Cá dentro, inquietação — Revista Somos Livros — Verão 2025

Por: Raquel Fonseca a 2025-07-12

10%

Revista Somos Livros n.º 40 – Verão 2025
0,01€ 0,01€
PORTES GRÁTIS

10%

10%

A Desobediente
20,90€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

Querido Pai
20,90€ 18,81€
PORTES GRÁTIS

10%

10%

José Mário Branco
24,90€ 22,41€
PORTES GRÁTIS

A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes (...)

Inquietação (1982), José Mário Branco

 

Há um ano atrás, na nossa Revista Somos Livros de abril, recordámos a data mais marcante do século XX português: a derrota do regime fascista mais longo da Europa. Este ano recordamos o período de liberdade que se seguiu. Se o fim triunfal do Estado Novo (quase sem sangue e abundante em flores) foi um grito de libertação dito unânime, o seu desfecho desdobra-se numa fragmentação explosiva. Onde antes a união era necessária face ao regime autocrático, agora o espaço abre-se para a pluralidade política. Podemos imaginar uma fricção que rói até fazer faísca, um incêndio, talvez até um fogo-posto – iniciado tanto por agentes internos como pela influência internacional que depressa fez sentir a sua pressão.
 
Eu nasci em 1995. Mas sinto que também me pertence o calor deste verão que já foi há 50 verões atrás. No entanto, o que sei deve-se ao legado de quem o viveu, e quem o escreveu. A nossa revista abre com um panorama de João Céu e Silva sobre este "sobressalto na democracia", percorrendo os principais momentos desde a esperança do "dia inteiro e limpo" de Sophia, interrompido desde logo pelo golpe spinolista de 11 de março, passando pelas primeiras eleições livres, e desembocando no 25 de novembro – que nas palavras de Irene Flunser Pimentel, "sofre do "efeito Rashomon", nome do filme de 1950 de Akira Kurosawa, que passou a caracterizar a incapacidade de se chegar a uma "verdade única"" (Do 25 de Abril de 1974 ao 25 de Novembro de 1975, p. 392-393). E porque o fim do fascismo não foi limitado em causa ou consequência à dita ‘metrópole’ europeia, Rui Bebiano expõe o contestado processo de libertação das nações colonizadas, assim como o estatuto dos retornados.
 
De seguida, Rui Cardoso escreve sobre a imprensa neste período pós-revolucionário, da "desforra" sobre o quase meio século de mordaças traduzido em tiragens triunfantes por (quase) todos os meios de comunicação, mas também por saneamentos internos. Este é o contexto do PREC, um laboratório de libertação nacional celebrado por uns e criticado por outros, mas dificilmente permitindo a neutralidade. Às questões incisivas de Anabela Mota Ribeiro, o inabalável revolucionário Domingos Abrantes entrega-nos o seu testemunho e posicionamento, claro e sem censura. O desapontamento transparece: para ele, "o Inverno de hoje começou no 25 de Abril", e destaca a derrota do 25 de novembro. Lado a lado com Fernando Rosas, Irene Flunser Pimentel, sobre esta data marcante relembra-nos que "cada um conta com o olhar do local onde esteve."
 
De volta ao presente, celebramos a obra vencedora da última edição do Prémio Livreiros Bertrand para Autores Lusófonos: A Desobediente, de Patrícia Reis. Maria João Costa entrevista a autora sobre a biografia de Maria Teresa Horta, transportando-nos para uma vida tão presente e essencial no período revolucionário português. A esta celebração viva da literatura, segue-se a reflexão de Marta Martins Silva sobre as campanhas de alfabetização e dinamização cultural, que mudaram para sempre a literacia em Portugal. Manuel Loff conta-nos sobre a reforma agrária, nas suas palavras "a consagração efetiva de um projeto socialista de desmantelamento da economia capitalista." E porque a arte também é um veículo de revolução, José Pedro Sousa recorre ao seu trabalho de investigação para sintetizar a produção de teatro neste período.
 
De volta aos livros, podemos contar com a análise de Paulo Nóbrega Serra sobre
a coletânea de cartas de guerra de Ana Vargas e Joana Pontes, a visão de Rita Caetano sobre o Verão Quente em que "tudo era permitido" de Pedro Prostes da Fonseca, e por fim, Magda Cruz sobre a antologia de entrevistas a José Mário Branco, cujos versos inesquecíveis acompanham este texto. Nesta edição, encaramos a complexidade de um período histórico único – esperamos que o inquiete.
 

Leia aqui a Revista Somos Livros Mês do Livro 2025 

X
O QUE É O CHECKOUT EXPRESSO?

O ‘Checkout Expresso’ utiliza os seus dados habituais (morada e/ou forma de envio, meio de pagamento e dados de faturação) para que a sua compra seja muito mais rápida. Assim, não tem de os indicar de cada vez que fizer uma compra. Em qualquer altura, pode atualizar estes dados na sua ‘Área de Cliente’.

Para que lhe sobre mais tempo para as suas leituras.