Há 121 anos, neste dia, nascia Jorge Luis Borges. Leitor ávido, escritor e Diretor da Biblioteca Nacional de Buenos Aires entre 1955 e 1973, dedicou a sua vida à sua paixão pelos livros. Quando nos deixou, em 1986, fez jus ao provérbio africano que diz: "Um velho que morre é uma biblioteca que arde".
Era precisamente na forma de uma biblioteca que imaginava que fosse o paraíso, tendo escrito sobre a literatura que não era o seu ofício mas antes que "[vivia] em literatura" Este poema intitulado Os meus livros foi originalmente publicado na antologia de poesia A Rosa Profunda, em 1975, e é uma verdadeira ode ao seu amor pelos livros.
Os meus livros, de Jorge Luis Borges
Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.
(tradução: Fernando Pinto de Amaral)