7 Curiosidades sobre o Prémio Nobel

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2019-10-07 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Liu Xiaobo

Liu Xiaobo

Liu Xiaobo nasceu em Changchun, em 1955, e é um dos maiores pensadores, críticos e políticos chineses da actualidade. Foi um dos principais mentores dos protestos de Tiananmen, em 1989, e é co-autor da Carta 08, importante e muito critico manifesto político, o que lhe valeu a prisão imediata por parte das entidades chinesas. Foi galardoado com prémio Nobel da Paz em 2010.

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José Saramago

José Saramago

Prémio Nobel de Literatura, 1998

Autor de mais de 40 títulos, José Saramago nasceu em 1922, na aldeia de Azinhaga.
As noites passadas na biblioteca pública do Palácio Galveias, em Lisboa, foram fundamentais para a sua formação. «E foi aí, sem ajudas nem conselhos, apenas guiado pela curiosidade e pela vontade de aprender, que o meu gosto pela leitura se desenvolveu e apurou.»
Em 1947 publicou o seu primeiro livro que intitulou A Viúva, mas que, por razões editoriais, viria a sair com o título de Terra do Pecado. Seis anos depois, em 1953, terminaria o romance Claraboia, publicado apenas após a sua morte.
No final dos anos 50 tornou-se responsável pela produção na Editorial Estúdios Cor, função que conjugaria com a de tradutor, a partir de 1955, e de crítico literário.
Regressa à escrita em 1966 com Os Poemas Possíveis.
Em 1971 assumiu funções de editorialista no Diário de Lisboa e em abril de 1975 é nomeado diretor-adjunto do Diário de Notícias.
No princípio de 1976 instala-se no Lavre para documentar o seu projeto de escrever sobre os camponeses sem terra. Assim nasceu o romance Levantado do Chão e o modo de narrar que caracteriza a sua ficção novelesca. Até 2010, ano da sua morte, a 18 de junho, em Lanzarote, José Saramago construiu uma obra incontornável na literatura portuguesa e universal, com títulos que vão de Memorial do Convento a Caim, passando por O Ano da Morte de Ricardo Reis, O Evangelho segundo Jesus Cristo, Ensaio sobre a Cegueira, Todos os Nomes ou A Viagem do Elefante, obras traduzidas em todo o mundo.
No ano de 2007 foi criada em Lisboa uma Fundação com o seu nome, que trabalha pela difusão da literatura, pela defesa dos direitos humanos e do meio ambiente, tomando como documento orientador a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Desde 2012 a Fundação José Saramago tem a sua sede na Casa dos Bicos, em Lisboa.
José Saramago recebeu o Prémio Camões em 1995 e o Prémio Nobel de Literatura em 1998.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou postumamente, a 16 de novembro de 2021, José Saramago com o grande-colar da Ordem de Camões, pelos "serviços únicos prestados à cultura e à língua portuguesas", no arranque das comemorações do centenário do nascimento do escritor.

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Jean-Paul Sartre

Jean-Paul Sartre

Jean-Paul Sartre nasceu em Paris a 21 de junho de 1905. Em 1924 ingressou na École Normale Supérieure, onde despertou o seu interesse pela filosofia e conheceu aquela que viria a tornar-se a sua companheira de vida, Simone de Beauvoir. Em 1938 publicou o seu primeiro romance, A Náusea, texto centrado no tema do absurdo da existência que não só alcançou imediato êxito literário como desde logo anunciou Sartre como um dos expoentes do pensamento filosófico francês do século xx. Desdobrando a sua atividade literária pelos mais diversos géneros, destacam-se da sua obra os ensaios O Ser e o Nada e Crítica da Razão Dialética, peças de teatro como As Moscas e As Mãos Sujas ou a autobiografia As Palavras. Em 1964 foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, que recusou como protesto contra os valores da sociedade burguesa. Morreu a 15 de abril de 1980, em Paris.

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Malala Yousafzai

Malala Yousafzai

PRÉMIO NOBEL DA PAZ 2014

Malala Yousafzai iniciou a sua campanha pela educação das raparigas quando tinha apenas dez anos, na altura em que o Vale de Swat passou a ser controlado pelos talibãs. Em 2009, iniciou um blogue para a BBC Urdu acerca da vida sob o regime talibã e participou num documentário do New York Times sobre a educação no Paquistão. Em outubro de 2012, esta jovem transformou-se num alvo a abater e foi alvejada pelos talibãs quando voltava da escolar para casa. Sobreviveu e hoje continua a sua campanha pela educação das raparigas. Em 2011, em reconhecimento da sua coragem e da luta por esta causa, Malala foi nomeada para o International Childrenís Peace Prize e recebeu o primeiro National Youth Peace Prize do Paquistão. Foi distinguida com muitos outros prémios, incluindo o International Children’s Peace Prize, o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento e o Amnesty International Ambassador of Conscience Award. Em 2014, tornou-se a pessoa mais jovem de sempre a receber o Prémio Nobel da Paz. Malala vive atualmente em Birmingham, Inglaterra, e continua a sua luta pelo direito universal à educação através do Fundo Malala (malalafund.org), uma organização sem fins lucrativos que apoia esta causa em todo o mundo. Em Portugal, toda a obra da autora é publicada pela Editorial Presença.

