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Com ascendência corsa, italiana e espanhola pelo lado da mãe, beirão de Tondela pela linha do pai, Mário Cesariny de Vasconcelos nasceu na Estrada da Damaia, ao cair do dia de 9 de agosto de 1923. Com três irmãs já no mundo — Henriette, que seria mais tarde o seu inseparável talismã, Maria del Carmen e Maria Luísa —, Mário Cesariny foi o milagre das irmãs e da mãe que o embalaram como se fosse um menino Jesus nascido às portas de Lisboa. Criado no coração da cidade, num vetusto prédio do Martim Moniz, paredes meias com a Praça da Figueira e com o Poço do Borratém, onde ainda estavam as mesmas tascas onde Fialho ceara grelos, bacalhau assado e iscas fritas junto de gandaieiras e fadistões, depressa se incompatibilizou com o pai, ofi cial de joalharia que só via o deve e o haver e que tinha oficina de prata lavrada e outras joias. Se a lenda de Mário Cesariny não começou no colo da mãe e das manas, abriu caminho neste despique com o pai, que se tornou depois a freima da sua vida.
Quando escrevemos a primeira palavra num texto sobre Inteligência artificial (IA), o mais certo é que na altura em que colocamos o ponto final nessa reflexão, alguma questão nova, ainda não pensada, tenha surgido. Em 2020 foram gastos nos EUA uns míseros 50 milhões de dólares em investigação sobre os riscos da IA, enquanto os investimentos na ampliação das suas capacidades e poder foram milhares de vezes superiores. Os avanços tecnológicos na IA podem traduzir-se numa progressão exponencial. Nem o mais sábio dos especialistas está em condições de acompanhar esse crescimento para além do potencial de progressão aritmética das melhores inteligências humanas “naturais”. Há mais de uma década que diferentes personalidades alertavam para os riscos existenciais da IA, de bilionários como Elon Musk, a intelectuais públicos como Yuval Harari e filósofos como Nick Bostrom. Para além desses megarriscos ontológicos, gostaria de referir, nestas breves notas, possíveis riscos para um saudável ambiente entre os diferentes criadores culturais e os seus públicos, decorrentes das aplicações de IA.
Jean-François Marmion, psicólogo e editor associado da revista Sciences Humaines — que se apresenta como “candidato a nada” logo no prefácio deste livro —, reflete, num registo provocador e bem-humorado, sobre um tema que parece cada vez menos apelativo para um número crescente de pessoas: os políticos. "A questão que se coloca à partida é a da diferença entre dizer ou fazer estupidezes e ser-se (completamente) estúpido.” Escolhemos alguns excertos e asseguramos-lhe que este é um livro que tem de ler urgentemente.
Numa altura em que se realizam em Portugal as Jornadas Mundiais da Juventude, recordamos o primeiro texto “Aprendizes do Espanto”, que integra a obra Elogio da Sede, do cardeal poeta Tolentino Mendonça, onde este reflete, entre outras questões, sobre a necessidade de “tomar a sede como mestra nos caminhos da alma”.
James Baldwin nasceu em Harlem, Nova Iorque, a 2 de agosto de 1924, e tornou-se um dos maiores escritores do século XX. Morreu em 1987 no sul de França, um ano depois de ter sido nomeado Cavaleiro da Legião de Honra Francesa. Para assinalar o seu aniversário, partilhamos dez curiosidades sobre o autor.
Antes de escrever as suas próprias obras, a autora best-seller Isabel Allende trabalhou como tradutora de romances ingleses. Nessa altura, a autora tomou a liberdade de fazer algumas alterações nas falas das personagens femininas e acabou, até, por alterar o final de alguns romances.
Quando leu, no início da década de 90, o Dicionário de Lugares Imaginários, de Gianni Guadalupi e Alberto Manguel, A. E. Maia do Amaral, diretor-adjunto da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC), sentiu-se deslumbrado com a obra, mas ficou com a sensação de que as literaturas portuguesa e brasileira não estavam bem representadas. Decidiu, ele próprio, fazer uma recolha de alguns dos mais importantes lugares imaginários luso-brasileiros. O resultado foi uma exposição (que esteve patente na Sala de Leitura da BGUC nos dias 26, 27 e 28 de dezembro de 2022) e um livro feito manualmente, com o objetivo de ser oferecido a Alberto Manguel. Foi assim que nasceu A Ilha dos Amores e Outros Lugares Imaginários das Literaturas Portuguesa e Brasileira.
Se já beneficiou, em anos anteriores, de manuais escolares gratuitos, provavelmente já saberá como proceder este ano. Se é a primeira vez que irá beneficiar, não se preocupe: preparamos uma lista com todas as informações que precisa de saber. Em caso de dúvida, os seus livreiros estão disponíveis para o(a) esclarecer e mesmo para tratar de tudo por si. Fale connosco.
Algures em meados dos anos 70, conheci o Gianni Guadalupi. Eu tinha começado a trabalhar para o Franco Maria Ricci, em Milão, onde o Gianni trabalhava como diretor editorial, e tornámo-nos amigos rapidamente. A enorme generosidade intelectual do Gianni, aliada ao seu sentido de humor inteligente e à sua erudição discreta, agradavam-me, e em breve pusemo-nos a encontrar formas de subverter o nosso trabalho editorial. O Gianni era apaixonado por obras históricas estranhas (sobretudo pelo género de crónicas hipotéticas que imaginavam o que teria acontecido se Napoleão tivesse vencido a batalha de Waterloo ou se Aníbal não tivesse sido derrotado) e por atlas. Embora não apreciasse viajar fisicamente, deliciava-se em percorrer as rotas e os trilhos delineados em mapas antigos e nos guias Baedeker, dos quais possuía uma esplêndida coleção que chegou a ser alojada num galinheiro renovado em Arona, e em cujo teto pintou frescos naïf das Sete Maravilhas do Mundo.
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