As histórias concisas e expansivas de Jorge Luis Borges (24 de agosto de 1899 - 4 de junho de 1986) reformularam a ficção moderna. Foi um dos primeiros autores a misturar cultura erudita com elementos populares, fundindo géneros tão populares como a ficção científica e os contos com discursos filosóficos profundos sobre autoria, realidade e existência. O seu conto "O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam" (1944), que descreve um romance que é também um labirinto, antecipou a hipertextualidade da era da internet. O seu tom de desprendimento irónico influenciou gerações de autores latino-americanos. Para a BBC, Borges foi o escritor mais importante do século XX.
Naturalmente, Borges não era apenas um autor. Quando não estava a escrever ficção, trabalhava como crítico literário, crítico de cinema, bibliotecário e chegou também a ocupar o cargo de diretor da Biblioteca Nacional de Buenos Aires. Os seus gostos eram ecléticos. Não tinha em grande conta escritores canónicos como Goethe, Jane Austen, James Joyce e Gabriel Garcia Marquez. Preferia os contadores de histórias do século XIX, como Edgar Allan Poe e Rudyard Kipling.
Em 1985, a editora argentina Hyspamerica pediu a Borges que criasse uma Biblioteca Pessoal, o que envolvia a curadoria de 100 grandes obras da literatura e a escrita de introduções para cada volume. Embora ele tenha conseguido abranger apenas 74 livros, antes de falecer de cancro no fígado, em 1988, as seleções de Borges são fascinantes e profundamente idiossincráticas. Selecionou contos de Robert Louis Stevenson e H.G. Wells, bem como livros religiosos exóticos, poesia japonesa do século VIII e os pensamentos de Kierkegaard. Pode consultar a lista completa aqui, de onde selecionamos 21.
“Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria.”
Jorge Luis Borges
1. Amérika, de Franz Kafka
2. O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati
3. O Mandarim, de Eça de Queirós
4. A Máquina do Tempo e O Homem Invisível, de H. G. Wells
5. Demónios, de Fyodor Dostoiévsky
6. Bartleby, O Escrivão, de Herman Melville
7. O Espelho que Foge, de Giovanni Papini
8. O Coração das Trevas, de Joseph Conrad
9. História do Declínio e Queda do Império Romano, de Edward Gibbon
10. O jogo das contas de vidro, de Hermann Hesse
11. A tentação de Santo Antão, de Gustave Flaubert
12. Viagens, de Marco Polo
13. Vidas Imaginárias, de Marcel Schwob
14. Temor e Tremor, de Søren Kierkegaard
15. Pedro Páramo, de Juan Rulfo
16. Contos, de Rudyard Kipling
17. As Mil e Uma Noites
18. Gilgamesh, N. K. Sandars
19. As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift
20. Contos, de Edgar Allan Poe
21. A Eneida, de Virgílio
“O livro é uma extensão da memória e da imaginação.”
Jorge Luis Borges
Fonte: Open Culture