deve conhecer. 

6 Curiosidades sobre Eugénio de Andrade

A propósito da data em que se celebra o centenário do poeta e tradutor Eugénio de Andrade, nascido a 19 de janeiro de 1923, partilhamos cinco curiosidades importantes sobre a sua vida. Ao longo dos seus 82 anos de vida, Eugénio de Andrade foi um dos nomes mais prestigiados da literatura portuguesa, embora tenha vivido distanciado da chamada vida social, literária ou pública, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com “essa debilidade do coração que é a amizade”.

“A vida de Agustina não cabe nos limites cronológicos do seu nascimento e da sua morte”
— Isabel Rio Novo


Isabel Rio-Novo dedicou dois anos e meio — intensos — à missão de biografar Agustina Bessa-Luís. Foi neste O Poço e a Estrada (Contraponto) que mergulhámos, para celebrar, com 100 curiosidades, os 100 anos do nascimento de Agustina.

1. 15 de outubro de 1922. Em Vila Meã, nesse domingo, chovia torrencialmente. Ao final da tarde nascia, às 19h10, a segunda filha de Arthur Teixeira Bessa e Laura Jurado Ferreira: Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa.

 

“Quando me dizem que tenho uma escrita torrencial, rio-me porque se me afigura que ela foi conduzida por essa tarde vitoriosa em que a chuva caía na terra, como prata e ouro juntos. Um nascimento tem o seu efeito na vida inteira”
— Agustina Bessa Luís, Contemplação Carinhosa da Agustina, Lisboa, Guimarães Editores, 2000, p. 180.


2. Em casa do avô Lourenço, Agustina falava (como toda a gente) castelhano e, da boca da ama Lorenza Fuentes, ouvia histórias espanholas, sanguinárias e macabras, sobre ladrões, perseguições e emboscadas.

3. Rejeitava demonstrações de carinho ostensivo e sentia-se irritada quando lhe ofereciam presentes — por sentir a sua liberdade posta em causa — ou quando a tratavam de forma condescendente. Não gostava de chorar ou que se rissem das suas perguntas, argumentos ou reações.

4. Em pouco tempo, com ajuda da professora privada, contratada para auxiliar o irmão mais velho, Agustina aprendeu a ler sem chegar a soletrar. Tinha quatro anos. Passou a ler tudo o que lhe ia parar às mãos.

5. Em criança gostava muito do Music hall. Quando lhe perguntavam “O que é que queres ser quando cresceres?”, respondia: “Quero ser professora ou bailarina”.

6. Frequentou o Colégio das Doroteias, entre 1929 e 1933.

7. O pai tinha um cinema no Porto (o Jardim Passos Manuel, que depois deu lugar ao Coliseu do Porto), onde passava horas sozinha. Arthur Bessa, tinha feito fortuna no Brasil, onde passou 25 anos. De volta a Portugal, comprou “uma parte da Rua do Ouvidor”. “Eram tempos airosos de fantasia para quem se fazia ao mundo”, disse Agustina na sua autobiografia O Livro de Agustina.

 

“Foi esse enamoramento da imagem, antes da escrita, que tive como campo de descoberta.”
— Agustina Bessa-Luís


8. Aos doze anos, escrevia redações para as colegas, não a incomodando o facto de estas tirarem melhor nota do que ela.

9. Em 1934 fez, com distinção, o exame da quarta classe. Como prémio, os pais ofereceram-lhe uma boneca judia alemã, com a estrela de David gravada na nuca. Agustina batizou-a de Fernanda.

10. Em 1936 mudou-se para o Porto.

11. Já adolescente, sentiu-se atraída pelo Direito. A família opôs-se a que enveredasse por essa via. Décadas mais tarde, diria, em jeito de brincadeira, a Jorge de Sena, que gostaria de se ter formado em Direito “para namorar os mestres”.

