Gonçalo M. Tavares vence o Prémio Formentor de las Letras 2026

Por: Cláudia Oliveira a 2026-03-06

Gonçalo M. Tavares

Gonçalo M. Tavares

Gonçalo M. Tavares é autor de uma vasta obra que está a ser traduzida em mais de sessenta países. A sua linguagem em rutura com as tradições líricas portuguesas e a subversão dos géneros literários fazem dele um dos mais inovadores escritores europeus da atualidade. Recentemente, Le Quartier (O Bairro), de Gonçalo M. Tavares, recebeu o prestigioso Prix Laure-Bataillon 2021, atribuído ao melhor livro traduzido em França, sucedendo assim à Nobel da Literatura Olga Tokarczuk, que recebeu este prémio em 2019, e ao escritor catalão Miquel de Palol. Ainda em 2021, O Osso do Meio foi também distinguido no Oceanos, um dos mais relevantes prémios de língua portuguesa. De entre a sua vasta bibliografia, vinte e duas das suas obras já foram distinguidas, em diversos países. Foi seis vezes finalista do prémio Oceanos, tendo sido premiado três vezes. Foi ainda duas vezes finalista do Prix Médicis e duas vezes finalista do Prix Femina, entre outras distinções de relevo, como o Prix du Meilleur Livre Étranger em 2010. Saramago vaticinou-lhe o Prémio Nobel. Vasco Graça Moura escreveu que Uma Viagem à Índia dará ainda que falar dentro de cem anos. A The New Yorker afirmou que, tal como em Kafka e Beckett, Gonçalo M. Tavares mostrava que a «lógica pode servir eficazmente tanto a loucura como a razão».

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Gonçalo M. Tavares, um dos mais internacionais escritores portugueses contemporâneos, acaba de ser distinguido com o Prémio Formentor de las Letras 2026, atribuído pela fundação espanhola Formentor, que distingue anualmente um autor cujo percurso literário se destaca pela consistência, inovação e relevância no contexto internacional.

É a primeira vez que um autor português recebe este galardão, sublinhando a projeção da sua obra no panorama literário europeu e reforçando o lugar da literatura portuguesa no diálogo com outras línguas e tradições.

Com um valor de 50 mil euros, tem-se afirmado como um dos prémios literários mais prestigiados do espaço ibero-europeu, reunindo um júri que valoriza tanto a singularidade estilística como a capacidade de interrogar criticamente o presente.

Esta distinção reforça o percurso de um autor que, livro após livro, tem construído um universo literário reconhecido pela crítica e traduzido em várias línguas, consolidando a presença da literatura portuguesa no mapa dos grandes prémios internacionais. O júri, composto por escritores, críticos, editores e académicos de várias nacionalidades, entre os quais a italiana Elide Pittarello, o britânico Gerald Martin e a espanhola Pilar del Río - presidente da Fundação José Saramago -, justificou a escolha pela ousadia com que o autor "construiu uma narrativa alheia às tentações do óbvio", reconhecendo nele um escritor que pertence "à genealogia literária dedicada a contar o reverso da realidade".

A atribuição deste prémio coloca o escritor português ao lado de um historial de nomes incontornáveis da literatura mundial que já foram distinguidos pelo Formentor, incluindo Samuel Beckett, o primeiro galardoado, Saul Bellow, Annie Ernaux, László Krasznahorkai, Jorge Luis Borges, Carlos Fuentes e Pascal Quignard.

Sobre o autor:

Nascido em Luanda em 1970, Gonçalo M. Tavares tem desenvolvido, ao longo de mais de 25 anos, uma obra vasta e multifacetada que transita entre géneros e registos, da ficção ao ensaio, passando por textos inspirados noutros escritores e obras experimentais.

A sua escrita, marcada por uma precisão linguística ímpar e por uma reflexão crítica sobre o mundo contemporâneo, tem sido publicada em dezenas de países e traduzida para mais de cinquenta países, facto que reforça a sua presença internacional. Entre os títulos mais emblemáticos da sua bibliografia estão obras como Jerusalém, O Bairro, assim como publicações recentes como a distopia O Fim dos Estados Unidos da América, editada pela Relógio d'Água.

Sobre o prémio:

O Prémio Formentor de las Letras foi criado em 1961 por um grupo de editores europeus, entre os quais Carlos Barral, Claude Gallimard e Giulio Einaudi, com o objetivo de dar continuidade aos encontros culturais iniciados nas ilhas Baleares. Após um período de interrupção, foi retomado em 2011 e distingue anualmente o conjunto da obra de autores com contributos relevantes para a literatura contemporânea.

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