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Boris Pasternak

Boris Pasternak

Boris Pasternak nasceu em Moscovo em 1890, numa família judia. Depois de uma passagem pela Alemanha, onde estuda filosofia, volta para Moscovo em 1914, estabelecendo ligações com o grupo futurista local e iniciando-se na poesia. Pasternak afirma-se com o seu terceiro livro, Minha irmã a vida, de 1917, que circula sob a forma de manuscrito até 1922, ano em que é finalmente publicado. Mantém, com dificuldades, o seu trabalho como tradutor e escritor ao longo dos anos 30 e em 1947 inicia uma relação amorosa com Olga Ivínskaia, que inspirará a personagem de Lara em Doutor Jivago, obra que começa a escrever no pós-guerra. A primeira edição deste título dá-se em Itália em 1957 e no ano seguinte Pasternak é galardoado com o Prémio Nobel da Literatura. As autoridades soviéticas reagem com fúria e obrigam-no a recusar o prémio, sob a ameaça de graves sanções. Boris Pasternak morre dois anos depois, em Peredelkino, perto de Moscovo. Doutor Jivago só seria publicado na União Soviética em 1988.

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Foi em 1896 que Alfred Nobel morreu, deixando para trás o seu último desejo em testamento: que fossem criados prémios anuais, para as pessoas que mais tivessem contribuído para o desenvolvimento da Humanidade. Os Prémios Nobel passaram a ser dos mais prestigiados do mundo, destacando grandes figuras na área da Medicina, Física, Química, Economia, Paz e Literatura. Na semana em que serão conhecidos os laureados de 2019, fomos descobrir  algumas curiosidades.
 

 

 

1. Quem era Alfred Nobel?

Nascido em Estocolmo, em outubro de 1833, Alfred Bernhard Nobel nasceu no seio de uma família abastada, que passou pela Finlândia e Rússia, depois de empresa do pai ter falido.

Foi em São Petersburgo que estudou, mostrando um grande interesse pela literatura e pela química. O pai, ao perceber isto, enviou-o para o estrangeiro para ganhar experiência no campo da Engenharia Química. Em 1863, regressado à Suécia, ficou mundialmente conhecido pela criação da dinamite, uma invenção que veio facilitar os trabalhos de grandes construções, como túneis e canais. É também a ele que devemos a invenção da borracha sintética.

Morreu de hemorragia cerebral, aos 63 anos, em Itália. Grande parte da sua fortuna, equivalente a 148 milhões de libras, foi para a criação de uma fundação que premiasse anualmente as pessoas ou instituições cujas pesquisas, descobertas ou contribuições tivessem um forte impacto na Humanidade. 

 
2. Como são escolhidos os candidatos?

Ainda que ninguém se possa autonomear, centenas de professores, academias e instituições, bem como antigos laureados e cientistas, convidados a dar a sua opinião, pressionam o Comité do Nobel a favor dos seus candidatos favoritos. 

Em setembro de cada ano, enviam-se formulários a cerca de três mil pessoas e organizações com capacidade para nomear, sendo que os nomes têm de ser apresentados até 31 de janeiro. Entre março e maio, é feita uma consulta a especialistas e conselheiros internacionais das várias áreas e, entre junho e agosto, o Comité submete as suas recomendações à Academia sueca.

Em outubro, são escolhidos e anunciados os laureados que, posteriormente, recebem os seus prémios numa cerimónia realizada a 10 de dezembro, data da morte de Alfred Nobel .

As nomeações, no entanto, não garantem automaticamente o sucesso. Lise Meitner , uma das cientistas que ajudou a dividir o átomo, nunca recebeu o Prémio Nobel, apesar de ter sido indicada 48 vezes.

 

 

Na altura da publicação sobre a descoberta de ambos, Otto Hahn excluiu o nome de Meitner, acabando por ganhar o Prémio Nobel em 1944.

 

3. Quem é que já recusou o prémio?

Só duas pessoas recusaram receber os seus Nobel: Jean-Paul Sartre , galardoado com o Nobel de Literatura em 1964, uma vez que  recusara todas as honras oficiais; e Le Duc Tho, vencedor do Nobel da Paz em 1973, em conjunto com o secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger , pelo acordo de paz no Vietname. Le Duc Tho recusou argumentando com a então situação no Vietname.

