Depois da demissão do primeiro-ministro, António Costa, no dia 7 de novembro, e da consequente dissolução do parlamento, os portugueses vão a votos para decidir o futuro do país. As eleições legislativas antecipadas estão marcadas para dia 10 de março, e está nas mãos de mais 10,8 milhões de eleitores residentes em território nacional e no estrangeiro escolher o partido que irá formar o próximo Governo e representá-los durante os próximos quatro anos. Os nove livros que sugerimos são essenciais para conhecer melhor os candidatos que vão a votos e entender aquilo que está em jogo.
Mas primeiro, quem são as forças políticas que vão a votos?
No total, são 19 as forças políticas a concorrer nas eleições legislativas, menos duas do que em 2022. Os eleitores poderão escolher entre os seguintes partidos e/ou coligações: PS, Aliança Democrática (PSD/CDS/PPM), Chega, IL, BE, CDU (PCP/PEV), PAN, Livre, Nós, Cidadãos!, Alternativa 21 (MPT/Aliança), ADN, PTP, RIR, JPP, Ergue-te, MAS, Nova Direita, Volt Portugal e PCTP/MRPP.
No caso do PSD, candidata-se coligado em 21 círculos com CDS e PPM, que integram a Aliança Democrática (AD). No círculo da Madeira, sociais-democratas e centristas mantêm a coligação, denominada Madeira Primeiro e PPM concorre sozinho.
E quantos deputados são eleitos por círculo?
Serão eleitos 230 deputados para representarem os portugueses na Assembleia da República. Lisboa mantém-se como o maior círculo eleitoral (elegendo 48 deputados), seguido pelo Porto (40), Braga e Setúbal (com 19), Aveiro (16) e Leiria (10). Coimbra elege nove deputados, assim como Faro e Santarém, enquanto Viseu tem oito lugares no parlamento para distribuir.
Nas regiões autónomas, Madeira mantém seis deputados e os Açores cinco. Viana do Castelo e Vila Real elegem cinco deputados e Castelo Branco quatro. Beja, Bragança, Évora e Guarda votam para eleger três deputados por círculo, enquanto com dois mantêm-se Portalegre, Europa e Fora da Europa.
Como posso saber onde devo ir votar?
A informação sobre o local de voto fica disponível apenas 15 dias antes das eleições.
Pode obter esta informação de três formas:
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Presencialmente na junta de freguesia do local de residência ou na câmara municipal;
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Aceder à página da internet em www.recenseamento.mai.gov.pt;
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Enviar uma mensagem escrita (SMS) gratuita para o número 3838, com a mensagem “RE (espaço) número de CC/BI (espaço) data de nascimento", escrevendo a data a começar pelo ano, mês e dia de nacimento [aaaammdd]. Exemplo: RE 12345678 19531007.
As nossas sugestões de leituras:
Na Cabeça de Pedro Nuno, de Ana Sá Lopes
Chegou a ser declarado politicamente morto e obrigado a abandonar o Governo. Já antes estivera à beira da demissão quando cometeu o erro político de desautorizar António Costa. Mesmo assim, ressuscitou e conseguiu alcançar o lugar com que sonhava há muito. Com este livro da autoria da jornalista Ana Sá Lopes, poderá entender melhor o pensamento do líder do PS, Pedro Nuno Santos, e a sua visão para o futuro do país.
Na Cabeça de Montenegro, de Miguel Santos Carrapatoso
O cargo de líder parlamentar, no período da troika, deu-lhe o estatuto de herdeiro do “passismo”. Mas as relações com Passos Coelho arrefeceram e o legado que agora persegue é outro e mais antigo. Recusou por três vezes ser governante e por duas vezes foi derrotado em autárquicas. Já fez e desfez alianças, esteve politicamente morto e ressuscitou. Depois de algumas falsas partidas chegou à liderança. Da autoria do jornalista Miguel Santos Carrapatoso, este livro é indispensável para ficar a conhecer melhor o líder do PSD.
Na Cabeça de Ventura, de Vítor Matos
André Ventura foi um fura-vidas. A persona mediática que criou nasceu na CMTV como comentador de futebol. Na adolescência convertera-se ao catolicismo, a ponto de se tornar um fundamentalista religioso. Depois de ganhar visibilidade televisiva soube pô-la ao serviço da sua ambição de notoriedade. Assim descreve o jornalista Vítor Matos, o presidente do partido CHEGA, fundado em 2019. Um livro fundamental para compreender melhor esta figura que o autor descreve como “uma espécie de Fausto português, que foi trocando aquilo em que acreditava por tudo o que satisfizesse a sua ambição”.
