“A liberdade começa com um livro” | O novo prémio literário em que os jurados são reclusos

Por: Beatriz Sertório a 2024-01-23

10%

Sa Préférée
32,22€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

The Rabbit Hutch
13,51€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

Haunting Of Hajji Hotak And Other Stories
18,32€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND

10%

South To America
44,60€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

Best Barbarian
18,92€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

“Ler é viajar sem sair do lugar.” É um lugar comum, mas um que adquire inteiramente um novo significado em situações de restrição de liberdade, como numa prisão. Fonte de inspiração para inúmeros autores, desde Oscar Wilde a Miguel de Cervantes, que escreveram verdadeiras obras-primas durante o seu tempo como reclusos, será, a partir de junho, palco de um novo prémio literário. 

Neste Dia Mundial da Liberdade, damos-lhe a conhecer este projeto inovador que nasceu sob o mote “A liberdade começa com um livro”.

Anunciado no final de 2023, o prémio literário Inside é uma iniciativa conjunta da Freedom Reads, uma organização que promove a criação de bibliotecas em prisões, da National Book Foundation e do Center for Justice Innovation. Criado com o objetivo de fomentar o diálogo e a reflexão nas prisões norte-americanas, irá eleger um de quatro livros premiados com o National Book Award, que serão lidos, debatidos e avaliados por reclusos de doze prisões em diferentes estados nos EUA.

Os quatro livros propostos, sobre temáticas diversas, foram escolhidos por um comité de seleção composto por leitores, escritores e bibliotecários encarcerados. Ao longo da primavera de 2024, os organizadores do prémio Inside deslocar-se-ão a cada estabelecimento prisional para conduzir debates ao vivo, realizar votações e acolher leituras com a presença dos autores. O vencedor será revelado no próximo mês de junho.

Também em França, em 2022, o governo patrocinou o prémio literário Goncourt des détenus (o Goncourt dos detidos), uma nova versão da mais alta distinção literária do país. O prémio foi avaliado por um júri composto por 500 reclusos de 31 estabelecimentos prisionais de todo o país, tendo sido eleita como vencedora a autora Sarah Jollien-Farde pelo romance Sa Préférée (A sua preferida).

Os livros que vão a votos:


The Rabbit Hutch, de Tess Gunty

Estreia literária de Tess Gunty, The Rabbit Hutch é uma romance mordaz e divertido passado num complexo habitacional de baixo custo, numa zona degradada do Indiana. Nele vivem, entre outros, um escritor de obituários, uma jovem mãe com um segredo, uma mulher que faz uma campanha a solo contra roedores e… Blandine, uma mulher bela e formidavelmente inteligente, que passa o seu tempo a ler Dante e a sonhar escapar daquele lugar.  Selvagem e hilariante, é também uma análise penetrante sobre as estruturas de poder que nos moldam.


The Haunting of Hajji Hotak and Other Stories, de Jamil Jan Kochai

Nesta coletânea de histórias da autora finalista do prémio literário PEN/Hemingway, Jamil Jan Kochai dá vida a personagens afegãs contemporâneas, movendo-se entre o Afeganistão moderno e a diáspora afegã nos EUA. Contendo quatro histórias cativantes, que se aproximam da comédia e da tragédia, The Haunting of Hajji Hotak and Other Stories é uma exploração comovente de personagens que se debatem com os fantasmas da guerra e da deslocação, que reflete sobre a paisagem política da atualidade.


South to America: A Journey Below the Mason-Dixon to Understand the Soul of a Nation, de Imani Perry

Neste ensaio surpreendente, Imani Perry, mulher negra e nativa do Alabama, regressa à região (frequentemente incompreendida e subvalorizada) a que sempre chamou de casa, e observa-a com novos olhos. Com uma visão invulgar e uma clareza de cortar a respiração, embarca numa viagem pela história, rituais e paisagens do Sul dos Estados Unidos da América, tecendo um argumento forte sobre como é fundamental compreender a história e a cultura dessa região para entender a nação como um todo.


Best Barbarian, de Roger Reeves

Nesta compilação brilhante de poesia, Roger Reeves, poeta galardoado com o Prémio Whiting, investiga os apocalipses e os arrebatamentos da humanidade
 as alterações climáticas, o racismo, o amor familiar e erótico, o êxtase e a perda. Dialogando com, e por vezes contradizendo, Walt Whitman, James Baldwin, Safo, Dante e Aimé Césaire, entre outros, expande a tradição da poesia para alcançar desde Gilgamesh e a Eneida até Drake e Beyoncé. Um livro destemido, musical e oracular que anuncia Roger Reeves como uma voz essencial na poesia norte-americana da atualidade.

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