A Psicologia da Estupidez na Política

Por: Marisa Sousa a 2023-08-04 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

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“Oh, como a política seria apaixonante sem aqueles que a fazem!”
Jean-François Marmion

 

Jean-François Marmion, psicólogo e editor associado da revista Sciences Humaines — que se apresenta como “candidato a nada” logo no prefácio deste livro —, reflete, num registo provocador e bem-humorado, sobre um tema que parece cada vez menos apelativo para um número crescente de pessoas: os políticos. "A questão que se coloca à partida é a da diferença entre dizer ou fazer estupidezes e ser-se (completamente) estúpido.” Escolhemos alguns excertos e asseguramos-lhe que este é um livro que tem de ler urgentemente.


“Depois de mais de 180 milhões de mortos devidos a monstros como Hitler, Estaline ou Mao, propus que, antes da sua nomeação, os chefes do Estado fossem submetidos a um exame psiquiátrico. Uma brincadeira, evidentemente… ainda que! Isso leva-me a perguntar sobre as suas doenças mentais.


Se examinarmos os ditadores, de Nero a Hitler, de Calígula a Estaline, passando por Robespierre ou Shaka, o rei Zulu que estripava as mulheres grávidas do seu povo, sem esquecer Sua Majestade Imperial Bokassa I, o diagnóstico é paranoia, o delírio de perseguição.
 

Os chefes que respeitam a sua Constituição, como Churchill, por exemplo, mas também Carlos VI, talvez Napoleão (?), justificariam o diagnóstico de bipolaridade. Alexandre, o Grande, Júlio César, Carlos, o Temerário, sofriam de personalidade dependente e de comportamento antissocial.


Carlos V era alcoólico, bulímico, hipocondríaco, obsessivo… Luís XIV padecia de stresse pós-traumático, a grande Catarina era uma erotomaníaca e Maria Antonieta, uma compradora compulsiva. John F. Kennedy, Clinton e Dominic Strauss-Khan encarnam o vício do sexo. E ainda há outros: De Gaulle, narcísico endiabrado; Donald Trump, incapaz de empatia; Bush filho, tão vulgar como o precedente… isso não significa necessariamente que sejam doentes mentais.


Então, existirá uma estrutura psicológica própria dos políticos?”

 

“Por vezes é preferível não dizer nada e passar por imbecil a abrir a boca e confirmar que se é um.”

 

“A lógica das plataformas online favorece a proliferação de conteúdos duvidosos, mas atrativos. A exploração da nossa atenção e das nossas apetências por algoritmos interpostos faz com que cada indivíduo possa literalmente decidir em que realidade vive. (…) cada um forja a sua visão do mundo em função das suas leituras e posturas, da sua personalidade, da sua envolvência social e dos seus hábitos, cujo peso nunca poderemos deixar de sublinhar suficientemente, e cada um só confia nas informações selecionadas, formuladas e interpretadas por outros quando elas vão no seu sentido. (…) sempre foi assim, mas hoje isso vê-se.”
 

ÍNDICE DE ESTUPIDEZ, NUMA ESCALA QUE VAI DE 100 (= TRUMP) A 1 (= JACINDA ARDEN, EX-PRIMEIRA MINISTRA DA NOVA ZELÂNDIA)


“Assim, posso propor um modelo biológico da estupidez política: o acesso a uma posição superior desencadeia um afluxo de testosterona que, como é bem sabido, não favorece o aumento do QI. (…) Para demonstrar a justeza da minha hipótese, seria necessário lançar um grande estudo mundial que consistiria em dosear a quantidade de testosterona dos chefes de Estado e relacionar com o seu IE (Índice de Estupidez, numa escala que vai de 100 = Trump a 1 = Jacinda Arden, ex-primeira ministra da Nova Zelândia) … Mas não tenho a certeza de que isso seja aceite, nem pelos comités de ética, nem pelos interessados!


Não podendo realizar esta investigação — assumo a fraqueza de a achar apaixonante —, é forçoso deixar sem resposta a questão lancinante: será o acesso ao poder que torna o ser estúpido ou, pelo contrário, será necessário ser realmente estúpido para querer poder? E aqui, confesso, não sou suficientemente estúpido para me arriscar a dar uma resposta. Está decidido, retiro oficialmente a minha candidatura às próximas eleições!”
 

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