Duas ou três ideias sobre... “Da Liberdade”

Por: Beatriz Sertório a 2025-04-25

Timothy Snyder

Timothy Snyder

Timothy Snyder é Richard C. Levin professor de História e Assuntos Globais na Universidade de Yale e bolseiro permanente do Instituto de Ciências Humanas em Viena. Os seus livros, publicados em mais de quarenta línguas, incluem Terra Sangrenta, Terra Negra, Sobre a Tirania, O Caminho para o Fim da Liberdade e A Nossa Doença. O seu trabalho inspirou campanhas e exposições de cartazes, esculturas, canções, uma peça de teatro e uma ópera. Participou em mais de cinquenta filmes e documentários.

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No dia em que celebramos a liberdade, propomos-lhe uma leitura essencial para refletir sobre o que realmente significa ser livre. Da Liberdade (D. Quixote), a mais recente obra de Timothy Snyder, é uma poderosa reflexão sobre a natureza da liberdade – o que é, como tem sido mal interpretada, e porque é a nossa única hipótese de sobrevivência. Autor de livros como Sobre a Tirania e reconhecido como "o principal estudioso dos nossos tempos sombrios”, Snyder inspirou milhões de pessoas a lutarem pela liberdade; agora, quer ajudá-las a ver com clareza aquilo por que estão a lutar.
 

Cruzando filosofia política com experiências pessoais e o legado de dissidentes e pensadores contemporâneos, esta tour de force de filosofia política mereceu o elogio do presidente Volodymyr Zelensky, e Anne Applebaum descreveu-o como o livro que “todos os que se preocupam com a liberdade – o que representa e o que é preciso para a preservar – devem ler”. Descubra-o connosco neste dia simbólico, em duas ou três ideias.


A liberdade não é (nem pode ser) apenas a ausência de opressão.

A liberdade é, há muito, o grande compromisso do pensamento ocidental. No entanto, como argumenta Timothy Snyder em Da Liberdade, estamos a perder de vista o que ela realmente significa — e esse esquecimento está a conduzir-nos a uma crise profunda. Hoje, muitos associam a liberdade apenas à ausência de interferência do Estado. Achamos que somos livres quando podemos dizer e fazer o que quisermos, quando nos protegemos da ação governamental. Mas essa visão reduz a liberdade a uma ideia negativa: ser livre de algo — da ditadura, da guerra, da censura, da opressão.

Em vez disso, Snyder propõe uma definição mais abrangente e positiva. A verdadeira liberdade não é apenas a “liberdade de” — é sobretudo a “liberdade para”. Liberdade para crescer, para correr riscos, para construir um futuro. Uma liberdade ativa, que nos envolve e compromete com os outros e com o mundo. É essa liberdade que dá sentido à vida em sociedade — e torna possíveis todos os outros valores que dela dependem.


A liberdade assenta em cinco pilares essenciais.

A noção de “liberdade positiva” que Snyder defende assenta em cinco pilares fundamentais: soberania, imprevisibilidade, mobilidade, factualidade e solidariedade. A soberania está relacionada com a compreensão de que somos todos seres humanos merecedores dos mesmos direitos e do mesmo respeito, e a imprevisibilidade defende o nosso direito a ter um futuro que não esteja predeterminado. Já a mobilidade e a factualidade referem-se, respetivamente, à nossa capacidade de escolher o nosso próprio caminho, e à possibilidade de fazermos escolhas informadas, com pleno acesso à verdade. Por fim, a solidariedade lembra-nos de que ninguém é verdadeiramente livre sozinho, e que a liberdade é um esforço coletivo.


A tecnologia deve servir a liberdade, não limitá-la.

Embora a liberdade seja algo que se constrói coletivamente, o papel do Estado continua a ser fundamental. Afinal, cabe-lhe criar as condições certas para que ela possa florescer: combater desigualdades, promover a justiça social, proteger a verdade e, cada vez mais, garantir que a tecnologia serve o bem comum. Vivemos numa era em que a tecnologia pode aproximar pessoas, abrir novas possibilidades e transformar sociedades. Mas esse mesmo poder, se não for usado com responsabilidade, também pode ser uma ferramenta de vigilância, manipulação ou censura.

É por isso que Timothy Snyder defende a necessidade urgente de políticas claras e firmes, que coloquem a dignidade humana no centro da revolução digital. Somente com regulação ética e responsabilidade governamental será possível garantir que as inovações tecnológicas contribuam para uma sociedade mais justa, inclusiva e democrática, em que a liberdade não significa apenas “estar livre de” mas “ser livre para”.

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