"Carol" e Therese | Uma história de amor que quebra preconceitos

Por: Beatriz Sertório a 2020-11-12 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Patricia Highsmith

Patricia Highsmith

Patricia Highsmith (Fort Worth, Texas, 19 de janeiro de 1921 - Locarno, Suíça, 4 de fevereiro de 1995) foi uma escritora americana famosa pelos seus policiais e thrillers. Iniciou a carreira em 1940, a escrever roteiros de banda desenhada para a editora Nedor, sobretudo as do super-herói Black Terror. Tornou-se mundialmente famosa com Pacto Sinistro, que contou com várias adaptações para cinema, sendo a mais famosa dirigida por Alfred Hitchcock em 1951, e pela série com a personagem Thomas Ripley. Escreveu também muitas histórias curtas, frequentemente macabras, satíricas ou tingidas de humor negro.

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Onde os livros nos levam

Um dia, há um livro que muda tudo — a nossa perceção da vida, de nós mesmos, do mundo. Entramos num livro de uma forma e saímos invariavelmente de outra. Afonso Cruz descreve esta metamorfose própria da leitura: "Cada vez que lemos, saímos da leitura como um novo indivíduo que resulta da combinação anímica entre o livro e o leitor.". Umas vezes, essa alteração é subtil, quase impercetível, mas sempre presente. Outras, é verdadeiramente transformadora.

Livros curtos e vidas boas

Numa tarde em que estava sentada numa esplanada a beber um café e a ler um livro, fui interpelada por uma antiga colega de trabalho que apareceu sem eu dar conta: disse-me, em tom jocoso, que eu tinha uma boa vida, pois estava ali, sem fazer nada, "a ler um livrinho ao sol". Achei interessante esta ideia de que uma pessoa que está a ler ao ar livre tem uma vida ótima, porque eu estava de rastos nesse dia, exausta, a ter os meus primeiros trinta minutos sozinha depois de ter sido mãe. 

A demora do livro na rapidez dos dias

À ausência de ruído, chamamos silêncio. Permanecem apenas as oportunidades de redescobrir os sons há muito esquecidos. E, perante o sossego, conseguimos escutar. “Às vezes, o vento traz frases inteiras” — quando foi a última vez que ouvimos o que tem para dizer? Ler estas palavras de Carla Louro, com as quais arranca a sua estreia na poesia, Entra-se na casa pelo pátio, é ser recordada de que o silêncio também pode ser ensurdecedor. Mais do que tudo, é desejar voltar a ser atormentada por ele.

Se procura planos para um fim-de-semana bem passado no conforto da sua casa, temos sugestões para si. Em primeiro lugar, a leitura de Carol, um livro que se tornou um marco da literatura LGBTQ, da autoria de uma das mais conceituadas escritoras de thrillers norte-americanas, Patricia Highsmith. De seguida, assistir, na primeira fila, à exibição da adaptação cinematográfica do mesmo, no canal TVCine Emotion (não necessariamente por esta ordem). Por fim, é dar início à velha discussão: qual é melhor - o livro ou o filme?


 

DAS PÁGINAS ...

Publicado em 1952Carol por pouco não via a luz do dia. Originalmente publicado com o título The price of salt, foi rejeitado pela editora de Patricia Highsmith, por receio de manchar a sua reputação enquanto autora de policiais e thrillers. Por ser totalmente diferente de qualquer coisa que a autora de O Talentoso Mr. Ripley havia escrito até então, Patricia acabou por decidir publicá-lo sob um pseudónimo, Claire Morgan, mas o sucesso do livro levou a que fosse feita uma segunda edição, desta vez, assinado pela autora e com um novo título - Carol.

Nascido de um rascunho escrito em apenas duas horas, sob o efeito da varicela, Carol é uma história de amor entre duas mulheres, passada na década de 1950, em Nova Iorque. Segundo a autora, a inspiração para a mesma surgiu da sua própria história, a partir do encontro fortuito com uma mulher enquanto trabalhava na secção de brinquedos da loja Bloomingdale's, durante a época natalícia de 1948. O livro foi altamente elogiado pela crítica e pelos leitores por ter sido o primeiro romance a retratar uma relação amorosa entre duas mulheres, com um final feliz. 

 

 

... PARA O ECRÃ

Em 2015, o realizador norte-americano Todd Haynes adaptou Carol ao grande ecrã, com Cate Blanchett e Rooney Mara nos papéis de Carol e Therese. Como no livro, Therese sonha com uma vida mais gratificante quando conhece Carol, uma mulher sedutora presa a um casamento fracassado, e a ligação que surge entre ambas leva a que a inocência do primeiro encontro dê lugar a uma relação profunda. 

O filme foi indicado para vários prémios, inclusive para os Óscares de 2016, repetindo também no cinema a popularidade do livro de Highsmith. Estreia no canal TVCine Emotion, no dia 15 de novembro (domingo), às 22:15h.

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