Depois de conquistar milhões de leitores em todo o mundo — e de se transformar num verdadeiro fenómeno mundial graças, em parte, à adaptação da Netflix — a história de Nick e Charlie chega finalmente ao fim com o lançamento do sexto e último volume da novela gráfica Heartstopper, de Alice Oseman.
A série acompanha a história de amor de Charlie Spring e Nick Nelson, dois adolescentes que, entre amizades, inseguranças e primeiras experiências, descobrem que crescer também é aprender a amar, a comunicar e a aceitar quem somos. Desde que surgiu como um simples webcomic, Heartstopper conquistou uma legião de fãs pela forma genuína como retrata o primeiro amor, tornando-se uma referência da literatura young adult contemporânea e uma das obras mais marcantes da representação LGBT dos últimos anos.
Mas o sucesso da série vai muito além do romance. Ao longo dos seis volumes, Alice Oseman aborda temas como a saúde mental com uma sensibilidade rara. No decorrer da série, Charlie enfrenta uma perturbação alimentar, perturbação obsessivo-compulsiva (POC) e as consequências de bullying. Num retrato sensível e realista que nunca dramatiza nem romantiza estas dificuldades, a autora lembra-nos que a recuperação não é linear, que pedir ajuda é um ato de coragem e que o amor, por si só, não resolve tudo — mas pode fazer parte da cura. É essa combinação de ternura, autenticidade e esperança que faz com que tantos leitores se sintam vistos e compreendidos nas páginas de Heartstopper.
O volume final promete encerrar esta viagem com o mesmo carinho e delicadeza que tornou esta série num fenómeno mundial. É um adeus agridoce a personagens que cresceram connosco, mas também uma celebração de tudo aquilo que a série representa: empatia, aceitação e a importância de contar histórias onde todos possam encontrar um pouco de si.
A despedida de Nick e Charlie, porém, não termina nas páginas dos livros. A adaptação de Heartstopper regressará já no dia 17 de julho com um filme que concluirá a história iniciada na série da Netflix, levando ao ecrã o capítulo final da relação entre as duas adoradas personagens. Assim, tanto os leitores como os espectadores terão oportunidade de acompanhar o desfecho desta viagem que cativou milhões de fãs.
Se acompanhou Nick e Charlie desde o início, prepare os lenços. E, se ainda não conhece Heartstopper, talvez este seja o momento perfeito para descobrir porque é que esta história conquistou o coração de uma geração inteira.
Quando chegar ao fim, não precisa de se despedir já destas personagens. Alice Oseman expandiu a história de Nick e Charlie em duas novelas, Nick e Charlie e Este Inverno, ambas publicadas em 2015, que exploram momentos importantes da vida do casal para lá dos acontecimentos da novela gráfica.
Mas sabia que Nick e Charlie já existiam antes de Heartstopper?
Antes de criar o webcomic, Alice Oseman já escrevia romances. O seu romance de estreia, Solitário (2014), escrito quando tinha apenas 18 anos, acompanha Tori Spring, a irmã mais velha de Charlie, enquanto enfrenta as incertezas, as amizades, e as mágoas da adolescência. É através do seu olhar que conhecemos os dois rapazes pela primeira vez, e testemunhamos um dos momentos mais difíceis da vida de Charlie: a sua hospitalização na sequência de problemas de saúde mental.
Descrito pelo The Times como "À Espera no Centeio para a era digital”, Solitário apresenta um tom mais sombrio e introspetivo, mas lança as bases para o universo que conquistaria milhões de leitores. Afinal, muito antes de Heartstopper se tornar um fenómeno, Nick e Charlie já estavam destinados a encontrar o caminho até ao coração dos leitores.
Desde o início da sua carreira, Oseman sempre procurou dar voz e visibilidade a personagens e identidades pouco representadas no género young adult. Em Sem Amor (2020) acompanhamos Georgia na descoberta da sua identidade assexual e arromântica; Nasci Para Isto (2018) explora a relação entre fãs e celebridades através de um elenco diverso, que inclui um protagonista trans; e Rádio Silêncio (2016), um dos livros mais acarinhados pelos fãs da autora, aborda temas como a pressão académica, a identidade e a amizade através de Frances, uma jovem bissexual e birracial, e do seu melhor amigo Aled, que deescobre, ao longo do livro, a sua identidade gay e assexual.
Mais do que contar histórias de amor, Alice Oseman construiu um universo onde diferentes experiências, identidades e formas de ser e estar no mundo têm espaço para existir.