12. Lia Alexandre Dumas, Vítor Hugo, Flaubert.

13. É na adolescência que se deteriora ainda mais a relação que mantinha com a mãe. Numa entrevista conduzida por Anabela Mota Ribeiro, esta chegou a perguntar à filha, Mónica Baldaque, se achava que Agustina se sentiu muito amada pela mãe. Mónica respondeu: “O que é que eu acho? Acho que a minha mãe não é uma pessoa que se ame.”

14. Aos quinze anos, achando-se “gorda”, começou a deixar de comer e seguiu uma receita muito em voga, na altura, para emagrecer: começou a beber vinagre. Rapidamente lhe foi diagnosticado um quadro de anorexia. Isto viria a influenciar muitas das personagens que criou.

15. O pai ofereceu-lhe o livro A Selva, de Ferreira de Castro, alegando tratar-se do “melhor livro de um escritor português”. Após terminar a leitura, Agustina respondeu: “Se isto é o melhor livro de um escritor português, eu vou fazer o melhor livro de um escritor português”.

16. Durante quatro anos, viveu retirada no Douro, na casa de Godim. Recebeu aulas particulares de latim e de francês. 

17. Nesta fase, a leitura torna-se um vício ainda maior, de Camões a Antero de Quental, de Byron a Ruskin, de Diderot a Dostoievsky. Este último viria a tornar-se uma das suas grandes influências.

18. Quando teve contacto com a obra de Camões, mais do que um poeta, considerou-o “um malabarista do sujeito e do predicado”.

19. Entre as leituras mais marcantes, destacam-se O Monte dos Vendavais, de Emily Bronte (que considerou “genial”).

20. Entre os 19 e os 20 anos, regressou com a família ao Porto. Mesmo sem prosseguir o liceu, era dona de uma curiosidade intelectual e de uma formação literária ímpares. Para acalmar a sede de leitura, pedia livros emprestados e nem sempre os devolvia.

21. Teve aulas de língua alemã, no atual Colégio Alemão do Porto.

22. Frequentou o Salão Silva Porto, em Cedofeita, uma galeria de arte que organizava cursos de desenho, pintura e escultura. Em casa, a partir de retratos publicados na revista Blanco y Negro, retratava atrizes e atores da época, em folhas A3.

23. Depois de experimentar a poesia (Vento, Areia e Amoras Bravas) e de ter optado pela prosa, continuava a escrever, nesta fase sobretudo contos, que eram, ocasionalmente, publicados em jornais.

24. Uma figura proeminente no Porto, António Pinto Machado, ao ter contacto com um dos contos de Agustina, comenta com o seu pai, Arthur Bessa, que a filha era brilhante. Ao ter conhecimento do elogio, Agustina pensou: “É isto, sou uma escritora.”

25. Entre os 19 e os 20 anos, conclui o seu primeiro romance: Deuses de Barro, que viria a assinar com o pseudónimo Maria Ordoñes.

26. Nas frequentes idas ao cinema, encantou-se particularmente com Orson Wells.

27. No Primeiro de Janeiro de 5 de fevereiro de 1944, publicam na secção de Classificados, na categoria Diversos, o seguinte anúncio:

JOVEM INSTRUÍDA desej. corresp. c/pessoa intelig. e culta.
Resp. Admin. N.º 6145

28. Agustina recebeu cerca de 30 respostas ao anúncio, destacou cinco e ficou particularmente interessada numa delas, pela sua originalidade: incluía um desenho, “imaginando-a uma mulher sentada a ler, com um amplo vestido de roda.”.  O autor era Alberto Luís, estudante de Direito, residente em Coimbra, apaixonado por História, Filosofia e Arte, com sentido de humor e intolerante em relação à mediocridade. Agustina e Alberto passaram a corresponder-se.

