Isabel Allende despedida por reescrever personagens femininas

Por: Cecília Ferreira a 2023-08-02 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Isabel Allende

Isabel Allende

Isabel Allende é umas romancista, feminista e filantropa que nasceu no Peru e passou a maior parte da juventude no Chile.
É umas das escritoras mais lidas em todo o mundo, tendo vendido mais de 85 milhões de exemplares, estando os seus 38 livros publicados em 42 línguas.
É autora de vários bestsellers acalmados pela crítica, como O vento conhece o meu nome, Violeta, Longa pétala de mar, A casa dos espíritos, De amor e de sombra e Paula.
Para lá do seu trabalho como escritora, Isabel dedica muito do seu tempo a causas humanitárias.
Recebeu 15 doutoramentos honoris causa, entrou no California Hall of Fame e foi distinguida com o PEN Center Lifetime Achievement Award e o Anisfield-Wolf Lifetime Achievement Award.
Em 2014, foi agraciada por Barak Obama com a medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta distinção civil nos EUA. Em 2018, recebeu a Medal for Distinguished Contribution to American Letters, atribuída pela National Book Foundation.
Vive na Califórnia com o marido e os cães.

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Antes de escrever as suas próprias obras, a autora best-seller Isabel Allende trabalhou como tradutora de romances ingleses. Nessa altura, a autora tomou a liberdade de fazer algumas alterações nas falas das personagens femininas e acabou, até, por alterar o final de alguns romances.


Allende, ativa feminista, pretendia que as personagens femininas tivessem opções e não apreciava a fórmula dos típicos romances. A autora chilena, numa entrevista concedida, em 1989, à revista literária Letras Femininas, explicou: "Tive de traduzir romances sobre mulheres que encontram homens incríveis nos aeroportos, vão para Ilhas na Polinésia e têm histórias incríveis. Mas elas eram tão aborrecidas... Depois do terceiro romance, eram todas exatamente iguais. Por isso, comecei a mudar as coisas".

E terá sido assim que acabaria por ser responsável por fazer alterações na narrativa e na personalidade das personagens. Em 2009, numa aula, Allende afirmou: "Tive de mudar um pouco o diálogo aqui e ali, para que a protagonista feminina não ficasse completamente enfraquecida. Depois, deixava-me levar e acabava por mudar o final da história. Por vezes, o Príncipe Encantado acabou a ajudar Madre Teresa, em Calcutá, e a heroína, uma bela loira alta com peito avantajado, acabou a contrabandear armas no Médio Oriente". 

Após terem sido descobertas estas alterações literárias, a autora acabaria por ser despedida do seu emprego de tradutora.
 

Fonte: Bookriot

Opinião dos leitores

Contador de histórias
Helga Caeiro Ferreira | 14-06-2022
Um bom contador de histórias nunca deixa de o ser e acaba por se deixar levar, mesmo quando está a transpor uma obra de outrem. E sejamos sinceros, por vezes apetece fazê-lo em obras que nos "magoam". Não é eticamente correto fazê-lo sem o conhecimento do autor, mas o que é que ainda é correto neste mundo retorcido?
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