A Biblioteca Pessoal de Jorge Luis Borges

Por: Bertrand Livreiros a 2023-08-24 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

As histórias concisas e expansivas de Jorge Luis Borges (24 de agosto de 1899 - 4 de junho de 1986) reformularam a ficção moderna. Foi um dos primeiros autores a misturar cultura erudita com elementos populares, fundindo géneros tão populares como a ficção científica e os contos com discursos filosóficos profundos sobre autoria, realidade e existência. O seu conto "O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam" (1944), que descreve um romance que é também um labirinto, antecipou a hipertextualidade da era da internet. O seu tom de desprendimento irónico influenciou gerações de autores latino-americanos. Para a BBC, Borges foi o escritor mais importante do século XX.
 

Naturalmente, Borges não era apenas um autor. Quando não estava a escrever ficção, trabalhava como crítico literário, crítico de cinema, bibliotecário e chegou também a ocupar o cargo de diretor da Biblioteca Nacional de Buenos Aires. Os seus gostos eram ecléticos. Não tinha em grande conta escritores canónicos como Goethe, Jane Austen, James Joyce e Gabriel Garcia Marquez. Preferia os contadores de histórias do século XIX, como Edgar Allan Poe e Rudyard Kipling.
 

Em 1985, a editora argentina Hyspamerica pediu a Borges que criasse uma Biblioteca Pessoal, o que envolvia a curadoria de 100 grandes obras da literatura e a escrita de introduções para cada volume. Embora ele tenha conseguido abranger apenas 74 livros, antes de falecer de cancro no fígado, em 1988, as seleções de Borges são fascinantes e profundamente idiossincráticas. Selecionou contos de Robert Louis Stevenson e H.G. Wells, bem como livros religiosos exóticos, poesia japonesa do século VIII e os pensamentos de Kierkegaard. Pode consultar a lista completa aqui, de onde selecionamos 21.
 

“Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria.”
Jorge Luis Borges

 

1. Amérika, de Franz Kafka

2. O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati

3. O Mandarim, de Eça de Queirós

4. A Máquina do Tempo e O Homem Invisível, de H. G. Wells

5. Demónios, de Fyodor Dostoiévsky

6. Bartleby, O Escrivão, de Herman Melville

7. O Espelho que Foge, de Giovanni Papini

8. O Coração das Trevas, de Joseph Conrad

9. História do Declínio e Queda do Império Romano, de Edward Gibbon

10. O jogo das contas de vidro, de Hermann Hesse

11. A tentação de Santo Antão, de Gustave Flaubert

12. Viagens, de Marco Polo

13. Vidas Imaginárias, de Marcel Schwob

14. Temor e Tremor, de Søren Kierkegaard

15. Pedro Páramo, de Juan Rulfo

16. Contos, de Rudyard Kipling

17. As Mil e Uma Noites

18. Gilgamesh, N. K. Sandars

19. As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift

20. Contos, de Edgar Allan Poe

21. A Eneida, de Virgílio


 

“O livro é uma extensão da memória e da imaginação.”
Jorge Luis Borges



Fonte: Open Culture

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