29. Casaram-se um ano e meio depois, a 26 de julho de 1945. 

30. Os pais dos noivos não compareceram à cerimónia. 

31. Em vez de um copo-d´água, os noivos e as testemunhas foram tomar um chá à Confeitaria do Bolhão. 

 

“Pela primeira vez na vida pensei que me devia casar, porque solteira me distraía de maiores realidades.”
— Agustina Bessa-Luís, O Livro de Agustina Bessa-Luís


32. Alberto e Agustina, o “casal Garcia”, nas palavras de Agustina, estiveram juntos 70 anos.
 

“Ela tinha um objetivo na vida, que era escrever, e ele tinha o objetivo de a acompanhar”.
— Mónica Baldaque


33. Em 1940, muda-se com Alberto para Coimbra.

34. Em 1946, nasce a sua filha Mónica Baldaque, na casa de Godim.

35. Colar de Flores Bravias foi a primeira obra escrita em Coimbra, em 1947 (que ficaria inédita até 2014).

36. A 10 de junho de 1947, o Jornal Via Latina anuncia o nome dos premiados dos jogos florais. Na categoria de conto, o vencedor era “o estudante de Direito Alberto de Oliveira Luís” — nada mais do que Agustina. O cenário e as vitórias repetiram-se.

37. A 13 de dezembro de 1948, termina de escrever Mundo Fechado, que descreveu como um livro “airoso e profético.”

38. Quando terminou de escrever Os Super-Homens, enviou o manuscrito a Aquilino Ribeiro. Não tendo recebido uma resposta, Agustina endereça à Bertrand, editora de Aquilino, um telegrama:

“FAVOR DIZER URGENTE SE RECEBEU ÚNICO EXEMPLAR DO MEU LIVRO = BESSA LUÍS”

39. Em 1950, quando é publicado o seu segundo romance, Agustina e Alberto já estão novamente a morar no Porto, na Rua da Boavista.

40. Alberto datilografava as obras a partir da leitura dos manuscritos, feita pela mulher.

41. Por brincadeira, o casal fez uma adaptação ilustrada de A Morgadinha dos Canaviais, de Júlio Dinis, que foi publicada no Diário do Norte, entre 1952 e 1953.

42. Escreveu uma narrativa policial, Aquário e Sagitário, que permaneceria inédita até à década de 1990.

43. A 16 de janeiro de 1953, concluía A Sibila, com a qual concorreu ao prémio Delfim Guimarães, sob o pseudónimo Stavroguine (apelido da personagem principal do romance Os Demónios, de Dostoievski). A obra venceu o prémio, tendo sido publicada no ano seguinte.

 

“Uma boa história é a que nos comunica a consciência da nossa individualidade”.
— Agustina Bessa-Luís


44. Quina, personagem de A Sibila, foi inspirada na sua tia Amélia.

45. Teve em Camilo Castelo Branco uma grande influência. 

46. Em 1957, a História da Literatura Portuguesa, de António José Saraiva e Óscar Lopes, mencionava Agustina como “a personalidade mais notável dos últimos anos, pela exuberância, ainda incontrolada, do seu poder de evocação dramática e poética.”

47. Em 1961, Alberto e Agustina mudam-se para Esposende, como forma de responder à necessidade que Agustina sentia de “se isolar”.

48. Foi membro do Conselho Diretivo da Comunidade Europeia dos Escritores, de 1961 a 1962.

49. Teve um cão, um caniche chamado Boneco, também conhecido por Dulho ou Botinha, que adorava.

50. Enquanto viveu em Esposende, os vizinhos e amigos começaram a chamar-lhe “a eremita de Esposende”.

 

Leia aqui a segunda parte deste artigo

X
O QUE É O CHECKOUT EXPRESSO?


O ‘Checkout Expresso’ utiliza os seus dados habituais (morada e/ou forma de envio, meio de pagamento e dados de faturação) para que a sua compra seja muito mais rápida. Assim, não tem de os indicar de cada vez que fizer uma compra. Em qualquer altura, pode atualizar estes dados na sua ‘Área de Cliente’.

Para que lhe sobre mais tempo para as suas leituras.