No entanto, houve outros quatro vencedores que foram forçados pelas autoridades a recusar o Nobel. Adolf Hitler proibiu três alemães – Richard Kuhn , Adolf Butenandt e Gerhard Domagk – de aceitar o prémio, tendo todos recebido o diploma e a medalha, mas não o valor monetário.

O soviético Boris Pasternak , Nobel de Literatura em 1958, aceitou inicialmente o prémio, mas foi depois coagido pelas autoridades da União Soviética a recusar.

 

4. Quantos laureados se encontravam presos na altura em que receberam o prémio?

Três nomeados encontravam-se na prisão quando receberam o galardão, todos indicados para o Prémio Nobel da Paz:

  • Carl von Ossietzky , jornalista e pacifista alemão, galardoado em 1935. Era contra o extremismo político de esquerda ou de direita, tendo chegado a atacar publicamente o nazismo, nos artigos que escrevia para o Weltbühne. O prémio foi interpretado como uma expressão de censura ao nazismo em todo o mundo. 
  • Aung San Suu Kyi , política de oposição birmanesa. Durante as eleições de 1990, obteve 59% dos votos em todo o país, o que deveria fazer dela primeira-ministra da Birmânia. Pouco antes das eleições, contudo, foi detida e colocada em prisão domiciliária. 
  • Liu Xiaobo , ativista pelos direitos humanos chinês. Foi detido em 2008, devido à sua participação na assinatura da Carta 08 , acusado de subversão contra o poder do Estado. Em 2010, o Prémio Nobel da Paz foi-lhe atribuído “pela sua longa e não-violenta luta pelos direitos humanos fundamentais da China” .

 

5. Qual a família veterana dos prémios?

Em 1903, o casal Pierre e Marie Curie foi premiado com o Nobel da Física e, em 1911, Marie Curie (nascida Sklodowska) recebe o prémio de Química, o que a torna a única mulher a ter recebido duas vezes um Nobel.

Em 1935, a sua filha, Irène Joliot-Curie , e o marido, Frédéric Joliot , receberam o prémio de Química, e a irmã mais nova de Irène, Eve Curie , casou-se com Henry Richardson Labouisse,  que recebeu o Nobel da Paz em 1965 enquanto director da Unicef.

O PRÉMIO NOBEL EM NÚMEROS

Entre 1901 e 2018, foram outorgados 590 prémios para 935 laureados, sendo que apenas 52 são mulheres. Desde o início, foram 49 as vezes em que os Prémios Nobel não foram atribuídos, maioritariamente no período da Segunda Guerra Mundial (1914-1918).  Com 17 anos, Malala Yousafzai foi a mais nova das nomeadas a ganhar o Prémio Nobel (Paz, 2014). Paralelamente, Arthur Ashkin foi o mais velho, tendo sido galardoado com o Prémio Nobel da Física, em 2018, com 96 anos.

 
6. Quais foram os prémios atribuídos postumamente?

A partir de 1974, foi proibida a atribuição de prémios postumamente, a menos que a morte ocorra após o anúncio do nome do vencedor. No ano anterior, duas figuras, ambas suecas, tinham sido premiadas após a sua morte: o diplomata Dag Hammarskjöld (prémio da Paz em 1961) e o poeta Erik Axel Karlfeldt (Literatura, em 1931).

Em 2011, contudo, um episódio inesperado levou à atribuição póstuma de um prémio. Depois de anunciado o prémio de Medicina, o comité descobriu que o vencedor, o canadiano Ralph Steinman , tinha morrido três dias antes. A Fundação decidiu manter a decisão e gravou o seu nome na prestigiada lista de laureados.

 

7. Quantos portugueses foram nomeados e quantos já receberam um Nobel?

Até 1966 – os nomeados para os prémios só são revelados pela Academia ao fim de 50 anos, pelo que só há informação oficial até esse ano – houve portugueses nomeados para mais de 60 prémios Nobel, mas só dois o receberam: Egas Moniz e José Saramago .

O neurologista Egas Moniz recebeu o prémio da Medicina, em 1949, em conjunto com o fisiologista suíço Walter Rudolf Hess . O galardão foi atribuído pelo desenvolvimento da técnica da leucotomia pré-frontal, que permitiu uma vida mais fácil a quem sofre de doenças como a esquizofrenia.

O segundo vencedor português foi o escritor José Saramago –  autor de  Memorial do Convento Ensaio sobre a Cegueira  ou  O Evangelho Segundo Jesus Cristo , entre tantas outras – , que recebeu o Nobel da Literatura em 1998.

 

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