Não Foi por Falta de Aviso | Ainda o Apanhamos!, de Rui Tavares
O mais recente livro do porta-voz do Livre é um dois em um. De um lado, as crónicas que há muito alertavam para a ameaça do autoritarismo. Do outro, aquelas que nos apontam o caminho para um Portugal melhor. Nos 50 anos do 25 Abril, é tempo de revisitar uma tensão fundamental ao ser português: a tensão entre pequenez e grandeza, entre velho e novo. Para desatar o nó, não basta o «dizer umas coisas» dos populistas e não chegam as folhas de cálculo dos tecnocratas. É preciso descrever a visão de um Portugal melhor e partilhar um caminho para lá chegar.
No Sonho Selvagem do Alquimista, de Mariana Mortágua
Doutorada em Economia, Mariana Mortágua explica neste livro os principais processos de criação de moeda e o modo de funcionamento dos bancos. Acompanhando a sua evolução desde a Idade Média, a autora reflete sobre o poder associado às relações financeiras e de dívida. E sobre as novas formas de poder financeiro, nomeadamente a «banca-sombra» e as criptomoedas. Um livro importante para quem quiser aprender mais sobre o tema, mas também para ter um melhor entendimento do pensamento económico da atual coordenadora do Bloco de Esquerda.
Portugal Esquecido – Retratos de um país desigual, de Catarina Martins e João Teixeira Lopes
Para olhar para o futuro, é preciso olhar primeiro para o passado e para o presente. Neste trabalho de recolha sociológica e económica, coordenado por Catarina Martins, ex-coordenadora do Bloco de Esquerda, e João Teixeira Lopes, fica a conhecer um conjunto de realidades presentes em Portugal e de que poucas vezes se fala. Para além disso, apresenta ainda propostas de transformação social para o futuro do país em que «a paz, o pão, habitação, saúde, educação» da canção de Sérgio Godinho ainda não estão ao alcance de todos.
Como Mentem as Sondagens, de Luís Paixão Martins
A poucos dias das eleições legislativas de 2022, a previsão mais frequente da comunicação social portuguesa era de empate técnico. Nenhuma sondagem previu uma maioria absoluta. O mesmo erro tem-se repetido um pouco por todo o mundo. A TV quer dar-nos a ilusão de que consegue antecipar o futuro mas esconde a complexidade dos estudos de opinião. Luís Paixão Martins, o autor de Como Perder uma Eleição, que tem neles um dos seus instrumentos de trabalho, traça-lhes a evolução histórica — uma história fascinante e pouco conhecida — e faz a autópsia do que está a correr mal, analisando à lupa um caso concreto recente.
Política para crianças, de Mafalda Cordeiro; Ilustração: Rita Antunes
Para crianças ou para adultos mais leigos, este livro explica conceitos fundamentais para entender política e a forma como ela influencia o nosso dia-a-dia. Acompanhado pelas ilustrações lúdicas e divertidas de Rita Antunes, ensina miúdos e graúdos o que é a política, como se formam governos, a importância do voto e como a nossa participação na sociedade pode influenciar o futuro. Inclui ainda atividades e desafios para toda a família.
E se Fôssemos a Votos?, de Luísa Ducla Soares; Ilustração: Rachel Caiano
No mais recente livro de Luísa Ducla Soares, uma das mais reconhecidas autoras de literatura infantojuvenil em Portugal, um avô paciente responde a todas as perguntas da sua neta e alguns dos seus colegas sobre o que são as eleições e para que servem. Depois de descobrirem a importância deste instrumento e de como é fundamental para o bom funcionamento de uma sociedade democrática, decidem juntos replicar tudo aquilo que aprenderam na sua própria escola.
Jogo Quem Quer Ser Primeiro-Ministro
Por fim, um jogo de tabuleiro perfeito para jogar em família no fim de semana das eleições. Recomendado para maiores de doze anos, é indicado para quem gosta de política mas especialmente para quem não gosta. Nele, cada jogador representa um dos sete partidos políticos e ganha quem conseguir chegar primeiro à casa Primeiro-Ministro. Quem será que tem o que é preciso para ser o próximo líder do nosso país?