Vamos comprar um poeta? 5 poetas para descobrir neste Natal

Por: Marta Ribeiro a 2023-12-01 // Coordenação Editorial: Elísio Borges Maia

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O Quarto Rosa
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Alegria para o fim do mundo
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Não Desfazendo
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Uma mulher aparentemente viva
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Sob a forma do silêncio
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Um golpe de estado em 248 páginas

Há livros que são armas, tijolos que quebram muros, machados que quebram o mar gelado em nós (Franz Kafka), um “tiro de pistola entre a multidão” (André Breton). Portugal e o Futuro de António de Spínola foi um desses livros. Publicado dois meses antes da Revolução sem sangue que mudou para sempre o nosso país, o livro do então militar acabou por ser a arma, a “pedrada no charco”, o “rastilho” (António Valdemar) que colocou em movimento as engrenagens da mudança. Agora, no 50º aniversário da Revolução e da publicação do livro que lhe deu início, João Céu e Silva traça aquilo que descreve como “a biografia de um livro” com O General que Começou o 25 de Abril Dois Meses antes dos Capitães (Contraponto).

Vamos falar de amor

Para os que amam a cara metade, amor é cumplicidade, é paixão. É ser uma alma em dois corpos, falar com o olhar, sonhar com o para sempre. É um passeio de mão dadas, um filme romântico a dois no sofá. É doce, é quente.

As dedicatórias de livros mais românticas de sempre

Uma tradição que se mantém desde a Roma Antiga, embora nem sempre com o mesmo propósito (ver De onde vêm as dedicatórias dos livros?), as dedicatórias de livros tornaram-se numa das formas mais especiais de um escritor prestar tributo ou expressar o seu amor por alguém. Embora os pais continuem a ser os principais destinatários — segundo um estudo publicado em 2006 —,  vários autores imortalizaram as caras metades nas suas dedicatórias, algumas capazes de rivalizar com os mais belos poemas de amor.

Neste mundo não podemos ter um poeta em vez de um animal de estimação — deixamos isso para a imaginação de Afonso Cruz no livro que empresta o título a este artigo. Mas podemos perder-nos nos seus versos e deles sair transformados. Francisca Camelo, Andreia C. Faria, Rita Taborda Duarte, Cláudia R. Sampaio e Emanuel Madalena são poetas que devem ficar cravados na memória — para voltar a eles sempre que precisar de uma dose da arte que dominam.

 

Francisca Camelo

É uma das vozes contemporâneas a reter. É assumidamente feminista, política e escreve sobre a condição de ser mulher. Nasceu no Porto, passou por Berlim e, não importa onde, gosta de comprar flores sozinha. A poesia é crua e transparente, cria imagens e espaços numa atmosfera intimista que é simples (mas nunca simplista).

Não é todos os dias
que se decide meter
a cabeça no forno
não é todos os dias 
que se escrevem poemas
de prata
não é todos os dias que decido 
quase dizer que
quase te amo
pedindo a conta
a tempo certo de fugir
és como eu um inadaptado
e ver-te assim
tão capaz de sobreviver
ao mistério da solidão
faz com que se sinta
cada vez menos acompanhada

em O Quarto Rosa

Andreia C. Faria

Disse, em entrevista ao Expresso, que “ser poeta é uma jarretice” — considera-se escritora, trabalha com a imaginação. Licenciou-se em Jornalismo mas rapidamente percebeu que não era bem ali que queria estar, interessava-lhe mais a escrita do que a adaptação aos canais multimédia. Já ganhou vários prémios e começou por ser aposta de editoras mais pequenas. Nas palavras de valter hugo mãe: “O trabalho de Andreia C. Faria está entre os mais urgentes, magníficos, da poesia contemporânea.”

Estou entre a Idade de Cristo
e a idade com que Simone Weil morreu,
Tendo, como eles, a ampliar fenómenos,
os mitos ou o próprio mar encabeçado por um touro,
a minha roupa ao fim de um dia de uso
arrastando a areia de um qualquer abismo.
Mas se resisto às tentações é porque não as sinto. 
Não as conto entre os tentáculos do dia,
a registadora máquina, a trituradora de papel

em Alegria para o Fim do Mundo

Rita Taborda Duarte

Escreveu muito para crianças, mas na poesia reinventa-se. Escreve sobre coisas que todos conhecemos: o amor, as pessoas e as paredes do mundo que, diz, são feitas de “palavras de pedra”. Nasceu em 1973, em Lisboa, e 30 anos depois ganhou o Prémio Branquinho da Fonseca. É professora do ensino superior e pertence à Comissão de Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian. A sua poesia está reunida no livro Não Desfazendo — com direito a inéditos.

Como é agora a vida sem esse homem? 
Melhor, não?
Voltei a dançar descalça
sem medo de ferir a palma dos pés
com o engodo espinhoso do fastio
dançando entre os meus
a música clara e livre dos vitrais.
O peito colado ao coração dos deuses...

em Não Desfazendo

Cláudia R. Sampaio

É poesia no feminino, com uma sensibilidade e humanidade que não deixa nenhum leitor indiferente. É transparente nas palavras sem medo da brutalidade das emoções. Claúdia R. Sampaio é poeta e artista plástica, tem duas gatas e já lançou sete livros de poesia. Nasceu em Lisboa, em 1981, e atualmente é residente no projeto MANICÓMIO. 

Porque a mulher estava farta das coisas visíveis 
e pensava: quero procurar as invisíveis
Normalmente ninguém encontra o que transparece
É preciso acordar da cor de um lírio
e ir contra as coisas, rodando ao contrário
tentando ser mais do que aquilo que se parece
Por isso, a mulher escolheu ser do mundo

em Uma Mulher Aparentemente Viva

Emanuel Madalena

Estreou-se na coleção da Porto Editora coordenada por valter hugo mãe, Elogio da Sombra. Sob a Forma do Silêncio marca a saída de Emanuel Madalena do silêncio da escrita — e fá-lo de forma muito madura. Para além da escrita, é investigador e debruça-se sobre a área da literatura infantil na interseção com questões de identidade de género e LGBTQIA+.

Do meu rio
vê-se a torre,
mas só a dor me vê de volta.
também as palavras me olham:
não sei que esperam de mim

em Sob a Forma do Silêncio

 

Este artigo foi publicado na Revista Somos Livros (edição Natal 2023)

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