Na nossa língua, somos eternos.
É verdade: a língua portuguesa constrói-se, infinitamente, com 23 letras (26 após o Acordo Ortográfico de 2009). Oferece uma paleta de sons e grafismos que pode ser combinada e recombinada perante a vontade de quem a utiliza, com a maior precisão técnica ou o mais excêntrico e irreverente capricho. Segundo um famoso teorema, um primata a digitar aleatoriamente num teclado durante um intervalo de tempo infinito irá inevitavelmente redigir qualquer obra da literatura que imaginemos, com o exemplo clássico sendo a obra completa de William Shakespeare. Por aqui, gostamos dos textos escritos com intenção — e idealmente alguma economia temporal — mas este excercício mental não deixa de evocar a profunda plasticidade da nossa língua, assim como a de todas as outras.
Seja qual for a técnica, o estilo ou o género literário, não faltam exemplos da beleza e versatilidade do nosso idioma, meio de expressão dos mais de 265 milhões de falantes de língua portuguesa em todo o mundo. Neste Dia Mundial da Língua Portuguesa prestamos homenagem às palavras partilhadas por esta vasta comunidade, com 23 sugestões de A a Z.
A
Agosto, de Rubem Fonseca
B
O Banqueiro Anarquista e Outros Contos, de Fernando Pessoa
C
Choupos, de Adília Lopes
D
Dentes de Rato, de Agustina Bessa-Luís
E
Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago
F
O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe
G
O Gesto que Fazemos para Proteger a Cabeça, de Ana Margarida de Carvalho
H
O Homem que Engoliu a Lua, de Mário de Carvalho
I
Inventário da Solidão, de João Tordo
J
Jantar Secreto, de Raphael Montes
L
Livro da Doença, de Djaimilia Pereira de Almeida
M
Memória de Elefante, de António Lobo Antunes
N
Na Terra dos Animais Falantes, de Richard Zimler
O
Outras Paragens, de Eça de Queirós
P
Para Sempre, de Vergílio Ferreira
Q
A Queda de um Anjo, de Camilo Castelo Branco
R
Rio das Flores, de Miguel Sousa Tavares
S
Sinais de Fogo, de Jorge de Sena
T
Torto Arado, de Itamar Vieira Junior
U
Um Sopro de Vida, de Clarice Lispector
V
Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett
X
A língua portuguesa tão versátil e multifacetada como os conjunto dos que a falam, e tem lugar para todas as letras… mas algumas permanecem raras no papel de inicial de título: o X tem sido até agora uma criatura difícil. Talvez As raízes da língua, de Marco Neves, nos possa explicar porquê…
Z
Zero, de Ignácio de Loyola Brandão
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